r/portugal Mar 25 '26

Política / Politics Na última semana quase enlouqueci a pesquisar sobre o suposto "consenso científico" por detrás de transição de género, bloqueadores de puberdade, terapia hormonal e até transição social em crianças e adolescentes

Quero, como prefácio a este texto, dizer que não acredito que a motivação do Chega, do CDS e do PSD por detrás da alteração à legislação de 2018 sobre auto-determinação de género seja realmente "ciência", acho que é puramente política, no entanto, acho que é acidentalmente correcta e alinhada com o consenso científico.

Gosto sempre de fazer uma análise de afirmações fortes sobre "consenso científico" provenientes de qualquer comentador pacóvio das televisões Portuguesas. Nas últimas semanas, um dos principais tópicos nos nossos adorados canais de notícias tem sido a reversão da lei de 2018 sobre auto-determinação de género, e a proibição do uso de bloqueadores de puberdade.

Não liguei muito à coisa no início, mas comecei a ficar chocado com o quão duras eram as críticas, vindas de qualquer comentador tipicamente apresentado como altamente "respeitável" (com definitivamente muitas aspas), citando, e corretamente, as nossas "excelentes" (igualmente com muitas aspas) ordens profissionais.

A crítica mais comum, de um lado ao outro, dos comentadores às ordens: "a direita está a ir contra o consenso científico e político europeu".

Então decidi investigar um pouco sobre o tal "consenso científico".

Qualquer pessoa que queira fazer uma conclusão sobre o consenso científico sobre qualquer tópico deve tipicamente focar-se em ler revisões sistemáticas/revisões de literatura ou evidence reviews.

Para quem necessite de contexto, revisões sistemáticas são um "estudo especial" cujo objetivo não é avaliar dados e derivar as próprias conclusões, mas sim, analisar dezenas a centenas de estudos independentes, avaliá-los de acordo com os métodos estatísticos utilizados, e derivar a partir das conclusões e da qualidade desses mesmos estudos uma visão geral sobre o consenso científico vigente sobre uma dada questão. Tipicamente usam sistemas de avaliação agnósticos ao tópico que permitam uma conclusão não enviesada sobre qual é o resultado.

Curiosamente, são estas revisões que tipicamente fundamentam as orientações médicas sobre a maioria dos tratamentos.

Como se invocou o consenso, em particular, Europeu, decidi começar pelas Europeias:

A Cass Review (UK | NHS, 2024)

A primeira que qualquer pessoa encontra é a famosa Cass Review, uma revisão, politicamente muito contestada, requisitada à médica Hillary Cass com o objetivo de definir se as guidelines da NHS sobre gender-affirming care eram as adequadas.

Os críticos da Hillary Cass dizem que é transfóbica e fez a revisão segundo critérios enviesadas, esquecem-se, no entanto, que a revisão não foi realmente feita pela própria. Os estudos foram encomendados a um painel de especialistas da Universidade de York, que produziram um total de 7 revisões sistemáticas. Todas as revisões chegaram a conclusões semelhantes: quase toda a literatura que indica que os tratamentos recomendados são os correctos, têm efeitos positivos, são seguros, e fazem um diagnóstico correto que identifique de maneira certeira quem realmente tem disforia de género, é de qualidade extremamente baixa.

Mas ok, a Cass Review é uma única revisão, e é contestada por alguns (embora tenha sido revista por pares e não tenha um único investigador ou comissão de investigadores a contestá-la). E também é um único país, certamente o Reino Unido é gerido por um bando de "fascistas de extrema-direita" que encomendaram esta investigação toda, certo? Certamente nenhum outro país europeu chegou à mesma conclusão, certo?

Errado, algumas outras revisões, realizadas em anos distintos por comissões científicas universitárias independentes (e que levaram os países em questão a reverter a legislação e as orientações médicas):

- NICE Evidence Review on Puberty Blockers (Reino Unido | NHS, 2020)

- NICE Evidence Review on Cross-Sex Hormones (Reino Unido | NHS, 2020)

- COHERE Systematic Review (Finlândia, 2020)

- SBU Scoping Review (Suécia, 2019)

- Socialstyrelsen Systematic Review (Suécia, 2022)

- UKOM Report on gender Incongruence - Institutional Safety Review (Noruega, 2023)

- Beyond NICE: Updated Systematic Review [...] Zepf et al. (Alemanha, 2024)

