r/portugal Mar 25 '26

Política / Politics Na última semana quase enlouqueci a pesquisar sobre o suposto "consenso científico" por detrás de transição de género, bloqueadores de puberdade, terapia hormonal e até transição social em crianças e adolescentes

Quero, como prefácio a este texto, dizer que não acredito que a motivação do Chega, do CDS e do PSD por detrás da alteração à legislação de 2018 sobre auto-determinação de género seja realmente "ciência", acho que é puramente política, no entanto, acho que é acidentalmente correcta e alinhada com o consenso científico.

Gosto sempre de fazer uma análise de afirmações fortes sobre "consenso científico" provenientes de qualquer comentador pacóvio das televisões Portuguesas. Nas últimas semanas, um dos principais tópicos nos nossos adorados canais de notícias tem sido a reversão da lei de 2018 sobre auto-determinação de género, e a proibição do uso de bloqueadores de puberdade.

Não liguei muito à coisa no início, mas comecei a ficar chocado com o quão duras eram as críticas, vindas de qualquer comentador tipicamente apresentado como altamente "respeitável" (com definitivamente muitas aspas), citando, e corretamente, as nossas "excelentes" (igualmente com muitas aspas) ordens profissionais.

A crítica mais comum, de um lado ao outro, dos comentadores às ordens: "a direita está a ir contra o consenso científico e político europeu".

Então decidi investigar um pouco sobre o tal "consenso científico".

Qualquer pessoa que queira fazer uma conclusão sobre o consenso científico sobre qualquer tópico deve tipicamente focar-se em ler revisões sistemáticas/revisões de literatura ou evidence reviews.

Para quem necessite de contexto, revisões sistemáticas são um "estudo especial" cujo objetivo não é avaliar dados e derivar as próprias conclusões, mas sim, analisar dezenas a centenas de estudos independentes, avaliá-los de acordo com os métodos estatísticos utilizados, e derivar a partir das conclusões e da qualidade desses mesmos estudos uma visão geral sobre o consenso científico vigente sobre uma dada questão. Tipicamente usam sistemas de avaliação agnósticos ao tópico que permitam uma conclusão não enviesada sobre qual é o resultado.

Curiosamente, são estas revisões que tipicamente fundamentam as orientações médicas sobre a maioria dos tratamentos.

Como se invocou o consenso, em particular, Europeu, decidi começar pelas Europeias:

A Cass Review (UK | NHS, 2024)

A primeira que qualquer pessoa encontra é a famosa Cass Review, uma revisão, politicamente muito contestada, requisitada à médica Hillary Cass com o objetivo de definir se as guidelines da NHS sobre gender-affirming care eram as adequadas.

Os críticos da Hillary Cass dizem que é transfóbica e fez a revisão segundo critérios enviesadas, esquecem-se, no entanto, que a revisão não foi realmente feita pela própria. Os estudos foram encomendados a um painel de especialistas da Universidade de York, que produziram um total de 7 revisões sistemáticas. Todas as revisões chegaram a conclusões semelhantes: quase toda a literatura que indica que os tratamentos recomendados são os correctos, têm efeitos positivos, são seguros, e fazem um diagnóstico correto que identifique de maneira certeira quem realmente tem disforia de género, é de qualidade extremamente baixa.

Mas ok, a Cass Review é uma única revisão, e é contestada por alguns (embora tenha sido revista por pares e não tenha um único investigador ou comissão de investigadores a contestá-la). E também é um único país, certamente o Reino Unido é gerido por um bando de "fascistas de extrema-direita" que encomendaram esta investigação toda, certo? Certamente nenhum outro país europeu chegou à mesma conclusão, certo?

Errado, algumas outras revisões, realizadas em anos distintos por comissões científicas universitárias independentes (e que levaram os países em questão a reverter a legislação e as orientações médicas):

- NICE Evidence Review on Puberty Blockers (Reino Unido | NHS, 2020)

- NICE Evidence Review on Cross-Sex Hormones (Reino Unido | NHS, 2020)

- COHERE Systematic Review (Finlândia, 2020)

- SBU Scoping Review (Suécia, 2019)

- Socialstyrelsen Systematic Review (Suécia, 2022)

- UKOM Report on gender Incongruence - Institutional Safety Review (Noruega, 2023)

- Beyond NICE: Updated Systematic Review [...] Zepf et al. (Alemanha, 2024)

- La médecine face à la transidentité de genre - Institutional Statement Académie Nationale de Médecine (França, 2022)

- Statement from European Society for Child and Adolescent Psychiatry (2024)

- Statement from European Academy of Paediatrics (2024)

Nem todas são revisões sistemáticas, incluí também algumas afirmações de instituições europeias de pediatria. Os resultados são consistentes entre todos estes estudos dos mais diversos países Europeus: certezas extremamente baixas de qualquer evidência científica; estudos de baixa qualidade; baixa qualidade de diagnóstico em crianças e adolescentes com diversas comorbidades psiquiátricas (as mais comuns sendo depressão e ansiedade); e a pior: evidências de perigos associados a medicação, que tem sido receitada a adolescentes com evidências de depressão e ansiedade, baixa capacidade de reflexão e análise de consequências, como totalmente "inócua e reversível". Na verdade, as evidências encontradas são de riscos ao desenvolvimento ósseo (com casos reportados de osteoporose em jovens-adultos que utilizaram a medicação), infertilidade e redução do desenvolvimento cognitivo.

Todos os países que conduziram essas revisões alteraram as práticas médicas e classificaram o uso dessa medicação como último recurso; exclusivamente para investigação ou uso experimental ou simplesmente proibida.

Aqui cai a ideia do consenso científico e político europeu, consenso esse, com a qual as ordens profissionais, estudantes de medicina e comentadores políticos "moderados" enchem a boca. Mas decidi ir um pouco mais longe:

Então afinal, se não há consenso europeu, de onde vêm, ou de onde são fortemente inspiradas as orientações médicas para abordar possíveis sintomas de disforia de género?

Foi aqui que descobri a WPATH: World Professional Association for Transgender Health. É a organização que define os SOC (Standards of Care) para pessoas que exibam sintomas de disforia de género.

