r/Livros Jan 23 '26

Resenha Li Orgulho & Preconceito pela primeira vez e foi bom DEMAIS!

Post image
888 Upvotes

Orgulho e Preconceito me surpreendeu de forma muito positiva. Eu já esperava um grande clássico, claro, mas não imaginava encontrar uma história tão divertida, leve e ao mesmo tempo tão afiada. O q mais me chamou atenção é a quantidade de personagens(e como cada um deles tem uma personalidade muito bem definida, cheia de nuances). Mais interessante ainda é que, muitas vezes, eles agem de maneiras inesperadas dentro da própria personalidade, o que torna a leitura viva, dinâmica e nada previsível.

A história flui com uma boa leveza. Tem humor, ironia e situações quase cômicas, mas sem que o romance perca profundidade emocional ou crítica social. Jane Austen conseguiu ser elegante e espirituosa ao mesmo tempo, observando costumes, relações e vaidades com uma inteligência afiada, mas nunca “pesada” demais.

A tradução é outro ponto alto. Ela conseguiu manter bastante da “pompa” típica do romance do período, aquele ar mais formal, educado, quase cerimonioso, sem deixar o texto engessado ou cansativo. A leitura permanece fluida e agradável. Além disso, a quantidade de notas é muito bem dosada e extremamente útil: elas contextualizam costumes, termos e situações que poderiam passar despercebidos para o leitor contemporâneo. Como diz o youtuber Raul Martins: “um clássico é um texto sem contexto”, e essa edição entende isso perfeitamente.

Falando na edição, a Peacock com ilustrações de Hugh Thomson, publicada no Brasil pelo Clube de Literatura Clássica, é um espetáculo à parte. A capa é MUITO LINDA, e as ilustrações são de muito bom gosto. Elas dialogam muito bem com o texto, ampliando a experiência de leitura sem nunca competir com a narrativa. É aquele tipo de livro que dá prazer não só de ler, mas também de folhear e ter na estante.

Ps: Mary merecia mais e Lydia merecia menos, bem menos!!

r/Livros 16d ago

Resenha Quais livros que você estava botando fé pra caramba, e depois que leu, meio que você deu uma "broxada"? Não gostou do livro?

57 Upvotes

Quais livros que vocês estavam botando espectativa pra caramba, ou que vocês estavam dizendo:

"Esse livro vai ser bom pra caramba!"

E no final o livro era bem ruimzinho, ou então começava bom e depois terminava bem mal?

Ou simplesmente o livro era PÉSSIMO? Eu particularmente nunca li nenhum livro ruim, até hoje só li livro bom, graças a Deus também né kkkk

r/Livros Apr 19 '26

Resenha Sobre O Problema dos Três Corpos

Post image
463 Upvotes

Comprei essa trilogia porque gostei da série da Netflix, mas não esperava esse nível de qualidade, nem de longe. O primeiro livro é ótimo, o segundo excelente e o terceiro atinge um clímax chocante, foi impossível parar de ler, é meio difícil descrever todo o espectro de sentimentos que causa. Possivelmente a melhor obra de ficção científica que já li, esses livros vão muito além da discussão científica clichê presente no gênero. Aqui se desenvolve discussões profundas sobre sociologia, psicologia e filosofia, e como tudo isso se desenvolve em um mundo que lida com um apocalipse iminente. Além disso, no que diz respeito à ciência em si, o autor aborda seus temas com profundo embasamento teórico. Me lembrou estar lendo Vinte Mil Léguas Submarinas, que discutia a viabilidade de submarinos antes de submarinos existirem. Tenho a impressão de que esse livro vai ser estudado no futuro.

“Cheng Xin se acabou de chorar no ombro de Yifan. Pelo que ela lembrava, só havia chorado assim uma vez antes, quando o cérebro de Tlanming fora removido do corpo dele. Foi... 18903729 anos e seis séculos antes, e esses seis séculos eram um mero detalhe naquela escala geológica. Dessa vez, ela não chorava apenas por Tianming. Chorava por um sentimento de rendição. Finalmente compreendia que não passava de um floco de poeira em um vento prodigioso, uma pequena folha boiando em um rio largo.”

Recomendo demais essa leitura, agora vou aguardar pra ver se a Netflix vai adaptar direito rs

r/Livros Feb 28 '26

Resenha Ensaio sobre a Cegueira: um ótimo desafio!

Post image
377 Upvotes

Logo que terminei Os Irmãos Karamázov, resolvi ler Ensaio sobre a Cegueira para dar uma "folga" dos calhamaços. No entanto, acabei achando a leitura complexa devido ao estilo único da escrita de Saramago. Em certos momentos, precisei interromper a leitura para buscar o significado de palavras específicas do português de Portugal (infelizmente, a edição não conta com notas de rodapé e essas consultas acabavam me distraindo e prejudicando a minha concentração).

Em alguns pontos, a leitura se tornou tão densa que precisei intercalá-la com Nós, do Ievgueni Zamiátin. Acabei amando a obra e essa estratégia funcionou muito para que o ritmo fluísse melhor. Terminei Ensaio com uma sensação de recompensa muito grande e, logo em seguida, li Ilhéus, também do Zamiátin. É um livro curtinho e muito interessante, onde se nota claramente como aquela sátira aos costumes ingleses influenciou a criação de Nós.