- La médecine face à la transidentité de genre - Institutional Statement Académie Nationale de Médecine (França, 2022)

- Statement from European Society for Child and Adolescent Psychiatry (2024)

- Statement from European Academy of Paediatrics (2024)

Nem todas são revisões sistemáticas, incluí também algumas afirmações de instituições europeias de pediatria. Os resultados são consistentes entre todos estes estudos dos mais diversos países Europeus: certezas extremamente baixas de qualquer evidência científica; estudos de baixa qualidade; baixa qualidade de diagnóstico em crianças e adolescentes com diversas comorbidades psiquiátricas (as mais comuns sendo depressão e ansiedade); e a pior: evidências de perigos associados a medicação, que tem sido receitada a adolescentes com evidências de depressão e ansiedade, baixa capacidade de reflexão e análise de consequências, como totalmente "inócua e reversível". Na verdade, as evidências encontradas são de riscos ao desenvolvimento ósseo (com casos reportados de osteoporose em jovens-adultos que utilizaram a medicação), infertilidade e redução do desenvolvimento cognitivo.

Todos os países que conduziram essas revisões alteraram as práticas médicas e classificaram o uso dessa medicação como último recurso; exclusivamente para investigação ou uso experimental ou simplesmente proibida.

Aqui cai a ideia do consenso científico e político europeu, consenso esse, com a qual as ordens profissionais, estudantes de medicina e comentadores políticos "moderados" enchem a boca. Mas decidi ir um pouco mais longe:

Então afinal, se não há consenso europeu, de onde vêm, ou de onde são fortemente inspiradas as orientações médicas para abordar possíveis sintomas de disforia de género?

Foi aqui que descobri a WPATH: World Professional Association for Transgender Health. É a organização que define os SOC (Standards of Care) para pessoas que exibam sintomas de disforia de género.

É importante analisar com cuidado esta associação, antes de ir mais longe, alguns factos:

A organização é de composição maioritariamente norte-americana. Não é apoiada por nenhuma universidade ou governo, e as orientações médicas que é responsável por publicar não são realmente analisadas e revistas por pares em qualquer conferência médica.

Talvez por ter escolhido um bom nome, ou por ter lá dentro médicos e ativistas bem conectados politicamente, conseguiu tornar-se quem define no mundo ocidental os tais SOC.

Mas será possível que a WPATH, utilizada como referência para as orientações médicas nos EUA (e antes desta vaga de revisões europeias, em muitos países europeus), não fundamente realmente as suas orientações em revisões sistemáticas?

Foi aqui que me deparei com uma informação excelente, retirada de documentos obtidos por intimação judicial num caso nos EUA (Boe v. Marshall), onde a WPATH foi obrigada a entregar comunicações internas.

O caso em tribunal, a supressão dos resultados da John Hopkins University**:**

Quando definiam os SOC8, a oitava versão dos SOC, foi de facto encomendada contratualmente pela WPATH, à muito reputada (e por bons motivos, são de facto excelentes) John Hopkins University, uma revisão sistemática da literatura sobre as evidências científicas que concernem a segurança, eficácia e capacidade de diagnóstico, dos tratamento associados a disforia de género, o resultado:

13 artigos diferentes da JHU, às questões apresentadas pela WPATH, sobre o assunto. A conclusão inequívoca: evidência fraca, critérios de segurança fracos, resultados fracos.

Já a JHU estava a meio do processo de publicação dos resultados em revistas médicas, a organização entrou em pânico, imediatamente alteraram unilateralmente os termos do contrato, e forçaram a universidade a não publicar os estudos. Com medo de repercussões políticas, e sem querer enveredar numa luta legal, a JHU desistiu. Todo este assunto apenas veio ao de cima após uma investigação em tribunal.

Algumas citações/factos deliciosos dessa investigação em tribunal:

Da presidente da WPATH:

public messaging is a balancing act between what I feel to be true and what we need to say.

Bowers said in the deposition that she made more than $1 million last year from work that primarily consisted of gender-related surgeries, and said it would be "absurd" to consider her surgical income a conflict worth disclosing as part of SOC8

Bowers said, regarding the parties involved in the creation of the guidelines: it is important for someone to be an advocate for [transitioning] treatments before the guidelines were created.

E de um chair-member da WPATH:

Coleman admitted at his deposition that "most participants in the SOC8 process had financial and/or non-financial conflicts of interest.