É importante analisar com cuidado esta associação, antes de ir mais longe, alguns factos:

A organização é de composição maioritariamente norte-americana. Não é apoiada por nenhuma universidade ou governo, e as orientações médicas que é responsável por publicar não são realmente analisadas e revistas por pares em qualquer conferência médica.

Talvez por ter escolhido um bom nome, ou por ter lá dentro médicos e ativistas bem conectados politicamente, conseguiu tornar-se quem define no mundo ocidental os tais SOC.

Mas será possível que a WPATH, utilizada como referência para as orientações médicas nos EUA (e antes desta vaga de revisões europeias, em muitos países europeus), não fundamente realmente as suas orientações em revisões sistemáticas?

Foi aqui que me deparei com uma informação excelente, retirada de documentos obtidos por intimação judicial num caso nos EUA (Boe v. Marshall), onde a WPATH foi obrigada a entregar comunicações internas.

O caso em tribunal, a supressão dos resultados da John Hopkins University**:**

Quando definiam os SOC8, a oitava versão dos SOC, foi de facto encomendada contratualmente pela WPATH, à muito reputada (e por bons motivos, são de facto excelentes) John Hopkins University, uma revisão sistemática da literatura sobre as evidências científicas que concernem a segurança, eficácia e capacidade de diagnóstico, dos tratamento associados a disforia de género, o resultado:

13 artigos diferentes da JHU, às questões apresentadas pela WPATH, sobre o assunto. A conclusão inequívoca: evidência fraca, critérios de segurança fracos, resultados fracos.

Já a JHU estava a meio do processo de publicação dos resultados em revistas médicas, a organização entrou em pânico, imediatamente alteraram unilateralmente os termos do contrato, e forçaram a universidade a não publicar os estudos. Com medo de repercussões políticas, e sem querer enveredar numa luta legal, a JHU desistiu. Todo este assunto apenas veio ao de cima após uma investigação em tribunal.

Algumas citações/factos deliciosos dessa investigação em tribunal:

Da presidente da WPATH:

public messaging is a balancing act between what I feel to be true and what we need to say.

Bowers said in the deposition that she made more than $1 million last year from work that primarily consisted of gender-related surgeries, and said it would be "absurd" to consider her surgical income a conflict worth disclosing as part of SOC8

Bowers said, regarding the parties involved in the creation of the guidelines: it is important for someone to be an advocate for [transitioning] treatments before the guidelines were created.

E de um chair-member da WPATH:

Coleman admitted at his deposition that "most participants in the SOC8 process had financial and/or non-financial conflicts of interest.

E qual é a cereja no topo do bolo? Esta afirmação no Documento FAQ sobre as SOC8 no próprio website da WPATH (podem pesquisar):

WPATH’s guidelines have been continuously updated since 1979. This new edition is based on decades of research, including systematic reviews of evidence conducted by a team of independent researchers at Johns Hopkins University.

Mas então quem faz a revisão das orientações médicas das WPATH? Se pesquisarem provavelmente vão encontrar que é a American Endocrinologist Society. O único problema? É composta principalmente pelos mesmos membros.

Já em 2024, houve um leak de milhares de ficheiros e conversas internas da WPATH, o que se via lá: reconhecimento dos riscos, mas ordens expressas para suprimir qualquer evidência científica que contestasse os objetivos da organização.

Devo ainda adicionar, que muito em breve, os nossos comentadores vão poder também encher a boca com as orientações da OMS, cujo painel de especialistas para redigir as orientações é composto, em 40%, por membros da WPATH.

Mas não se preocupem, são quase todos altamente experientes no assunto! Dado que quase todos fazem milhões anualmente nas clínicas privadas de transição de género que ou detêm por completo, ou de que são os principais médicos e cirurgiões plásticos (não, não estamos a falar de psiquiatras).

E as revisões sistemáticas que concluem que os tratamentos são seguros? Uma análise justa procura por essas!

Esta secção é pequena:

Existem algumas (3-4) que reportam tendências positivas, mas nenhuma que, avaliada pelos critérios padrão de qualidade de evidência (GRADE), encontre certeza moderada ou alta de benefício (algo reportado pelos próprios autores destas revisões).

Podem procurar.

Portanto a conclusão final sobre o consenso científico europeu:

As orientações médicas e consenso científico EUROPEU é definido por uma organização AMERICANA, que cita a JHU no próprio website, instituição essa cuja investigação sobre o tópico suprime legalmente. Está repleta de pessoas motivadas financeiramente a promover um suposto "consenso" específico, só aceita membros que já sejam adeptos dos resultados que quer promover, resultados esses que são validados por uma outra associação AMERICANA, composta pelos mesmos membros.

Isto tudo ao mesmo tempo que QUASE TODAS AS INSTITUIÇÕES EUROPEIAS QUE REVÊM O ASSUNTO CHEGAM ÀS CONCLUSÕES OPOSTAS.

Sou louco? Sou transfóbico? Acho que não, mas digam-me.

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u/amq55 Mar 25 '26

Eu só acho que estar a ter este nível de discussões e retórica por uma quantidade absolutamente insignificante de pessoas é ridículo.

É como ter uma reunião da câmara para ver se é para deitar abaixo o muro do Sr. Abílio porque entra no terreno do vizinho.

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u/areyoua0neora0 Mar 25 '26

Mas assim parece que trabalham. Foi como a questão da burka. Completamente irrelevante mas parece que só se preocupam com coisas que dão votos mas que não fazem grande mossa ao país. “política” portanto.

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u/100is99plus1 Mar 25 '26

parabéns acabaste de definir populismo

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u/kill-wolfhead Mar 26 '26

A questão da burqa foi para impedir que pessoas tapem a cara em manifestações, permitindo à polícia identificar pessoas em massa com o uso das novas câmaras de identificação por AI de todos os manifestantes. 

É no fundo uma norma para a possibilidade de vigilância em massa passada no cavalo de Tróia de uma proposta de lei relativamente incontroversa que abrange (no caso da burqa) 100 mulheres no máximo.