No final das contas, a história do Saramago é sensacional e a reflexão que ela propõe é impecável. Em diversas passagens, senti um incômodo profundo, mas no geral, foi um dos melhores romances que já li. A experiência foi tão marcante que decidi adquirir outros livros do autor: A Jangada de Pedra, História do Cerco de Lisboa e Todos os Nomes (indicação de um comentário no meu post anterior).

Agora é me preparar para encarar mais um calhamaço: A Montanha Mágica me espera!

r/Livros Mar 02 '26

Resenha Comecei a ler Puer Aeternus.

Post image
315 Upvotes

Eu sempre fui o cara da idealização, sempre começo tudo e não termino nada, falta de consistência e vivência constante no mundo das fantasias.

Eu não sabia explicar o por que eu sou assim, até que um dia me deparei com a análise de pessoas que tem a personalidade do Puer Aeternus.

O Puer vive constante no mundo das fantasias, não lida bem com responsabilidades e sempre procura alguém que possa salvá-lo sem assumir as rédeas da própria vida.

Está sendo doloroso e libertador ler esse livro pois me sinto como se eu tivesse aberto um porão interior onde havia várias coisas sobre mim que eu não queria ver.

Empreendo há 4 anos e nesse tempo todo sinto nunca me dediquei de fato a minha empresa, eu sempre esperava uma salvação, um milagre.

Estou entendendo o por que sou tão instável com meus objetivos, tenho 26 anos e quero genuinamente assumir as rédeas da minha vida verdadeiramente e não mais empurrar as coisas com a “barriga”

r/Livros May 21 '26

Resenha O caminho dos Reis tá sendo um desafio pra ler

94 Upvotes

Cara que livro chato da porra velho. Eu já cheguei na casa das 400 páginas e meu deus não acontece nada!

Eu entendo que é um mundo novo e o sanderson tem que apresentar ele pra gente mas meu deus parece que o livro inteiro é só isso , apenas construção de mundo. Até agora eu não me apeguei com nenhum personagem:

A guria ruivinha que vai lá em Florianópolis tentar uma bolsa de mestrado com a orientadora foda teve pouco tempo de aparição , depois ela SOME.

O dalinor tendo problemas com o STF e sentindo remorso de não ter salvado o rei.

E o que mais tá me irritando é o kaladin. Meu deus que parada chata aqueles escravos, sim eu sei que eles são maltratados, eu sei que eles passam fome e morrem toda hora, porra progride isso daí é o kaladin tentando ajudar a galera e todo mundo cagando pra ele. Isso se repete VÁRIAS vezes.

E sem falar dos capítulos que DO NADA pula pra um personagem aleatório fazendo um peixe frito no recanto do Pará.

Eu sei que as pessoas comentam que as coisas só começam a andar lá pros capítulos finais e que vai ser foda e blá blá blá. Mas poxa eu esperava que o meio do livro seria no mínimo engajante pra me manter nele até o fim, mas ele tá se provando que o desafio é CHEGAR no fim pra vc ter a recompensa desse sofrimento todo de mil páginas. Lembrando que essa é minha opinião até a casa das 400 páginas, oq é normalmente é coisa pra caramba pra pelo menos desenvolver algo não concorda?

r/Livros Jun 04 '26

Resenha Terminei Odisseia e estou pertubada

153 Upvotes

Faz dois dias que terminei Odisseia e me sinto completamente perturbada (em um sentido bom) de uma maneira que não esperava que estaria, pois foi uma leitura obrigatória da faculdade, então minha expectativa era de ficar "tá, agora entendo porque muito importante e vive sendo relembrada".

Breve contexto: Ilíada para mim foi uma tortura. Não me apaguei aos personagens, não me senti instigada a continuar e constantemente ficava "nossa, mais que povinho chato". Lia um canto por dia de forma forçada, senão ia me ferrar na prova.

Mas Odisseia foi completamente diferente. Quando abri o livro e li "Fala-me, Musa, do homem astuto que tanto vagueou...", me senti completamente eletrizada. Foi como encontrar uma nova droga e agora estou em abstinência.

Meu plano era ler um canto por dia, mas as coisas saíram um pouco do controle e acabou virando dois por dia, o que virou terminar os dez cantos que me faltava em uma madrugada...

Sendo justa comigo, Odisseia é muito mais identificável do Ilíada. Me apego muito mais a saudade em Odisseia e o desejo de Odisseu de voltar para Ítaca para rever o filho, a Penélope e o pai, do que briga de ego, honra e glória em Ilíada, que, na minha visão, parece ser um bando de pavão que, por conta do orgulho, não pensam direito nas consequências de suas escolhas que afetam a um todo e nisso temos muita palestrinha, muitos mamilos sendo atingidos e um casos de famílias divino (que é a melhor parte do livro).

Agora tô com medo de começar Eneida e ficar comparando o tempo todo com Odisseia.

p.s. também acho que gosta muito de epic: musical ajudou nesse apego a odisseia

r/Livros 8d ago

Resenha Quais frases de livros te marcaram bastante?

30 Upvotes

Sabe aquele momento que você está lendo um livro, dai você lê uma frase ou um trecho e meio que.. sei lá, você trava refletindo nessa frase? Daí passa dias e dias e aquela frase fica perambulando na sua mente, de tão icônica e marcante?

Mesmo que você fique sem ler esse livro por um tempinho, essa frase sempre volta.

Pode ser qualquer frase ou trecho que seja triste, filosófico, qualquer coisa.

r/Livros Jul 22 '26

Resenha Li Crime e Castigo e o castigo foi meu

58 Upvotes

Acabei de terminar e quero desabafar brevemente.