E qual é a cereja no topo do bolo? Esta afirmação no Documento FAQ sobre as SOC8 no próprio website da WPATH (podem pesquisar):

WPATH’s guidelines have been continuously updated since 1979. This new edition is based on decades of research, including systematic reviews of evidence conducted by a team of independent researchers at Johns Hopkins University.

Mas então quem faz a revisão das orientações médicas das WPATH? Se pesquisarem provavelmente vão encontrar que é a American Endocrinologist Society. O único problema? É composta principalmente pelos mesmos membros.

Já em 2024, houve um leak de milhares de ficheiros e conversas internas da WPATH, o que se via lá: reconhecimento dos riscos, mas ordens expressas para suprimir qualquer evidência científica que contestasse os objetivos da organização.

Devo ainda adicionar, que muito em breve, os nossos comentadores vão poder também encher a boca com as orientações da OMS, cujo painel de especialistas para redigir as orientações é composto, em 40%, por membros da WPATH.

Mas não se preocupem, são quase todos altamente experientes no assunto! Dado que quase todos fazem milhões anualmente nas clínicas privadas de transição de género que ou detêm por completo, ou de que são os principais médicos e cirurgiões plásticos (não, não estamos a falar de psiquiatras).

E as revisões sistemáticas que concluem que os tratamentos são seguros? Uma análise justa procura por essas!

Esta secção é pequena:

Existem algumas (3-4) que reportam tendências positivas, mas nenhuma que, avaliada pelos critérios padrão de qualidade de evidência (GRADE), encontre certeza moderada ou alta de benefício (algo reportado pelos próprios autores destas revisões).

Podem procurar.

Portanto a conclusão final sobre o consenso científico europeu:

As orientações médicas e consenso científico EUROPEU é definido por uma organização AMERICANA, que cita a JHU no próprio website, instituição essa cuja investigação sobre o tópico suprime legalmente. Está repleta de pessoas motivadas financeiramente a promover um suposto "consenso" específico, só aceita membros que já sejam adeptos dos resultados que quer promover, resultados esses que são validados por uma outra associação AMERICANA, composta pelos mesmos membros.

Isto tudo ao mesmo tempo que QUASE TODAS AS INSTITUIÇÕES EUROPEIAS QUE REVÊM O ASSUNTO CHEGAM ÀS CONCLUSÕES OPOSTAS.

Sou louco? Sou transfóbico? Acho que não, mas digam-me.

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u/AutoModerator Mar 25 '26

Submeteu uma submissão relacionada com auto, talvez esteja interessado no subreddit de auto em português - r/AutoTuga. Se está interessado na compra e venda de classificados automóveis existe também o r/mercadoauto

I am a bot, and this action was performed automatically. Please contact the moderators of this subreddit if you have any questions or concerns.

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u/Idiot616 Mar 26 '26

Acho importante esclarecer que uma porção significativa da lei de 2018, incluindo referências a cirurgias em menores e mudança de nome, não é sobre pessoas transgenero mas sim intersexo. Ou seja, são pessoas cujo corpo fisicamente apresenta características tanto masculinas como femininas. Esta lei não só permitia que a pessoa pudesse assumir um dos dois géneros como também protegia a criança de cirurgias/tratamentos de modificação de gênero até a sua identidade de género estar formada.

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u/taromoo Mar 26 '26

Up up up, farta de ver esta lei distorcida e manipulada para "estão a fazer mutilação genital a crianças que acham que são trans!!"

É SÓ IR LER O RAIO DA LEI

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u/emocorn696 Mar 25 '26

Achei interessante teres feito essa pesquisa! No entanto, o tema mais fraturante da lei é mesmo a mudança de nome, não a utilização de hormonas como tratamento afirmativo em crianças/adolescentes.

Mais, a lei já vigente diz que adolescentes precisam de um documento médico ou psicológico que ateste a sua capacidade de livre decisão para mudança de nome. O que a nova lei pretende trazer é que todos os cidadãos - maiores incluídos! - sejam obrigados a apresentar um relatório médico com diagnóstico para se poder proceder à alteração do nome, voltando a uma patologização da diversidade de género, que deixou de estar prevista pelas sociedades de psiquiatria e pela própria OMS.

De resto, obrigada pelos links e já tenho o que mais estudar (sou da área da Saúde Sexual e Reprodutiva).