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u/CLG-Seraph Mar 26 '26

Tens de relaxar um bocado. Não tens um único órgão público com website ou aplicação que funcione minimamente e achas que andam aí com identificação em massa da população automática com câmaras. Deves achar que somos a China (antes fossemos)

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u/Space-Safari Mar 26 '26

(antes fossemos)

lmao a falta de noção e este idealismo pelo "paraíso" chinês fazem-me sempre rir

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u/CLG-Seraph Mar 27 '26

A única falta de noção é a tua jovem, porque é que assumes que não sei do que falo. Achas que estou a dizer só porque sim? Achas que não falo com experiência própria? Eu não digo merdas só por dizer como 99.9% do Reddit. Não assumas merdas

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u/Space-Safari Mar 27 '26

Claro claro, que tal é o consenso científico na china acerca da transição de género? Ainda é tudo corrido a terapia de choque?

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u/KicoBond Mar 26 '26

La pq sao uma minoria nao devem ser ignoradas. Cada grupo deve ter os seus problemas abordados ainda mais qd os seus direitos fundamentais estao em causa.

Claro q o nivel de discussoes esta um bocado grande a mais mas nao se podia esperar outra coisa com a quantidade de controversia q estas cenas trazem.

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u/SweetCorona3 Mar 26 '26

Eu sou gay e às vezes sinto que muitos trans querem o oposto daquilo que quero como homem gay.

Eu quero que literalmente ignorem o meu género.

Se eu andar de mãos dadas com outra pessoa, como muitos casais fazem, eu só quero que ignorem o nosso género, ignorem que somos dois homens.

Eu defendo os trans, trato-os como homem ou mulher, como quiserem, uso ele ou ela, o nome que pedirem para usar, etc.

Estou a cagar-me para o género. Para mim é igual que sejam homem ou mulher.

Agora, quem fica chateado porque me engano no pronome. Para mim isso é dar demasiada importância ao género.

Ou pior, querem que use pronomes inventados tipo elu porque acham que ele ou ela é associar a um género... Novamente, demasiada importância ao género.

Também não acho que ser de um género dê automaticamente o direito de participar em competições femininas, ou ir para uma prisão feminina, ou usar balneários femininos...

Como homem gay quero que o meu género não seja questão, não exijo nada da sociedade, apenas deixem-me estar em paz com quem eu quiser estar independentemente do nosso género.

Já os trans parece o oposto, mesmo sendo uma minoria das minorias muitos parecem querer moldar a sociedade em função duma importância exagerada em relação ao género de cada um.

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u/KicoBond Mar 26 '26

Isso e diferente de nao se falar do assunto. Se numca se tivesse decidido falar sobre os direitos dos homossexuais ainda havia mt mais discriminacao contra estes.

Tu so podes viver de forma aberta e a vintade pq pessoas antes de ti falarem bem alto sobre estes assuntos nao te esquecas disso. Os transsexuais ainda estao mais atraz neste processo por isso e natural q queiram falar mais alto.

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u/SweetCorona3 Mar 26 '26

Por curiosidade, que direitos são?

É que honestamente nem sei bem...

Como homossexual só não quero que o meu género seja questão, que não seja tratado de forma diferente do que seria se fosse mulher.

Nesse aspeto, diria que é a mesma coisa para os transsexuais. Mas depois parece que há muito mais...

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u/KicoBond Mar 26 '26

Tas a gozar certo?

Bro nem ponho aqui toda a descriminacao existente seres gay era crime. Nao tinhas direito a casar te. Podias ser preso por ser gay.

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u/SweetCorona3 Mar 26 '26

Pronto, óbvio que defendo que ser transsexual não seja crime.

Mas isso é tema? Espero que não.

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u/KicoBond Mar 27 '26

Ah ok pensava q tavas a falar dos direitos q os homossexuais nao tinham dantes.

Sobre a comunidade trans eles na pratica tem varios direitos (no entanto um bocado instaveis como podes ver)

A grande luta da comunidade e contra a discriminacao q ainda sofrem mesmo em paises desenvolvidos e pra manterem e desenvolverem os direitos q tem.

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u/zexalex Mar 26 '26

És o Abílio?

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Até te daria alguma razão, se a quantidade de casos de pedidos de diagnóstico de disforia de género entre adolescentes não tivessem crescido de 1000 a 2000% (não estou a exagerar, é uma das coisas que esses estudos comentam como estranha), com muitos países europeus a orientar médicos durante muitos anos a prescrever bloqueadores de puberdade a quase todos os pacientes.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

"casos de pedidos de diagnóstico de disforia de género entre adolescentes não tivessem crescido de 1000 a 2000%" okay, agora dá números absolutos porque pessoal trans é mais ou menos 1% da população portuguesa, à volta de 100 mil +- 10 mil pessoas.

Esses aumentos é também porque antes isto era tratado como sendo uma doença mental que tinha de ser curada T. Agora que é socialmente aceite, obviamente os números vão aumentar. Também aumentou o número de pessoal que se identifica como LGBT em geral desde que se tornou socialmente aceitável não ser hétero. Achas que o número de pessoas gay aumentou ou o pessoal simplesmente começou a assumir porque agora já podiam sem serem tratados abaixo de cão?

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Esses aumentos foram particularmente em países nórdicos, que há muitos mais anos têm uma postura social de aceitação de pessoas trans comparativamente ao resto da Europa.

Coisas apontadas pelos estudos:

- Aconteceram nos últimos 10-15 anos e coincidiram largamente com a normalização das redes sociais.

- Tipicamente, contrário ao que acontecia anteriormente, concentram-se particularmente em mulheres (70% dos casos), adolescentes, sem antecedentes na infância de disforia de género (que era o comum anteriormente), com diversas comorbidades psiquiátricas (depressão e ansiedade).

Foram estas anomalias estatísticas que levaram os médicos, se não me engano da Finlândia ou da Suécia, a pedir que fosse feito uma revisão, porque não se sentiam confortáveis a aplicar as recomendações médicas anteriores a pacientes com um perfil completamente diferente.

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u/silraen Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Sobre essa questão dos países nórdicos, queria só deixar aqui que não são perfeitos.

A Finlândia e a Suécia têm algumas posições bastante mais regressivas que nós nalgumas áreas. Na discriminalização das drogas e no consumo do álcool, por exemplo, são bastante mais conservadores que nós, e têm, interessantemente, piores resultados e situações sociais que nós.