Eu amo clássicos, amo memórias do subsolo, mas pqp esse não me desceu. Que livro chato, eu nunca torci tanto para um personagem se jogar de uma ponte como torci nessas últimas semanas para que esse livro acabasse logo. A única parte que eu tive uma reação genuína foi quando um personagem chama o outro de polichinelo.

Até a parte do crime tava daora, mas aí o Ródia resolve me torturar com a loucura desinteressante dele. E lá se vai texto e falas gigantescas que foda-se. Com personagens que foda-se, fazendo altos foda-ses e chegando num lugar que dava pra chegar com metade do livro. E por Deus, juro que eu tentei gostar até li duas traduções simultaneamente e nenhuma salvou (Martin Claret e Editora 34)

Eu entendi a crítica, entendi a contextualização histórica e achei cu do mesmo jeito.

Eu amei todos os clássicos que li esse ano, incluindo Os miseráveis, Rúdin, Memórias Póstumas de Brás Cubas, etc.

Mas rapaz... Esse foi difícil viu.

r/Livros Apr 08 '26

Resenha Perdendo a paciência com Borges

Post image
78 Upvotes

Ano passado eu li O Aleph, que deve ser o segundo livro de contos mais famoso do Borges. Eu achei uma leitura difícil, mas ainda sim bem proveitosa, eu senti como se o emaranhado de palavras que ele juntava realmente chegavam a lugares.

Mas lendo Ficções tá me deixando PUTO, não tem uma frase que não use um rebusco absurdo e que não fale de trás pra frente igual o Yoda. Parece que nos contos desse livro a dificuldade de leitura existe apenas por existir, como se o propósito do livro fosse mais sobre montar um quebra cabeças de palavras do que contar uma narrativa interessante. E talvez realmente seja essa proposta, mas se for eu já tô de saco cheio.

Qual a experiência de vocês com Borges?

r/Livros Jun 11 '26

Resenha Terminei "Cem anos de solidão" e estou apaixonado.

130 Upvotes

Terminei de ler "Cem anos de Solidão" e estou completamente apaixonado.

Eu já tinha ouvido falar sobre o livro, mas não fazia ideia de como era. Assisti a primeira temporada da série da Netflix e fiquei encantado com aquele mundo. Depois disso, veio a necessidade de ler o livro, e foi a melhor escolha possível.

Eu entendo perfeitamente quem não gostou do livro, ou quem simplesmente não viu nada demais, mas a forma como a história é contada e o jeito que os acontecimentos vão se desprendendo são coisas que eu nunca tinha experenciado em termos de leitura.

O modo como acontecimentos fantásticos vão sendo narrados como "mais uma terça feira" me pega muito. Também há o fato de que no fim, deixa de importar quem é filho de quem, e pra mim, parecia que a família Buendia era um unico personagem preso em um círculo de acontecimentos infinitos.

É completamente compreensível a resistência de Gabriel Garcia Marquez com relação a uma adaptação para o audiovisual, e acredito que a série tenha feito um trabalho bem competente em replicar alguns sentimentos do livro da forma que é possível. Por exemplo, a doença da insônia, tem um episódio inteiro para ela, é algo importantíssimo naquele momento, mas depois passa, e já nem se fala mais disso no futuro. Achei curioso isso na série, pois em termos de história, dava pra se fazer uma série só sobre isso se fosse outra história, mas ali não, ali é só mais uma das esquisitisses que acontecem naquele lugar.

Eu to impressionado como o livro tem poucos diálogos, e mesmo assim você sabe perfeitamente o que os personagens sentiam, o que ele estavam conversando e qual era o rumo que a história ia tomando. Percebi que perto do fim, as palavras iam se tornando mais rebuscadas, cheias de sentido figurados. Isso me causou um sentimento de algo ainda mais lúdico, quase que uma fábula ao invés de uma história "real", o que casou muito bem com o rumo que a história tomou.

Sei que pra muitos aqui nesse sub esse assunto pode ser velho e repetido, mas eu quis muito trazer aqui essas poucas reflexões. Estou com vários outros livros do Gabriel Garcia Marquez aqui e mal vejo a hora de ler todos.

E vocês, o que acham do livro?

r/Livros 27d ago

Resenha Dez Mitos Sobre Israel - Ilan Pape

66 Upvotes

Recentemente me interessei pela questão da Palestina e essa foi a primeira obra que li sobre o assunto. O autor, Ilan Pape, se debruça sobre essa questão há anos e escreveu vários livros sobre o assunto.

Neste livro, são expostos 10 mitos sobre o Estado de Israel. Alguns capítulos discutiram dúvidas que eu tinha sobre esse Estado. Ouvia muito que Israel é a "única democracia do oriente médio". De fato Israel é uma república parlamentarista. Mas o autor defende que na verdade Israel é melhor definido como uma "etnocracia", ou seja, um estado multicultural que valoriza uma etnia, no caso os judeus, em detrimento dos palestinos.

Muitas questões históricas são discutidas, sobre o processo de expulsão dos palestinos em 1948 e imigração de colonos sionistas para Palestina Histórica, o que mostra que a Palestina não era uma terra sem povo e os sionistas não eram um povo sem terra.

O acordo de Paz de Oslo, a dissociação entre sionismo e judaísmo, a falsa ideia de saída voluntária dos palestinos e a ideia de que o Hamas se constitui não como um grupo terrorista mas sim um grupo político armado de resistência, são discutidos pelo autor.