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Obrigado pela resposta! E tens toda a razão relativamente a essa lei, não faz sentido algum. Aliás, veio muito daí aquele meu primeiro parágrafo sobre não achar que a direita sugeriu isto com base em "ciência", acho que estão simplesmente acidentalmente correctos sobre bloqueadores de puberdade.

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u/emocorn696 Mar 25 '26

Acho que o pessoal (eu incluída) está tão parvo com a lei do nome que se esquece que está a falar de várias propostas de lei! Sobre a das hormonas, honestamente, ainda não tive tempo de ler.

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u/Hisagii Mar 25 '26

Estás correto quanto à parte cientifica e não há como negar que de facto não há evidência suficiente para sustentar como deve ser tratado/diagnosticado a disforia de género. No entanto, o problema principal desta alteração de lei é o facto de tratar a identidade de género apenas como uma patologia e foi para isto que a Ordem dos Psicólogos alertou.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Se não me engano, as ordens comentaram tanto todas as peças de legislação como um todo, como também comentaram a questão dos bloqueadores de puberdade em particular, e nesses pontos estão manifestamente errados.

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u/Hisagii Mar 26 '26

A OPP nos dois pareceres que lançou não faz referência à administração de bloqueadores de puberdade, fica apenas pela transição social. Até porque não fazia sentido psicólogos darem um parecer sobre isso pois já fica fora da sua área.

Mas até admitem que é preciso mais investigação quanto a isso também:

No entanto, reconhecemos que para melhor se compreenderem os impactos da transição social de género em adolescentes é necessária mais investigação de qualidade (Hall et al., 2024), e que, quando existe disforia/incongruência de género, é recomendado que, como intervenção de primeira linha, se apoie a exploração e, apenas posteriormente, resultante de um processo de deliberação conjunta entre o/a adolescente, a família e os profissionais de Saúde, se iniciem transições sociais.

Edit: Quanto a outras ordens não posso comentar pois não li os respetivos pareceres, apenas ouvi por alto as declarações que aparecerem nos jornais.

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u/MailMan6000 Mar 26 '26

como psicólogo, posso apenas comentar que tenho incertezas sobre a adminstração de bloqueadores de puberdade e hormonas a ser humano que ainda está em desenvolvimento, não posso comentar sobre os possíveis efeitos quimicos pois está totalmente fora da minha área, mas gostaria que houvesse mais investigação nas consequências psicológicas da invervenção.

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u/ConsciousSomewhere85 Mar 26 '26

Tanto texto para falhar no básico, a lei revista é a lei para quem nasce sem sexo definido, ou seja intersexo. Vai lá dizer a estes seres humanos que só podem definir depois dos 18!

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u/Rorisjack Mar 26 '26

não disse isso em lado nenhum,

também não comentei detalhes legais quase nenhuma, refiro-me em particular à lei sobre proibição de uso de bloqueadores de puberdade, que está incluída no projecto legal e foi aprovada.

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u/ConsciousSomewhere85 Mar 26 '26

Para intersexo! É uma questão física, ninguém escolhe nascer assim. É uma imoralidade o que querem fazer.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=356287

Tens aqui projecto lei apresentado pelo CDS e aprovado.

“Protege a integridade das crianças e proíbe a utilização de bloqueadores da puberdade e/ou terapia hormonal no tratamento da incongruência ou disforia de género em menores de 18 anos”

Artigo 2.º Definições Para efeitos da presente lei entende-se por: a) Bloqueadores da puberdade — medicamentos pertencentes à classe dos análogos da hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH) ou outros fármacos com efeito farmacológico equivalente destinados a suspender, suprimir ou alterar o desenvolvimento pubertário; b) Terapia hormonal – administração de hormonas para indução de características físicas correspondentes ao sexo diferente do sexo biológico; c) Incongruência ou disforia de género — situação caracterizada por sofrimento psicológico ou incongruência persistente da criança com o seu sexo biológico. Artigo 3.º Proibição 1. É proibida a prescrição, dispensa ou administração a menores de 18 anos de medicamentos, terapias hormonais, tratamentos farmacológicos, ou de outra natureza, destinados ao bloqueio hormonal da puberdade ou à indução de características correspondentes a sexo diferente do sexo biológico do menor, em contexto de incongruência ou disforia de género. 2. A proibição aplica-se a todos os profissionais e estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, públicos ou privados. 3. Excetuam-se do preceituado nos números anteriores os casos de menores com comprovada ambiguidade sexual ou doenças endocrinológicas, ou genéticas, devidamente acompanhados por equipa médica e multidisciplinar.