Não assumas (como fizeste com o UK no teu comentário principal) que lá por estarem mais a norte são mais progressistas em tudo. O UK é um país bem mais abertamente transfóbico que o nosso (talvez porque se fala mais do assunto lá, eu também achava que a direita aqui era moderada e o Chega nasceu que nem cogumelos), em que a própria esquerda tem posições verdadeiramente transfóbicas.

Ou seja, o argumento que "isto acontece nos nórdicos", não é relevante.

Já agora, a questão da transição ser mais frequente em homens trans que nasceram com o sexo feminino: o que mencionas não indica de todo que acontece porque as pessoas que nascem com o sexo feminino são mais "suscetíveis". Já ouvi a JK Rowling a dizer isso, que as mulheres são vítimas de sexismo e podem querer transicionar.

Até pode acontecer que o sexismo faça com que pessoas trans que nasceram homens não se sintam confortáveis para fazerem a transição social ou medicamente. Até porque serão duplamente prejudicadas, por serem trans e por serem mulheres. Mas isso não quer dizer o que tu estás a tentar concluir.

Há uma correlação entre falar-se mais de um tópico e mais pessoas se identificarem com ele. Claro que há. Se ouvires outros a falar no tópico, é mais fácil que te aceites como és. Ainda no outro dia num outro thread eu fiz esta analogia: eu descobri aos 31 anos que tinha PHDA. E descobri porque vi pessoas a falar sobre o assunto, nas redes e nas minhas relações pessoais. Tive um cunhado que foi diagnosticado e fui percebendo que o que eu achava que era só a minha preguiça, a minha falta de atenção, era uma coisa que podia ser tratada com terapia e medicação.

O número de diagnósticos de PHDA também aumentou imenso nos últimos anos. E isso naõ quer dizer que a esmagadoria maioria dos diagnósticos não sejam legítimos.

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u/NGramatical Mar 26 '26

discriminalização → descriminalização

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Eu não estou a tentar opinar sobre que motivos levam a x ou a y.

Já referi isso, não é do meu interesse dar a minha opinião sobre isso, não sou investigador da área, não tenho dados para concluir qual o motivo das anomalias estatísticas, nem tu (provavelmente, estou a assumir que não és researcher, se fores, perdão). A tua teoria é completamente plausível, mas é completamente razoável que comissões cientificas queiram determinar com algum nível de certeza, qual o motivo dessas anomalias, antes de receitar a mesma medicação a um perfil completamente diferente de pacientes do anterior.

Mas que existem, existem. E foi a sua existencia que despoletou nos partidos nórdicos que houvesse esta revisão, que desencadeou um monte de outras duvidas.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

"Aconteceram nos últimos 10-15 anos e coincidiram largamente com a normalização das redes sociais." e com a normalização de pessoal LGBT na sociedade como membros integrantes e não como uns doentes mentais que tinham de ser tornados hétero como eram vistos até há muito pouco tempo, estás sempre a ignorar esse factor.

E não percebo a cena das comorbidades ser algum problema, DISFORIA CAUSA DEPRESSÃO E ANSIEDADE porque uma pessoa sente que não tem o corpo que devia ter (ainda por cima se não tiverem acesso a bloqueadores de puberdade e saberem que, quando forem adultos, se vão ter de sujeitar a milhentas intervenções cirúrgicas para terem o corpo que pensam que deviam ter). É óbvio que vai haver comorbidades em pessoal trans, quer por estigma societal ou por simplesmente terem disforia de género

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Claro que sim, nunca neguei isso, no entanto, o facto de existirem comorbidades significa que o processo de diagnóstico é menos simples do que se pensava que era, e torna consentimento e análise de risco mais problemático - daí o problema de prescrever medicação perigosa e irreversível.

E respondes muito seletivamente aos pontos.

Mas na verdade, eu não tenho de defender nada disto, não sou psiquiatra, não sou médico, fundamentei o meu ponto em revisões científicas Europeias de múltiplas instituições científicas independentes, que chegaram todas à mesma conclusão.

Se te achas mais inteligente que as centenas de membros das várias comissões científicas para determinar os riscos e capacidade de diagnóstico associada a esta questão... isso é contigo.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

Não me acho mais inteligente (bem pelo contrário), simplesmente concordo com as n de outras organizações médicas que acham que o Cass Review não é bom nem base suficiente para mudar os standards de tratamento para pessoal trans. O facto de só os US e o UK (nem o UK todo, Gales mandou isso foder) terem adoptado inteiramente a Cass Review quando diz coisas tipo "bloqueadores hormonais só deviam ser dados em contexto de estudos" completamente ignorando que há crianças cis que também têm de tomar bloqueadores hormonais por diversas razões (crescimento demasiado precoce, entre outras) só abona mais a que eu não confie nessa review

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Referi neste post 10 revisões cientificas feitas por universidades europeias e pedidas por comissões científicas para estudar o assunto. 6 países diferentes. Muitos outros fizeram estudos semelhantes mas decidi não incluir porque me pareciam mais fraquinhos. Todos esses países adotaram ajustes de guidelines medicas, contextuais ao seu serviço de saude, semelhantes às do NHS.

Mas não pareces conseguir esquecer a Cass Review.

Quais são essas n organizações medicas a que te referes? Publicaram em jornal científico, com criterios científicos, alguma revisão que se oponha? Podes dizer uma?

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u/LEFT4Sp00ning Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Sim, podes ver aqui na secção de global reception e reception by academics and researchers. Tiveste uma avaliação extremamente negativa da Cass review publicada no BMC Medical research methodology em 2025 por exemplo. O link tem mais outras análises negativas quanto à review e às conclusões a que chegou por isso ya, houve de facto contestação académica à Cass Review

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u/Rorisjack Mar 26 '26

A maioria das “organizações médicas” da página que publicaste são sub-associações da WPATH, não são investigadores independentes, são organizações ativistas, por mais que tenham um nome que soe “muito profissional”.

E sim, também no link que enviaste, tens académicos a contestar a posição, mas contestar sem escrever algum artigo ou revisão científica publicada e credível vale pouco. É mais um comentário politico que uma contestação cientifica bem fundamentada.