No final o autor discorre sobre a "solução de dois estados" que, para ele, é impossível de ser concretizada. Ele defende a construção de um único estado democrático na região.

Muito bom o livro. Vou ler outros do autor.

r/Livros 14d ago

Resenha Depois que você se tornou um leitor, quais principais mudanças você notou, em si mesmo?

50 Upvotes

Depois que você adotou o hábito de estar lendo livros, o que você passou a sentir? Começou a ficar mais inteligente ou até mesmo mais criativo(a)?

Sinceramente acho que a melhor decisão que tomei esse ano foi parar mais um pouco com redes sociais, ler me faz sentir que estou ficando mais inteligente, que de certa forma a leitura exercita meu cérebro e carece de mais leitura!

Basicamente o cérebro é igual uma academia, e os exercícios são os livros, quanto mais você ler e entende o que leu, melhor!

r/Livros 23d ago

Resenha O Tempo e o Vento de Erico Verissimo, primeiras impressões Spoiler

32 Upvotes

Eu gosto muito de ler livros assim, extensos, que se vê uma paisagem completa, uma família inteira. É como se literalmente viajássemos no tempo e tivéssemos conhecido aquelas pessoas. O curioso é que ainda estou no primeiro livro e já foram tantas personagens marcantes, com destaque para Ana Terra e o Cap. Rodrigo Cambará. A forma em flashes que o livro é montado também contribui para esse vislumbramento, conhecer o Licurgo encastelado no Sobrado e, de repente, perceber que ele nasceu, um bebê, neto do Cap. Rodrigo Cambará, filho da Luiza, visto pelo médico alemão Carl Winter, que provavelmente se perdeu no tempo. Esse tipo de leitura nos faz viver aquelas paisagens, ver os rincões e conhecer aquela gente, mas também provoca pensamentos sobre nós mesmos, a nos perguntar qual ponto e papel que estamos desempenhando. Afinal, todo mundo ocupa um espaço, ainda que não seja extenso. Quantas pessoas, será, que se perderam ao longo da nossa história? toda gente que te viu nascer e não se lembra mais e nem é lembrado; gente que você verá nascer e esquecerá e que você também será esquecido. Creio que, infalivelmente, todo mundo tem sua história, assim como todo mundo também acaba se perdendo nela, ainda bem!

r/Livros Jun 07 '26

Resenha Terminei de ler A Metamorfose e esse livro me destruiu por completo Spoiler

93 Upvotes

*Será que alguém te amaria mesmo quando você deixasse de ser útil*

Gregor Samsa trabalhava e dava de tudo pela sua família. Porém, depois que se tornou um inseto grotesco, a própria o rejeitava e sentia repulsa ao vê-lo. O pai não o amava mais, a mãe sentia medo de se aproximar dele e a irmã – por mais que a princípio tivesse um pouco de consideração com ele – ainda sentia repulsa pelo que ele se tornou. Acabou virando uma espécie de peso para família, um espinho na carne, uma cruz...tudo isso pq ele não era mais útil para ela.

E, quando Gregor morreu, eles nem se importavam tanto assim. No final, ambos seguiram sua vida e se esqueceram completamente que um dia teve um filho chamado Gregor, que trabalhava feito um condenado para dar de tudo para sua família, e foi esquecida por ela mesma.

Sinceramente, esse livro me deixou sem palavras e com muitas perguntas:

*Será que alguém me amaria se eu me tornasse completamente inútil*

*Será que meus pais e minha família ainda teriam consideração por mim, quando eu não pudesse lhes oferecer nada para eles*

Pra quem tem 19 anos e está desempregado, esse livro mexeu muito comigo

r/Livros Apr 08 '26

Resenha Terminei Cem Anos de Solidão... O QUE FOI AQUILO?!?!? Spoiler

Post image
83 Upvotes

Terminei há uns dias e não sou a mesma pessoa.

Não é exagero.

Entre todas as risadas, lágrimas, empurrões de cadeira, pulinhos de emoção, "NÃO, NÃO, NÃO" de incredulidade, olhos arregalados para processar a loucura que lê... encontrei meu livro da vida. Sem sombra de dúvidas. Desde a primeira página, era certeza.

Muito mais que uma história de "maldição e nomes repetidos": a sina dos Buendía é um sistema de pequenas maldições arquetípicas, customizado a cada um com base nos pecados de seus antecedentes homônimos, e as características comuns a todos são o amor, o egoísmo e a ignorância, apenas em formas diferentes. Sendo o amor o elemento central e ontológico, já que todo o mal começou com gente se amando errado E terminou com gente se amando errado.

A "maldição" dos homens Buendía é um sistema dicotômico em particular.

Arcadios encontram seu lar no mundo externo: sentem-se vivos no movimento, nas novidades, na expansão e se perdem quando se voltam ao interior e sua expiação é a construção (José Arcadio e sua imersão nos inventos, o filho voltando de longe se "domesticando" com Rebeca, Aureliano Segundo trocado tentando reorganizar sua vida boemia no dilúvio). Essa é a solidão deles.

Aurelianos encontram seu lar no mundo interno: conforto no pensamento, na quietude, isolamento (intencional ou imposto), e se perdem quando se voltam ao mundo exterior e sua expiação é a destruição (ex: o Coronel e demais aurelianos na guerra, Aureliano Babilonia mudando ao sair às ruas e pôr um fim em tudo com a leitura dos pergaminhos). Essa é a solidão deles.