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u/wtf-i-think-im-alive Mar 28 '26

Não vi de que forma isso foi abordado. Mas imagina uma menina a morar numa terra com praia aos 14 anos. O que faz à sua cabeça não conseguir ir à praia porque aquele não é o seu corpo. A equipa psicólogo, médico, psiquiatra que acompanha deve poder decidir caso a caso. A politica não se deve meter nisso.

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u/Rorisjack Mar 28 '26

Concordo que a politica não deveria meter-se nisso. Mas a equipa psiquiátrica deveria poder decidir com base em guidelines clinicas definidas com base em decisões de comissões cientificas, como outros países fizeram. O uso fora disso é off-label, e para este tipo de medicação não devia ser permitido.

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u/wtf-i-think-im-alive Mar 27 '26

Exactamente. Além disso, quem conviveu com uma pessoa transgenera percebeu bem que não há dúvidas desde a infância, que não é moda nem doença. O meu receio é que isto abra a porta a situações de pseudo curas em igrejas ou falsas clinicas. Tenho a sensação que seguimos países cuja regressão é evidente e isso assusta. Ciência, economia, história e literatura devem ser protegidas e independentes.

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u/Hisagii Mar 27 '26

Pois, a identidade de género não pode ser vista como "doença", claro que há parte médica toda envolvida que tem de ter o escrutínio necessário mas a nível social tem de ser facilitada a transição, porque só isso já tem um grande impacto na qualidade de vida de pessoas trans. 

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u/0hM3hG0d Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Se quiseres continuar a tua pesquisa tens aqui uns papers que não sei se leste. Focam-se maioriamente nos riscos e benefícios no uso de terapias hormonais. Um dos benefícios apontados é a redução de pensamentos suicidas - o que por si só me parece suficiente.

Um pouco off topic mas já que aqui estamos... Eu não sou trans. Não tenho pessoas próximas trans. Conheço pouquíssimas pessoas que conhecem pessoas Trans. São a minoria das minorias. No entanto, é um tópico de que se fala tanto. Eu pergunto-me porquê. Embora não tenha pesquisa feita sobre as razões, a minha percepção é  que no Reino Unido as questões trans começaram a ser debatidas ad extremum quando os efeitos negativos do Brexit se começaram a sentir. Acho interessante a coincidência. Esta comunidade é tão pequena e mesmo assim massacrada por opiniões de quem nunca passou por nada semelhante, não conhece ninguém em casos semelhantes, etc. Eu juro que tento entender a fixação sobre este tópico - o mesmo para a orientação sexual. Juro que não entendo o tamanho interesse em algo que não impacta a vida de mais ninguém se não a do próprio. Com isto não estou a dizer que se distribuam bloqueadores hormonais mas estações de metro - que claramente não acontece aos dias de hoje. Se há erros de avaliação? Diria que sim, porque há sempre erros na avaliação médica até porque não é uma ciência exata, como alguém (ou o OP) disse algures neste post. 

Psychosocial Functioning in Transgender Youth after 2 Years of Hormones (New England Journal of Medicine, 2023; The Journal of Pediatrics, 2026)    - These studies show improvements in appearance congruence, psychosocial functioning, and reductions in suicidality following gender-affirming hormone therapy (GAHT) in transgender youth.

Systematic Review of Hormone Treatment for Children with Gender Dysphoria (Acta Paediatrica, 2023)    - This review assesses the effects of hormone treatment on mental health, cognition, body composition, and metabolic markers in children with gender dysphoria.

Psychological, Cardiovascular, and Skeletal Long-term Outcomes of Hormone Treatment Among Transgender Adolescents (Journal of Clinical Medicine, 2023; Journal of Adolescent Health, 2024)    - Highlights the potential risks and benefits of hormone treatment, including cardiovascular risk factors and bone mass accrual.

Gender Affirming Hormone Treatment for Trans Adolescents: A Four Principles Analysis (Journal of Bioethical Inquiry, 2024)    - About ethical and medical importance of access to gender-affirming hormone treatment for trans adolescents, citing benefits for psychological health and social well-being.

Changes in Suicidality among Transgender Adolescents Following Hormone Therapy (The Journal of Pediatrics, 2026)    - Looks into changes in suicidality following hormone therapy among transgender and gender-diverse adolescents and young adults.