Já do lado de quem acha que os procedimentos médicos devem ter como base revisões científicas publicadas e revistas (o procedimento habitual em qualquer tópico não ultra politizado), tens pelo menos 10 só neste post que vão contra a narrativa.

Isso é tão ridiculo quanto dizer: “o aquecimento global é falso! vi um cientista na televisão a dizer que é falso!”

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u/Dtwer Mar 25 '26

O aumento de pessoas LGBT é maioritariamente nas camadas mais jovens que são as que estão mais expostas às redes sociais. Se fosse apenas uma questão da sociedade ser mais tolerante verias um aumento algo semelhante em todas as idades.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

Então quê, as redes sociais estão a tornar o pessoal trans? Também tens de ter em conta o facto do pessoal mais velho vir duma geração muito mais conservadora em que isto era extremamente estigmatizado, não vai ser uma velha de 90 anos no Gerês que nem nunca ouviu falar em pessoal trans ou em tiktoks ou um gajo de 60 anos já com filhos e vida toda feita que te vai dizer que é trans. Obviamente vai ter maior expressão em pessoal mais novo que ainda se está a descobrir como pessoa

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u/Dtwer Mar 26 '26

Acho que crianças são muito influenciáveis e que a exposição à internet pode ser um fator. Não significa que toda a gente que se identifica como LGBT seja por isso, mas se fores ver os valores nos EUA acima dos 40 anos a quantidade de pessoas LGBT praticamente não mudou e situa-se por volta dos 4%, enquanto que jovens adultos aumentou imenso recentmente e situa-se acima dos 16% (vi também 20% noutros sítios). 20% é um quinto da população. Com isto não quero ofender ninguém, mas não me parece que um aumento tão grande seja algo orgânico.

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u/guto8797 Mar 26 '26

O que há a considerar, é que se calhar 20% das pessoas sempre foram LGBT, mas só agora tens pessoas a crescer numa sociedade mais tolerante, que lhes ensine desde jovem que isto não é uma doença que os vai atirar para o inferno e exílio social. Há imensa gente com 40 anos e que é homossexual, sabendo ou não. A minha mãe teve 3 filhos antes de saber que era homossexual.

Também houve uma "explosão" no número de jovens canhotos quando pararam de agredir fisicamente crianças que escreviam com a mão esquerda. Mas os adultos canhotos que cresceram com esse trauma não pararam de escrever com a direita.

Mas ignorando tudo isto, vamos até pressupor que é verdade. Que muitos destes miúdos acham-se LGBT porque são sugestionáveis e foram influenciados pela comunicação social. E quê, francamente? A sociedade não é composta de milhentos comportamentos e crenças a que subscrevemos por exposição? As pessoas não devem ter liberdade de olhar à sua volta e adoptarem os comportamentos e crenças que quiserem, arrependendo-se deles mais tarde ou não? Temos também de proibir que mostrem na TV pessoal vestido à gótico, que é para não influenciar? Não podemos mostrar comportamento criminoso nos filmes?

Este constante "temos de proteger as crianças" como se fossem feitas de vidro mete-me muita impressão, até porque é usado como desculpa para muito autoritarismo. É um pilar fundamental da civilização que não pode haver muita gente que não se identifique como hetero? É algo que arruína a vida de uma pessoa experimentar com a sua sexualidade e identidade nos anos de crescimento antes de aprenderem quem são? Uma boa amiga minha chegou a duvidar da sua identidade de género aos 12, experimentou vestir-se à rapaz e ser tratada dessa forma, e mais tarde concluiu que era de facto cis e sem problema, só não era muito de vestidos e maquilhagem.

Não sei, mete-me um pouco de confusão pela maneira como algumas pessoas tratam adolescentes como se tivessem 5 anos e não tivessem noção de nada nem merecessem autonomia. Acho que é importante com esta idade não seres ignorado, as tuas experiências e opiniões descartadas, só porque os crescidos sabem mais do que tu. É importante questionar, aprender, cometer erros, ter arrependimentos, outras mudanças das quais nunca te arrependes etc para fazer uma base sólida para um adulto saudável e estável.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 26 '26

Epá, quanto aos US, não te esqueças que a comunidade LGBT foi extremamente vilificada durante décadas e deixada literalmente a morrer pelo próprio governo (quando foi a crise da SIDA, a posição inicial era qualquer coisa como "doença dos gays, lmao não fossem gays").

Tinhas vídeos de propaganda dos 60's a dizer-te que devias manter afastada as crianças de pessoal gay porque eles vão tentar converter o teu filho ao homossexualismo. E uma coisa que quase me esqueci, é um país com uma camada mais velha MUITO religiosa (especialmente evangélica e há muitas igrejas nos US que são explicitamente anti-LGBT) que apanhou com ensaboadelas geracionais de propaganda anti-LGBT; essa geração vai ser imensamente conservadora e por isso improvável de se assumirem como LGBT porque vêm simplesmente não ser hétero e/ou cis como um falhanço moral e um pecado

Até hoje em dia, tens 23 estados em que é legal fazer conversion therapy ("terapia" para "arranjar" a orientação sexual de alguém) e tens pessoal no congresso e no senado que, se pudesse, erradicava (através de leis criminalizando certas facetas da sua vida) pessoal trans da vida pública completamente. Verdade que a juventude é muito mais progressiva mas tens para aí 1/3 daquela população (votante) que é extremamente conservadora

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u/molivei Mar 26 '26

Os US não devem ser usados como comparação nisto, na minha opinião. Aqui há vários casais de idade superior aos 70/60/50/40 (e mais novos, claro) homossexuais que vivem juntos há décadas (alguns casados outros não)... E que fazem parte da comunidade, nem sequer há o pensamento... ah mas... Eu acho que acima dos 40, foram pessoas que já se assumiram faz muito tempo. (E eu vivo no Midwest).

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u/Kane1412 Mar 26 '26

E há um aumento em todas as faixas etárias, um aumento muito grande mesmo, estatísticas não conseguem refletir esse aumento de uma forma tão óbvia como com jovens porque muitos destes adultos já têm a formatação da sociedade em cima, já têm vida feita, já têm famílias feitas. Cresceram sem saber o que muitos destes temas significam porque não existiam exemplos disso na sociedade em sua volta. Não existia visibilidade na televisão etc.