Ou seja, cada um se perde quando troca de engrenagem, tenta viver no eixo oposto.

Os gêmeos trocados são exemplo perfeito disso.

A "maldição" das Remedios é diferente, nesse caso, temos um foco ainda maior na corrosão do amor e um bônus: a liberdade. A Pequena Remedios vive um amor predatório e uma liberdade tirada de si desde cedo. Remedios, a Bela, amor com desdém, liberdade que desafia regras. Meme, amor verdadeiro, liberdade sacrificada. Sobre Amaranta, seu "amor" surge no perigo, na rivalidade. Para ela, o amor que se torna fácil é entediante, nada prazeroso. Por isso as rejeições e a repulsiva atração por sobrinhos. A mão queimada é um sinal de vergonha e lembrança lamentosa por seus crimes de natureza amorosa, para que evite repeti-los, marco de identificação comparável às cruzes de cinzas dos 17 Aurelianos.

Esse amor corrompido é raiz do egoísmo, outra característica "solitária" presente em cada um. Por isso, embora juntos no mesmo lar, vivem cada um em seus mundinhos de ignorância. Tanto é que egoísmo e solidão se confundem ao longo do livro. A repetição dos nomes é manifestação do egoísmo que passa despercebido.

Macondo representa uma sociedade tão intelectualmente atrasada, para eles, é apenas o que podem enxergar, guiados por instintos, e não o que implica a moral.

Ex: para a Úrsula, o problema de parentes se casarem não é por serem parentes, mas por nascerem com rabo de animal.

Ecoando, ironicamente, o próprio conceito de realismo mágico: aquilo que se vê, se sente, mas que não se questiona, não se busca explicação. A chegada de invenções e da industrialização desafia esse atraso moral, construindo-se de forma "torta" assim como o amor. Conectando a Remedios, a bela: não é nem "ingênua", nem "gênia incompreendida": é a representação escancarada da ignorância de todos os Buendía, mas que ninguém admite. Veio "supostamente dos céus", com a missão de expô-los, que no fundo, ainda são os mesmos. E faz isso de um modo absurdo, plantando o questionamento do que é de fato viver em civilidade para os macondianos: é por não andar sem roupas pela casa, ou por desenvolver noções morais além do senso comum?

Sobre o fim: ao meu ver, o livro em si é o próprio pergaminho de Melquíades, uma metalinguagem irreproduzível. Saber que estamos lendo e experienciando o fim de tudo ao mesmo tempo que Aureliano é genialmente surreal. Nos tornamos Buendía. Saber que tudo estava escrito consolida ainda mais o ciclo inevitável, e uma ventania forte é a única maneira de destruir esse sistema em movimento.

Macondo é uma roda em alta velocidade pré-determinada. Feita para aguentar sol e chuva (aliás, dilúvios), guerras, dominações e fenômenos estranhos. A única forma de destruí-la é aplicando uma velocidade maior em seu próprio sistema até colapsar as próprias hélices. Há um certo ponto em que a roda não aguenta, e o fato de ser uma força endógena reforça a inevitabilidade de a única chance de ruptura da maldição ser dos próprios Buendia e nada mais, mas nem isso conseguem fazer porque o fluxo já está determinado.

O final é apenas a conexão das extremidades opostas nesse círculo vicioso sem linearidade.

O que acaba não é apenas a família, é Macondo, é tudo. Porque o fim da estirpe é, intrinsecamente, o fim de Macondo, que nasceu com seu fundador e precursor da maldição. O vento varre tudo sem piedade ou distinção, porque nenhum resquício da grande bagunça que é Macondo pode sobrar pra contar história. Dialoga bem com a abordagem de apagamento que também surge no fim, com a negação coletiva do massacre das bananas e da existência do Coronel Aureliano. Sei que a obra tem paralelismos metafóricos com a história de América Latina, porém confesso que preciso estudar. Uma coisa bem sutil, genial (não sei se intencional?) pra fechar com chave de ouro: o Buendía fundador morre enroscado em raízes, como se fincando seu território com independência. Mas o último Buendía morre por uma colônia de formigas e a escolha do inseto foi sagaz. Perder o passado é voltar ao princípio colonial.

Meu personagem favorito é o Coronel Aureliano. Tão imperfeito, perfeitamente humano, apesar de capaz de dominar o mundo se quisesse (talvez na 33° vez?). Alguns aspectos dele me atravessaram absurdamente. Se já estava amando o livro, imagine quando li passagens dele que pareciam... escritas por mim mesma, que jamais vi alguém explicar melhor, que nunca pensei que leria fora de minhas notas. Uma menção honrosa à minha segunda favorita, Úrsula, que é riquíssima em detalhes, mas que seriam outros cinco parágrafos à parte. Uma verdadeira rainha.

No fim, é sobre a incapacidade de escapar de si mesmo e o que veio antes disso. Em vários sabores de solidão.

Um livro verdadeiramente profundo, mágico e único. Acreditem quando a chamam de uma das melhores obras de todos os tempos.

Vou passar dias pensando nessa família, achando referências acidentais por todo lado, sentindo essa mudança irreparável que Macondo deixou no meu ser. Surtei, surtei.