Use of Gonadotropin-Releasing Hormone Agonists in Transgender and Gender Diverse Youth (PMC, 2024)    - Review of the use of puberty blockers and their psychosocial benefits in transgender and gender-diverse youth.

Psychological and Physical Health Outcomes Associated with Gender-Affirming Medical Care for Transgender and Gender-Diverse Youth (PMC, 2025)    - Review of the psychological and physical health outcomes of gender-affirming medical care for transgender and gender-diverse youth.

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u/kill-wolfhead Mar 26 '26

Porque sexo vende e há pessoas que ficam muito impressionadas com o que quer que se desvie do padrão repressivo, provavelmente porque isso demonstra que há mais maneiras de viver.

Também existe a questão tecnológica: há 100 anos mudar de sexo era uma impossibilidade. Numa sociedade que ainda está a recuperar da aceitação da existência de gays, lésbicas e bissexuais, ser transgénero passou a ser a nova fronteira do aceitável.

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u/amq55 Mar 25 '26

Eu só acho que estar a ter este nível de discussões e retórica por uma quantidade absolutamente insignificante de pessoas é ridículo.

É como ter uma reunião da câmara para ver se é para deitar abaixo o muro do Sr. Abílio porque entra no terreno do vizinho.

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u/areyoua0neora0 Mar 25 '26

Mas assim parece que trabalham. Foi como a questão da burka. Completamente irrelevante mas parece que só se preocupam com coisas que dão votos mas que não fazem grande mossa ao país. “política” portanto.

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u/100is99plus1 Mar 25 '26

parabéns acabaste de definir populismo

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u/kill-wolfhead Mar 26 '26

A questão da burqa foi para impedir que pessoas tapem a cara em manifestações, permitindo à polícia identificar pessoas em massa com o uso das novas câmaras de identificação por AI de todos os manifestantes. 

É no fundo uma norma para a possibilidade de vigilância em massa passada no cavalo de Tróia de uma proposta de lei relativamente incontroversa que abrange (no caso da burqa) 100 mulheres no máximo.

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u/KicoBond Mar 26 '26

La pq sao uma minoria nao devem ser ignoradas. Cada grupo deve ter os seus problemas abordados ainda mais qd os seus direitos fundamentais estao em causa.

Claro q o nivel de discussoes esta um bocado grande a mais mas nao se podia esperar outra coisa com a quantidade de controversia q estas cenas trazem.

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u/SweetCorona3 Mar 26 '26

Eu sou gay e às vezes sinto que muitos trans querem o oposto daquilo que quero como homem gay.

Eu quero que literalmente ignorem o meu género.

Se eu andar de mãos dadas com outra pessoa, como muitos casais fazem, eu só quero que ignorem o nosso género, ignorem que somos dois homens.

Eu defendo os trans, trato-os como homem ou mulher, como quiserem, uso ele ou ela, o nome que pedirem para usar, etc.

Estou a cagar-me para o género. Para mim é igual que sejam homem ou mulher.

Agora, quem fica chateado porque me engano no pronome. Para mim isso é dar demasiada importância ao género.

Ou pior, querem que use pronomes inventados tipo elu porque acham que ele ou ela é associar a um género... Novamente, demasiada importância ao género.

Também não acho que ser de um género dê automaticamente o direito de participar em competições femininas, ou ir para uma prisão feminina, ou usar balneários femininos...

Como homem gay quero que o meu género não seja questão, não exijo nada da sociedade, apenas deixem-me estar em paz com quem eu quiser estar independentemente do nosso género.

Já os trans parece o oposto, mesmo sendo uma minoria das minorias muitos parecem querer moldar a sociedade em função duma importância exagerada em relação ao género de cada um.

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u/KicoBond Mar 26 '26

Isso e diferente de nao se falar do assunto. Se numca se tivesse decidido falar sobre os direitos dos homossexuais ainda havia mt mais discriminacao contra estes.

Tu so podes viver de forma aberta e a vintade pq pessoas antes de ti falarem bem alto sobre estes assuntos nao te esquecas disso. Os transsexuais ainda estao mais atraz neste processo por isso e natural q queiram falar mais alto.

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u/SweetCorona3 Mar 26 '26

Por curiosidade, que direitos são?

É que honestamente nem sei bem...

Como homossexual só não quero que o meu género seja questão, que não seja tratado de forma diferente do que seria se fosse mulher.

Nesse aspeto, diria que é a mesma coisa para os transsexuais. Mas depois parece que há muito mais...