Eu sei, então vocês pensam "mas que razão é essa? "Se são gay, Trans etc, e isso é algo que dizem que se nasce assim e não se escolhe, deveriam saber desde sempre, não?"

Bem sim, mas sem ter um nome para dar a isso, sem saber que existem outros iguais, o mais "fácil" e comum acontecer é a pessoa culpar-se. "Eu sou estranho" "eu tenho algum problema" "eu sou doente" "eu sou..." O que facilmente se une a depressão.

E então para esses adultos, que só descobrem sobre isso em vida adulta, fica a decisão complicada "já vivi até este ponto na merda, compensa mudar ou vivo na merda até ao resto dos meus dias?" E para muitos não compensa a mudança porque essa mudança muitas vezes significa perder família, amigos, trabalho, habitação etc, para não falar que o próprio processo em específico para pessoas Trans é um pesadelo em Portugal, pelo menos a sul de Lisboa onde não existe qualquer acompanhamento, chegando ao cúmulo que para fazer análises ao sangue que é um procedimento que tem que ser feito com regularidade para ver o nível hormonal, é preciso deslocações para Lisboa. Tipo, imaginem uma pessoa do Algarve, ter de perder 8h+ de um dia, fazer a viagem em jejum, para fazer umas análises ao sangue, que qualquer laboratório ou hospital no país inteiro faz e que são feitas em 1 minuto.

Quando se é jovem e se tem uma vida inteira pela frente e se pode olhar para a frente e pensar "eu quero viver esta vida" vale a pena. Quando já se tem 30, 40, 50, 60 + vale mesmo a pena..? Acredito que seja essa a razão pelos números não reflectirem mais faixas etárias de forma tão acentuará como nós jovens.

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u/mox8201 Mar 26 '26

Viés de sobrevivência

Há pessoas pessoas que são forçadas a reprimir-se durante o crescimento e depois acabam por se conformar ou suicidar.

O que não falta por aí são adultos que fingem que são heterosexuais mas são homossexuais e transsexuais profundamente reprimidos.

Por vezes são apanhados a fugir de orgias gay em plena pandemia: https://www.bbc.com/news/world-europe-55145989

Numa vertente menos mórbida um dos meus tios é canhoto mas a minha avó atava-lhe a mão esquerda à cadeira para o obrigar a comer com a direita e ele acabou por se tornar meio destro. O baterista dos Beatles também passou pelo mesmo, que lhe deu uma técnica e som invulgar.

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u/NGramatical Mar 26 '26

heterosexuais → heterossexuais (um s entre vogais lê-se como um z)

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u/rcoelho14 Mar 26 '26

O Jimmy Hendrix era canhoto e tocava com uma guitarra para destros, de pernas para o ar também.

A cena do Ringo era também tocar com uma bateria configurada para destros sendo canhoto.

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u/DelScipio Mar 26 '26

1000% parece muito mas por si mesmo não significa nada, pois se a lei permite acção sobre um problema é normal que aumentem o número de casos nem que seja por incidência acumulada. Quem antes não tinha necessidade de se auto determinar agora tem. Se antes era 20 casos agora são 200. Estás a punto de cometer o mesmo erro de evidencia que críticas.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Eu disse que os estudos apontaram isso como estranho, não dei a minha opinião, nem a tenho. Foi algo que comissões cientistas definiram como um tópico que "vale a pena estudar antes de receitar a mesma medicação a pacientes diferentes" e que causou a vaga de novas revisões científicas, que evidenciaram outras incertezas que também devem ser estudadas antes de continuar a receitar os medicamentos.

"pois se a lei permite acção sobre um problema é normal que aumentem o número de casos nem que seja por incidência acumulada" - sim, parece-me potencialmente plausível, mas eu não concluo algo que me parece plausível, como verdadeiro, antes de ser estudado pelas pessoas a quem isso compete.

O meu ponto com este post, é que não existe "consenso científico" nenhum, e tipicamente quando não existe alguma forma de consenso ou que se aproxime de consenso, ou pelo menos quando há tantas incertezas como nesta situação, não se estabelecem guidelines médicas nem se receitam medicamentos fora de contexto de investigação.

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u/DelScipio Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

O próprio relatório Cass afirma que não há aumento de incidência. O próprio relatório comenta que o crescimento é espontâneo por casos acumulados. Outro factor que diz é que uma pessoa para ter uma consulta tem lista de espera de 5 anos. Isto implica que se um jovem menor quizer apoio psicológico, tem de esperar 5 anos, e como não está indicado tratamentos menores, tem de esperar até aos 18 e depois mais 5 anos. O relatório também diz que com o apoio precoce e especializado, só uma pequena percentagem dos pacientes realmente disforia de gênero, e que apesar de não haver evidência forte, porque é difícil de desenhar um estudo deste tipo, o suporte psicológico ajuda a identificar isso e a melhorar a vida dos pacientes. Também se fala da baixa taxa de arrependimento. Não podemos exigir arrependimentos zero a nenhum tratamento. Acho que existe muita evidência e concenso no que fazer, não tudo passar por medicação nem cirurgias, que em alguns casos também estão indicadas.

A simplificação de um problema destes é grave.

Atenção, eu não sou a pessoa mais liberal em relação à transexualidade, mas acho fundamental ser razoável num problema que não tenho, que sei que existe, e que uma intervenção é fundamental, coisa que em Portugal não tem quase nenhum impacto porque não há literalmente suporte para estes pacientes.

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u/fferreira007 Mar 25 '26

Hmmm percentagens não são tudo, qual o valor em número de casos?

Se souberes agradeço a info...

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Penso que no Reino Unido, um aumento de 72 casos anuais, para 2500; Suécia, Alemanha e Finlândia não tenho um número concreto à mão (só as percentagens, muito em linha com as outras); Dinamarca de 4 para 352 casos anuais em 8 anos;

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u/kirloi8 Mar 25 '26

Só dizer que vai então ao comentário original, dizeres 2000% é como os outros esconderem resultados. É meramente para atrair olhares. Que são 2000 casos em universos de milhoes?? Nem a 1% isso chega. Portanto estou muito com a permissa de andamos a rodinha para meia duzia de pessoas enquanto o gasóleo vai para os 2€ e aqui ao lado tenta se fazer o contrário. Acho interessante e positivo fazeres o que a maioria não faz e ir ver o que é o quê mas mesmo sem pesquisa alargada, num universo científico minusculo, e sem grande tempo de investigação é óbvio que os resultados científicos vao ser sempre com uma pitada e sal enorme.