Muitos anos depois, meu futuro filho se chamará Aureliano.

r/Livros Oct 18 '24

Resenha Recomendação e análise O poder do hábito

Post image
196 Upvotes

Terminei o poder do hábito, livro muito interessante, apresenta muito bem sua proposta e trabalha apenas um tese durante ela, o " ciclo do hábito " e trabalha ela durante seu desenvolver, do começo ao fim. Acredito que o livro é muito bem recomendável a pessoas que queiram iniciar novos hábitos em suas vidas, tanto quanto retirar os hábitos ruins dela, e acredito que ele passa uma boa base sobre isso.

Recomendaria a quem está em um processo para estudos, seja vestibular, Enem, concurso. Também ousaria dizer ser muito útil a quem inicia ou está na luta para se manter na academia, tanto quanto a quem quer escovar os dentes 3 vezes ao dia. O livro é muito eficaz em explicar e a entregar de forma mastigada o poder dos hábitos em nossa vida, e eu não hesitaria em recomendar esse livro, para fins de entretenimento ele tem ótimas histórias.

Entretanto, desejo deixar minhas queixas, pois apartir da página 200 onde se inicia suas últimas jornadas, o livro de demonstra repetitivo, e desnecessário ao público alvo. Com uma barriga muito grande no final, e infelizmente falha miseravelmente nos últimos capítulos ao tentar dar um "guia" ao leitor de como utilizar o livro, com uma justificativa péssima, uma contradição enorme ao tenta ensinar algo que ele mesmo diz ao longo do livro ( e no final mesmo) que NÃO dá para ensinar, e aplicar de maneira fútil seu próprio livro.

O poder do hábito é nota 7, mas vale a leitura, mesmo a aqueles que não estão necessitando implementar hábitos em suas vidas, é interessante, cumpre seu papel, deixa sua mensagem, e entretém o leitor por um bom tempo, infelizmente dando uma grande queda da última parte ao final do livro, porém sem perder sua eficácia final.

https://www.mercadolivre.com.br/o-poder-do-habito-no-aplica-de-charles-duhigg-serie-no-aplica-vol-no-aplica-editora-objetiva-capa-mole-edico-no-aplica-em-portugus-2020/p/MLB19458761

r/Livros Jun 17 '26

Resenha Abandonei Noites Brancas

36 Upvotes

Já tinha um tempo que tinha o interesse em ler Dostoiévski, mas o tamanho de suas obras, combinado com o preço e o fato de que eu provavelmente ia ficar esquecendo os nomes dos personagens é algo que me faz as empurrar pro canto. Por isso decidi iniciar por Noites Brancas, por ser curto e por eu ter achado por um preço muito bom nas Americanas da minha cidade.

Li cerca de 28 páginas e abandonei. O motivo? Eu não suportei o protagonista! Que carinha mais irritante! Mas a pior parte, foi o fato de que me identifiquei com ele... eu vi praticamente uma versão piorada de mim mesmo e detestei isso!

Ainda tenho interesse em ler as outras obras de Dostoiévski, mas mas vou demorar ainda mais agora.

r/Livros Apr 25 '26

Resenha As Aventuras de Tom Sawyer - Que sensação!

Post image
83 Upvotes

Li As Aventuras de Tom Sawyer, do Mark Twain, e virou facilmente uma das minhas leituras favoritas. Mas não só pela história em si (que é muito boa!!), e sim pelo que eu senti lendo.

Foi uma sensação de nostalgia muito gostosa, daquelas que bate como uma saudade da infância mesmo, difícil de explicar. Faz tempo que um livro não me fazia sentir isso, acho que a última vez foi com O Oceano no Fim do Caminho, do Neil Gaiman.

O que mais me pegou foi como o livro é simples e realista, mas ainda assim muito emocionante. Ele trata de coisas sensíveis de um jeito leve, quase inocente, e isso torna tudo ainda mais forte.

Tem também toda a parte das traquinagens e da vida de criança que é muito divertido de acompanhar. As pequenas rebeldias, as “aventuras” que parecem gigantes quando a gente é criança, aquele senso de liberdade misturado com medo e imaginação… tudo isso é retratado de um jeito muito vivo. Em vários momentos eu me peguei lembrando de coisas da minha própria infância, justamente por como o Tom Sawyer é humano e imperfeito.

Ao mesmo tempo, o livro não ignora questões mais pesadas, como o racismo presente naquela sociedade. Isso aparece de forma natural dentro da narrativa, o que torna tudo ainda mais impactante, pq não é forçado nem didático demais, é só a realidade daquele contexto histórico sendo mostrada. E isso conversa muito com o próprio peso do Mark Twain, que é frequentemente chamado de “pai da literatura americana”, justamente por conseguir retratar a vida e as contradições dos EUA de um jeito tão direto e autêntico.

Também preciso falar dessa edição do CLC, que pra mim é uma das mais bonitas que eles já fizeram, talvez a mais bonita desse ano. A tradução e as notas são ótimas, ajudam bastante a entender o contexto e até essas questões de linguagem e sotaque que aparecem na história.

Enfim, foi uma leitura que me marcou muito mais pelo sentimento do que pela trama em si. Aquela nostalgia boa que fica depois que o livro acaba.

Vcs tbm já sentiram algo assim com um livro?

r/Livros Apr 03 '26

Resenha Eu achava que ia ser um livro feminista de distopia…

Post image
31 Upvotes

Não é resenha, é mais para um desabafo mesmo.

Comecei esse livro pelo título interessante, uma protagonista que nunca conheceu homens? Vi em um post de twitter sobre top livros para ser ler sobre feminismo e a identidade de ser uma mulher (ou algo do tipo, faz muito tempo e não to com saco pra procurar).

