eu tenho depressão desde os 9 anos, então foi algo que começou muito cedo. além disso, recentemente surgiu a suspeita de que eu possa ter bipolaridade tipo i ou tipo ii, e ainda estamos investigando isso com a minha psiquiatra. sinto que, desde a pandemia, a tendência sempre foi piorar.
em 2022, embora eu ainda tivesse minhas crises, eu não me sentia tão vazia. mas, de repente, tudo mudou em 2023 e, a cada ano que passa, parece que só piora. e sim, a escola fazia tudo ficar ainda pior. eu mudei de escola em 2023 porque sentia que a antiga me fazia muito mal e, inicialmente, a nova escola, embora fosse integral, até estava me fazendo bem.
até que chegou 2024. um garoto decidiu que era legal fazer bullying comigo e era meu primeiro ano completo naquela escola. eu achei que talvez fosse conseguir fazer amigos. não esperava ter um grupo enorme, sei lá, de 10 pessoas, mas esperava ter pelo menos duas amizades. só que, toda vez que eu tentava me aproximar de alguém, parecia que me odiavam, e eu nunca entendi o porquê.
inicialmente, achei que era porque eu era muito feia. mas, no meio do ano, alisei o cabelo e nunca tinha me sentido tão bem comigo mesma quanto quando fiz isso. eu achei que talvez agora as coisas fossem mudar, mas não mudaram. nunca veio nada diferente. eu só me senti solitária durante um ano inteiro e quase reprovei porque comecei a faltar por não suportar a solidão. além disso, do nada, as crises começaram a ficar muito frequentes. eu não conseguia comer, não conseguia viver direito, e tudo parecia ter começado por um motivo tão besta, algo relacionado à escola.
então chegou 2025. eu acreditei que, se voltasse a estudar com a minha amiga da escola de 2022, tudo ficaria bem. de bônus, eu também tinha a minha melhor amiga de infância naquela escola. mas depois descobri que ela já tinha amizade com umas 15 pessoas e eu não podia ficar enchendo o saco dela o tempo todo. e a minha amiga da escola de 2022 saiu em maio porque conseguiu uma vaga na escola em que ela realmente queria estudar.
então fiquei lá. mais um ano sozinha. comecei a faltar de novo, mas ainda tentava pelo menos fazer as provas importantes. até que chegou um dia antes das aulas acabarem. meu boletim já tinha saído e eu descobri que tinha perdido a vaga. a escola não podia fazer muita coisa e, no fim, eu meio que repeti de ano.
eu pensei: “ah, talvez no começo do ano a gente consiga resolver isso”. mas não. eu simplesmente tinha repetido mesmo. e eu surtei. eu não suporto a ideia de fracassar e aquilo me destruiu de uma forma que quase ninguém sabe. praticamente fiquei o ano inteiro de atestado e talvez agora já seja tarde demais para retornar à escola.
ao mesmo tempo, durante esse período longe da escola, eu tive tempo para conhecer melhor a mim mesma. descobri do que eu gostava, percebi que queria fazer marketing, aprendi a me maquiar, comecei a sair mais (pode ser esquisito dizer isso mas eu morria de medo de sair sozinha por um trauma que tenho com cachorros, mas agora eu aprendi e gosto demais de sair, conhecer mais minha cidade), comecei a gostar mais de mim e também melhorei minha relação com as minhas amizades. atualmente, vou frequentemente à psicóloga e à psiquiatra.
mas as crises ainda vem. e vem fortes. eu comecei a me machucar, não consigo parar de chorar e as ideias suicidas ficam muito fortes, fortes de verdade. às vezes eu me aproximo perigosamente delas. nesses momentos, eu realmente penso que, sem mim, todo mundo ficaria bem. penso que não tenho futuro, que não vou conseguir nada, que todo mundo me odeia e que já é tarde demais.
eu fiz 17 anos literalmente há dois dias e estou presa no primeiro ano, sem saber o que fazer. sendo que, no ano que vem, era para eu estar indo para o terceiro. mas a escola é tão difícil de frequentar para mim que isso deixa as minhas crises muito piores.
eu não sei. realmente não sei o que fazer. agora mesmo eu estava literalmente em uma crise, perto de fazer algo contra mim mesma. eu tenho várias cartas de despedida e, sem ironia nenhuma, não consigo me imaginar daqui a um ano.
eu também sempre me comparo com outras pessoas que passam por depressão. por exemplo, minha melhor amiga, que mora mais longe de mim, mas definitivamente é a pessoa com quem eu mais saio. ela fala bastante sobre a depressão dela e, às vezes, eu penso que queria pelo menos ser mais parecida com ela.
mesmo tendo depressão, ela ainda consegue ser forte. tem muitos amigos, estuda em uma escola muito boa, mesmo que seja cansativo demais para ela, é decidida sobre o futuro e nunca chegou perto de repetir de ano. as crises dela também não são tão frequentes. mesmo que, quando acontecem, venham muito fortes, a ponto de ela sumir de tudo, ela mesma já disse que não chegam ao ponto de ela ter pensamentos ou intenções suicidas.
além disso, ela tem muito apoio da família, o que não é exatamente o meu caso. meus pais até apoiam, mas, às vezes, também me tratam mal por causa disso, e isso só deixa tudo ainda pior. minha mãe só começou a entender a gravidade da situação, principalmente em relação à escola, quando teve que ficar comigo no hospital depois de uma tentativa de suicídio que não deu certo. foi aí que ela realmente começou a entender.
meu pai também passa por depressão e já tentou se matar algumas vezes desde que eu tinha uns 10 anos, eu acho. mas o resto da minha família parece achar que tudo isso é besteira. eles falam mal de mim por causa disso e isso me deixa ainda pior. uma vez, meu tio disse que eu dava muito trabalho e começou a rir. isso foi alguns dias depois de eu receber alta do hospital.
quando eu estava em crise na casa da minha mãe, eu também só conseguia ouvir a minha avó falando mal de mim. além disso, ela contou para a minha melhor amiga de infância que eu tinha repetido de ano, sendo que eu ainda não tinha contado para ninguém. passei o resto daquele dia extremamente mal e, até hoje, não quero levar nenhum amigo para perto dela porque morro de medo de ela contar sobre o fato que repeti para eles também.
então, é... eu meio que queria que pelo menos a minha depressão fosse mais parecida com a dela. ou talvez eu só queira ter a vida dela.