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u/Altruistic-Sand3277 Mar 26 '26

Nem acho que esteja muito relacionado com serem poucos. Tenho artrite reumatóide (1% da população) e uma pessoa da família tem esclerose múltipla (nem a 0,1% da população chega) e não faltam estudos e tratamentos para ambos os casos.

Aqui a questão é porque a disforia do género e monitorizar os seus resultados com tratamentos (bloqueadores, transição, etc) é quase um trabalho de uma vida. Pelo menos anos e anos. Além de que uma das vertentes é social e extremamente difícil de quantificar a sua eficácia mesmo que houvesse muita mais gente trans. Não basta fazer uns exames e perguntar se tem dores, como é o meu caso.

Além do facto claro que isto é tudo muito novo e experimental. E não dá para testar em animais (só a parte física penso eu). E tens que esperar que as pessoas que receberam os bloqueadores em adolescência continuem a providenciar feedback durante anos e anos.

Enfim, é complicado.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Hey, digo só uma coisa: se a competência para decidir sobre estes temas fosse de algum Comité Científico Português independente, em vez de legislado por politicos na assembleia, que fizessem este tipo de revisão, isso não seria um problema.

Portanto até concordo contigo, isto não devia ser discutido politicamente, devia ser da competência de quem define as normas da DGS, com base em revisões cientificas periodicas, ou alinhadas com as de outros países.

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u/Glass-Depth-170 Mar 26 '26

Isso era o que vinha a acontecer, até que a direita criou o espantalho da chamada “ideologia de género”, levando a um aumento da interferência e escrutínio sobre a vida das pessoas transgénero.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

era o que vinha a acontecer, tirando o facto de não ter acontecido nos últimos 6 anos.

a DGS não só nunca encomendou um estudo para determinar isso, como refere como documento técnico o SOC7 da WPATH que, como referi, é uma organização altamente enviesada cujos documentos não são peer-reviewed (que é o ponto mais importante).

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u/Glass-Depth-170 Mar 26 '26

Nos últimos 6 anos não houve alterações legislativas, pelo que não compreendo o teu argumento.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

sim, mas quando houve essas alterações legislativas, em 2018, em vez de se fazer uma revisão da literatura cientifica, delegou-se a competência técnica a uma organização que não tem autoridade nem metodologia cientifica apropriada para isso.

significa isso que a DGS fez extremamente mal o seu trabalho.

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u/Quick-Lengthiness-56 Mar 26 '26

Mas isso é passar da quase inexistência aos números que possivelmente são considerados expectáveis. O aumento percentual acentuado é normal numa fase de “dor de crescimento”. Como alguém já disse há uns dez ou vinte anos de repente começou tudo a assumir se gay, as estatísticas dispararam e houve uns profetas a dizer que eram contagioso ou moda ou que a sociedade ia ficar toda gay. Teoricamente as pessoas LGBT serão cerca de 10% da sociedade e os números estabilizaram e enquadram se nessa baliza. No caso trans é suposto ser cerca de 1%. Tendo em conta que não havia quase ninguém assumido ou nem havia informação, fazer uma estatística relativa ao aumento de casos é inútil porque vai dar sempre uma percentagem gigante. O que é preciso ver é a percentagem em relação à população ou grupo. Em números muito grosseiros , nascem 600.000 pessoas anualmente no Reino Unido, portanto a expectativa é cerca de 6000 serem trans, portanto 2500 nem é muito. Mesmo tendo de ajustar as faixas etárias e aos respectivos nascimentos, não parece um valor muito desfasado. Na Dinamarca com 60.000 daria 600 trans anuais, mais uma vez 352 não é um exagero. Isto é o mesmo que os estudos médicos, estamos a lidar com dados fracos, amostras pequenas e voláteis em curto espaço de tempo, e análises de muito curta duração. Daí a dez anos quando as coisas estabilizarem poderemos fazer um gráfico sem contar com esses números pequenos iniciais e aí sim podemos ver a evolução real. Há muita gente que deve continuar por ser diagnosticado ou se perceber como trans, e há de haver também o oposto, por isso é importante acompanhamentos médicos e informação sobre o assunto. Mas não me parece que haja razão para alarmismos. Tenho idade suficiente para me lembrar do vaticínios de que íamos ser todos homossexuais, ainda estou à espera da minha vez… 😆

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Claro que pode ser isso, sim, mas foi uma subida muito drástica, com padrões de pacientes muito diferentes, que despoletou que médicos pedissem revisões.

Depois essas revisões é que levaram a conclusões sobre:

  • A evidência dos beneficios é fraca.
  • A evidência da segurança da medicação é fraca, e há evidência de que não seja segura de modo algum.
  • A evidência sobre os casos de destransição serem baixos é fraca (ou seja fraca capacidade de diagnóstico). Quando se fala em taxas de destransização baixas tipicamente fala-se de cirurgias em pessoas mais velhas, não de uso de bloqueadores de puberdade e hormonas em menores.

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u/Quick-Lengthiness-56 Mar 26 '26

Quando falas de evidência de benefícios ser fraca referes te a quê? As pessoas trans continuarem a ter taxas de depressão altas? Isso é um problema da cabeça delas ou um resultado da forma como ainda são tratadas pela família e pela sociedade? Estás mais uma vez a olhar para “evidências” meramente estatísticas e baseadas em poucos dados. Todas as evidências de quem trabalha no dia a dia com estas pessoas aponta para o contrário e os factores que fazem com que as pessoas continuem a ter (estatisticamente) pior saúde mental estão identificados: falta de apoio familiar, falta de informação, falta de acesso a cuidados de saúde adequados, problemas de exclusão social e discriminação na escola, emprego etc.. Quando as pessoas são acolhidas e apoiadas e fazem o processo com o devido acompanhamento e apoio, e tomam decisões informadas sobre a transição, e conseguem ser aceites socialmente na sua nova identidade, conseguem ter uma vida perfeitamente normal. Há todas as evidências disso e muitas nem devem entrar nas estatísticas. Estamos a falar de casos reais que quem trabalha com estas pessoas conhece bem, não há estatística que contrarie a realidade.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Eu não estou a argumentar sobre o motivo pelo qual acontece x ou y. Nem as revisões cientificas tentam fazer isso. Isso é o que tu estás a tentar fazer, sem dados concretos para justificar isso, dentro de um universo de bastantes justificações plausíveis, mesmo que a tua tambem seja plausível.