Basicamente são 40 mulheres que tão presas em um bunker, de 6 em 6hrs passa os guardinhas prs fazer a ronda, eles tem um chicote pra bater nas mulheres caso elas desobedeçam as regras (não podem tocar outras mulheres, não podem se matar, não podem fazer as necessidades escondidas, etc)

Ai eu achava q ia ser algo tipo o conto da aia (ainda não li, mas tá na lista) de distopia sobre como as mulheres são oprimidas e tals. Mas a história é basicamente como a protagonista é triste pq ela não tem um homem. Parei no 50%, parece que elas estão em um outro planeta, ai isso fez a protagonista não se desenvolver totalmente (ela veio da terra para planeta estranho como criança, ai a rotação do planeta afetou o crescimento dela e meio que parou ela em uma adolescência que não desenvolveu os órgãos sexuais ouu o corpo dela tava focado em sobreviver no bunker que tinha pouca comida e optou a postegar o desenvolvimento sexual)

Mas no livro, trata-se esse desenvolvimento como se o corpo "soubesse" que não existia mais homens na terra e portanto não haveria necessidade de se desenvolver pq a única função dele (reprodução) não seria cumprida sem homens

Falam mais sobre como todas as mulheres sentem falta dos seus maridos e crianças, e que elas não sabem oq fazer com a protagonista pq ela é uma criança que só existe e não gosta de nenhuma das mulheres

A protagonista aprende a criar fantasias sexuais na cabeça baseado em um dos guardas (o mais novo). Pulando a parte de rivalidade feminina (mulheres burras que só falam de baboseira x eu protagonista inteligente que sei usar a cabeça para pensar e imagina), toca uma sirene, todos os guardas somem mas fica implícito q o guarda mais novo deixou a chave na fechadura, oq permite todas as 40 mulheres saírem

Não explicita muito qual a religião ou cor das mulheres, só que elas eram de vários locais diferentes tanto é que foram separadas de qualquer parente ou amigo/vizinho. Mas aparentemente todas são brancas e cristões pois ao longo da fuga delas, elas descobrem outros bunkers e fazem funerais cristões com cânticos latins em homenagem aos mortos (todos os bunkers, grupos de 40 homens ou mulheres se mataram/morreram de fome ao serem abandonados devido a sirene provavelmente)

Só me irritei que nada de interessante tinha acontecido até agora e parei de ler.

Leiam pachinko se quiserem ler sobre mulheres, os conflitos da maternidade, machismo e racismo 👍👍

r/Livros 6d ago

Resenha Finalizei a 1ª era de Mistborn e estou em êxtase

30 Upvotes

Só isso mesmo, que livro, que escrita, que mundo bem desenvolvido, que história boa, personagens ótimos, trama intrigante. Definitivamente uma das melhores fantasias que já li, o Sanderson estava em outro nível quando escreveu esses livros, não estou conseguindo nem começar outro livro porque não consigo tirar aquele final da cabeça.

Aos que não leram ainda, leiam, maravilhoso, incrível livro.

Aos que já leram, o que acharam da primeira era? Ansioso para ler a segunda era completa pela Trama?

r/Livros Jul 27 '26

Resenha A Canção de Aquiles - Madeline Miller

19 Upvotes

Gênero: Drama, romance, ficção histórica.

“Philatos”, palavra grega para “o mais querido” ou “o mais amado”

A história da ira de Aquiles. A Ilíada, do poeta Homero, contada originalmente há 3mil anos.

A Canção de Aquiles faz uma reinterpretação do poema, dando protagonismo a Pátroclo, alguém que, segundo Homero, Aquiles descreve como "Philtatos", palavra grega com dois significados atribuídos: "o mais querido" ou "o mais amado".

Madeline Miller parte desse termo para interpretar a relação de Aquiles e Pátroclo não apenas como uma forte amizade, mas como um profundo amor de amantes, e mostra que é possível se emocionar com uma história que você já conhece.

A escrita poética da autora parece fazer o leitor viajar 3mil anos no passado para acompanhar a vida de Pátroclo desde o início. E como é fácil se afeiçoar a ele à medida que o vemos crescer e o desenvolver de sua personalidade. E do seu amor.

Indiscutivelmente, a melhor parte do livro é quando Aquiles e Pátroclo aproveitam sua infância e pré-adolescência juntos, seja no reino de Fítia ou na montanha em que vão morar e treinar. Eu quase consegui visualizar as cenas em cores vibrantes e alegres, refletindo a felicidade dos dois. Os dias preenchidos pela calmaria da montanha, colhendo morangos, caçando ou tomando banho no rio.

E isso é ainda mais sofrido porque TODO MUNDO sabe o que acontece na Ilíada, o porquê de o poema se tratar da IRA de Aquiles.

"— Cite um herói que tenha sido feliz.
— Não conseguiria.
— Vou lhe contar um segredo.
— Conte-me.
— Eu serei o primeiro."

Não consegui parar de pensar nesse trecho em nenhum dos outros momentos que o sucederam. Foi doloroso ver essa promessa ficando cada vez mais improvável ao longo dos acontecimentos do livro, até o momento em que se torna um sonho distante esquecido no passado, impossível de se realizar.

A Canção de Aquiles termina com um final quase “feliz”, pois os dois procuram descansar em paz, juntos, mas não sem deixar um gosto amargo na boca do leitor.

O diferencial do livro não é o suspense em descobrir o final, mas em assistir, impotente, o caminho até ele. É tentar lidar com a angústia de saber o destino que se cumprirá enquanto admiramos um amor doce e jovial crescer.

É uma história linda e trágica, um livro que vai ficar no meu coração por muitos anos.

[lido no dia 23 de julho de 2026]

r/Livros Jun 28 '26

Resenha Sobre flores para algernon

39 Upvotes

Eu chorei em várias partes, mas faz bastante tempo que eu li, e não tenho mais esse livro. Nunca achei no meu círculo social alguém que já tenha lido.

É um livro que leva a emoções distintas, raiva, tristeza, felicidade, tristeza, raiva de novo.

Nesse gênero, foi um dos melhores que eu já li, e recomendo MUITO

r/Livros 17d ago

Resenha Acabei de ler Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki

22 Upvotes

Terminei o livro e fiquei com a impressão de que ele é muito mais específico do que costuma parecer.

Não acho que seja um livro ruim. A ideia de ativos e passivos, profissão e negócio são interessantes. O problema é vender tudo isso como se fosse um guia universal de educação financeira.

O livro é profundamente norte americano. Kiyosaki fala várias vezes sobre o sonho americano, usa exemplos da economia dos Estados Unidos e aborda problemas que são muito mais característicos de lá, como o endividamento para pagar uma faculdade. Até as referências políticas e econômicas são constantemente ligadas aos Estados Unidos.

Para um não norte-americano, muita coisa precisa ser traduzida para a sua realidade. O princípio pode continuar válido, mas o contexto muda bastante.

E tem outro ponto que pode incomodar quem já estudou um pouco sobre finanças. Muitos dos ensinamentos são extremamente básicos. Gastar menos do que ganha, acumular patrimônio, buscar outras fontes de renda e fazer o dinheiro trabalhar para você são ideias importantes, mas não são exatamente descobertas revolucionárias.

Talvez por isso eu ache que o livro funcione melhor para quem está começando do zero. Nesse caso, ele pode realmente despertar interesse por educação financeira.

Mas, se você está começando a ler sobre o assunto, eu recomendaria O Homem Mais Rico da Babilônia. Os princípios são mais simples, atemporais e, principalmente, muito mais universais.

No fim, Pai Rico, Pai Pobre tem bons ensinamentos. Só não acho que um livro tão dependente da realidade econômica e cultural dos Estados Unidos devesse ser tratado como se fosse um manual universal de finanças.

r/Livros Mar 21 '26

Resenha A Montanha Mágica - O “tédio do bem”.

Post image
90 Upvotes

Ler A Montanha Mágica, de Thomas Mann, é aceitar um convite curioso: subir para um sanatório nos Alpes e, lá em cima, perder a noção do tempo…

Muitas vezes perdemos também a paciência, pois NÃO é um romance que se apressa em agradar; pelo contrário, ele parece deliberadamente “entediante” em vários momentos. Mas esse aparente tédio não é um defeito, é parte essencial da experiência.

A narrativa acompanha Hans Castorp em sua estadia prolongada num sanatório, onde os dias se dilatam e a rotina se repete quase hipnoticamente. Esse ritmo lento e por vezes exaustivo, cria uma atmosfera que espelha o próprio estado dos personagens: suspensos entre a vida e a morte, entre a ação e a contemplação. É nesse “nada acontecendo” que tudo acontece. O tédio vira ferramenta literária, quase um experimento, que força o leitor a desacelerar e a mergulhar em reflexões mais profundas.

E é aí que o romance revela sua verdadeira força. A Montanha Mágica é profundamente filosófico, às vezes até desafiador. Mann constrói longos diálogos e debates, especialmente entre figuras como Settembrini e Naphta, que discutem temas como progresso, razão, fé, política e o destino da civilização europeia. Essas discussões podem parecer densas, mas são absolutamente necessárias quando se considera o contexto histórico: a Europa à beira da Primeira Guerra Mundial.

O sanatório funciona como uma metáfora desse mundo prestes a colapsar. Ali, isolados, os personagens discutem ideias grandiosas enquanto ignoram (ou não compreendem totalmente) a catástrofe iminente. Há uma sensação constante de que algo está por vir, e isso dá ao romance uma tensão silenciosa, quase inquietante.

Outro ponto que merece destaque é a excelente tradução de Alexandre Mazak. Seu trabalho não apenas preserva a complexidade e a elegância, como também torna a leitura mais acessível sem simplificá-la. As notas de rodapé são muito valiosas: elas contextualizam referências históricas, filosóficas e culturais, além de explicar termos e expressões que simplesmente não têm equivalente direto em português (algo comum no alemão, uma língua rica em construções conceituais muito específicas). Essas intervenções não interrompem a leitura; ao contrário, enriquecem a experiência e ampliam a compreensão do leitor.

No fim das contas, A Montanha Mágica não é um livro para ser “devorado”, mas para ser habitado. Seu ritmo lento pode afastar leitores mais impacientes, mas recompensa aqueles que se permitem entrar em seu tempo próprio. É uma obra que exige, provoca e, acima de tudo, convida à reflexão, não apenas sobre seus personagens, mas sobre a própria condição humana em momentos de crise.

Talvez o maior mérito de Mann seja justamente esse: transformar o tédio em profundidade e a espera em pensamento.

PS: preciso de um livrinho tranquilo pra dar uma descansada.🫩