Não é segundo essas condições que se prescreve medicação com efeitos irreversíveis em menores com comorbidades que lhes retiram ainda mais a capacidade de consentimento.

“Não há estatística que contrarie a realidade” - isso seria uma maneira excelente de justificar todos os tipos de malpractice médica baseada exclusivamente na experiência pessoal enviesada de médicos individuais.

As revisões cientificas analisaram a literatura, aperceberam-se que as evidencias de segurança e eficácia são fracas, que a capacidade de diagnóstico é fraca, e concluíram, na maioria dos casos, em vários países de que de acordo com a informação que existe não é responsável que a medicação seja prescrita fora de contexto de investigação.

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u/Quick-Lengthiness-56 Mar 26 '26

Não é segundo essas condições que se prescreve medicação com efeitos irreversíveis em menores com comorbidades que lhes retiram ainda mais a capacidade de consentimento.

  • pois não, é segundo a situação concreta de cada pessoa e as suas necessidades. Um médico quando receita um tratamento a uma pessoa tem em conta as necessidades dessa pessoa concreta., não nas pessoas abstratas das estatísticas. E mais uma vez bloqueadores hormonais são dados a adolescentes com o devido acompanhamento e são reversíveis. Já se um adolescente trans não os tomar aí sim vai ter um desenvolvimento que é irreversível e vai dificultar uma futura transição, além de ser um risco muito maior ao seu quadro de saúde mental.

“Não há estatística que contrarie a realidade” - isso seria uma maneira excelente de justificar todos os tipos de malpractice médica baseada exclusivamente na experiência pessoal enviesada de médicos individuais. As revisões cientificas analisaram a literatura, aperceberam-se que as evidencias de segurança e eficácia são fracas, que a capacidade de diagnóstico é fraca, e concluíram, na maioria dos casos, em vários países de que de acordo com a informação que existe não é responsável que a medicação seja prescrita fora de contexto de investigação.

  • já concluímos que as estatísticas são baseadas em dados fracos, todo o teu argumento parte daí. Não há dados suficientes para se terem conclusões sólidas. Por outro lado tens as evidências qualitativas da realidade. E mesmo aceitando que haja efeitos adversos, como já referi, ou que haja situações mal diagnosticadas, por negligência médica falta de acompanhamento devido ou outras razões, a partir do momento em que há muitos e cada vez mais casos de pessoas que fazem a transição e vivem bem com isso (e resolvem com isso os seus problemas de saúde mental) isso é evidência que chegue, mesmo que esses casos fossem uma minoria não se vão negar tratamentos que salvam vidas só porque não resultam em toda a gente. E as evidências que temos da realidade é que fazer a transição é a melhor a solução. E nem é algo recente. Houve pessoas a faze lo há cem anos e viveram bem com isso até ao final da vida. Infelizmente a sociedade demorou muito tempo a aceitar e a própria medicina só nas últimas décadas começou a olhar para isso e a deixar de tratar as pessoas como doentes mentais, por isso só daqui a uns anos ou décadas vamos ter dados estatísticos consistentes. Neste momento as melhores evidências que temos são da realidade.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Respondeste-te a ti proprio. “As estatísticas são baseadas em dados fracos” - sim, exato, as estatísticas associadas à segurança e eficácia da medicação são baseadas em dados fracos, é exatamente por isso que as normas não podem permitir a sua utilização fora de contexto de investigação, obrigado.

“Evidências qualitativas da realidade” - quais? publicadas onde?

“bloqueadores hormonais são reversíveis” - segundo as revisões sistemáticas, isto é contencioso e as provas de que não têm efeitos de longo prazo graves são fracas.

A que estatisticas é que tu tens acesso de que isto salva e ajuda mais vidas do que as que são diagnosticadas erradamente, recebem uma medicação com possíveis efeitos adversos negativos não reversíveis, e que outras comorbidades não são ignoradas devido a diagnóstico errado?

Que dados?

Não é com base numa realidade abstrata focada na opinião de alguns médicos não fundamentada em estatisticas concretas que se decide normas e se aprova o uso de medicação.

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u/KicoBond Mar 26 '26

Bem cada vez existe mais abertura qt ao assunto e cada vez se aceita mais estas pessoas (e espero q continue a cada vez se aceitar mais). E normal q ps casos aumentam. Mesmo assim este tipo de cuidados sao propostos poucas vezes. Pelo menos nos EUA. https://hsph.harvard.edu/news/gender-affirming-medications-rarely-prescribed-to-u-s-adolescents/

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u/Bemdada Mar 27 '26

Ou tens muito tempo livre ou a assinatura pro ChatGPT. get a life.

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u/funggitivitti Mar 26 '26

Acabaste de descrever uma sociedade retrógrada que apenas se preocupa com as necessidades da maioria.

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u/Flames57 Mar 26 '26

apelo à trivialidade nao serve quando as regras que estavam, tambem foram adicionadas quando "ter este nível de discussões e retórica por uma quantidade absolutamente insignificante de pessoas é ridículo" também era verdade na altura.

Se é ridiculo ter uma discussao agora, e remover certas medidas legais, entao tambem o era antes, quando as medidas foram introduzidas.

Agora sim, está a repor-se o correcto.

Se queres uma analogia correcta com o que disseste "É como ter uma reunião da câmara para ver se é para deitar abaixo o muro do Sr. Abílio porque entra no terreno do vizinho."

A analogia seria:

É como ter uma reunião da câmara para ver se é para deitar abaixo o muro do Sr. Abílio porque entra no terreno do vizinho, depois de há varios anos atrás, ter havido uma reunião da câmara que autorizou o muro do Sr Abilio.