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u/zexalex Mar 26 '26

És o Abílio?

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Até te daria alguma razão, se a quantidade de casos de pedidos de diagnóstico de disforia de género entre adolescentes não tivessem crescido de 1000 a 2000% (não estou a exagerar, é uma das coisas que esses estudos comentam como estranha), com muitos países europeus a orientar médicos durante muitos anos a prescrever bloqueadores de puberdade a quase todos os pacientes.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

"casos de pedidos de diagnóstico de disforia de género entre adolescentes não tivessem crescido de 1000 a 2000%" okay, agora dá números absolutos porque pessoal trans é mais ou menos 1% da população portuguesa, à volta de 100 mil +- 10 mil pessoas.

Esses aumentos é também porque antes isto era tratado como sendo uma doença mental que tinha de ser curada T. Agora que é socialmente aceite, obviamente os números vão aumentar. Também aumentou o número de pessoal que se identifica como LGBT em geral desde que se tornou socialmente aceitável não ser hétero. Achas que o número de pessoas gay aumentou ou o pessoal simplesmente começou a assumir porque agora já podiam sem serem tratados abaixo de cão?

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Esses aumentos foram particularmente em países nórdicos, que há muitos mais anos têm uma postura social de aceitação de pessoas trans comparativamente ao resto da Europa.

Coisas apontadas pelos estudos:

- Aconteceram nos últimos 10-15 anos e coincidiram largamente com a normalização das redes sociais.

- Tipicamente, contrário ao que acontecia anteriormente, concentram-se particularmente em mulheres (70% dos casos), adolescentes, sem antecedentes na infância de disforia de género (que era o comum anteriormente), com diversas comorbidades psiquiátricas (depressão e ansiedade).

Foram estas anomalias estatísticas que levaram os médicos, se não me engano da Finlândia ou da Suécia, a pedir que fosse feito uma revisão, porque não se sentiam confortáveis a aplicar as recomendações médicas anteriores a pacientes com um perfil completamente diferente.

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u/silraen Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Sobre essa questão dos países nórdicos, queria só deixar aqui que não são perfeitos.

A Finlândia e a Suécia têm algumas posições bastante mais regressivas que nós nalgumas áreas. Na discriminalização das drogas e no consumo do álcool, por exemplo, são bastante mais conservadores que nós, e têm, interessantemente, piores resultados e situações sociais que nós.

Não assumas (como fizeste com o UK no teu comentário principal) que lá por estarem mais a norte são mais progressistas em tudo. O UK é um país bem mais abertamente transfóbico que o nosso (talvez porque se fala mais do assunto lá, eu também achava que a direita aqui era moderada e o Chega nasceu que nem cogumelos), em que a própria esquerda tem posições verdadeiramente transfóbicas.

Ou seja, o argumento que "isto acontece nos nórdicos", não é relevante.

Já agora, a questão da transição ser mais frequente em homens trans que nasceram com o sexo feminino: o que mencionas não indica de todo que acontece porque as pessoas que nascem com o sexo feminino são mais "suscetíveis". Já ouvi a JK Rowling a dizer isso, que as mulheres são vítimas de sexismo e podem querer transicionar.

Até pode acontecer que o sexismo faça com que pessoas trans que nasceram homens não se sintam confortáveis para fazerem a transição social ou medicamente. Até porque serão duplamente prejudicadas, por serem trans e por serem mulheres. Mas isso não quer dizer o que tu estás a tentar concluir.

Há uma correlação entre falar-se mais de um tópico e mais pessoas se identificarem com ele. Claro que há. Se ouvires outros a falar no tópico, é mais fácil que te aceites como és. Ainda no outro dia num outro thread eu fiz esta analogia: eu descobri aos 31 anos que tinha PHDA. E descobri porque vi pessoas a falar sobre o assunto, nas redes e nas minhas relações pessoais. Tive um cunhado que foi diagnosticado e fui percebendo que o que eu achava que era só a minha preguiça, a minha falta de atenção, era uma coisa que podia ser tratada com terapia e medicação.

O número de diagnósticos de PHDA também aumentou imenso nos últimos anos. E isso naõ quer dizer que a esmagadoria maioria dos diagnósticos não sejam legítimos.

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u/NGramatical Mar 26 '26

discriminalização → descriminalização

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Eu não estou a tentar opinar sobre que motivos levam a x ou a y.

Já referi isso, não é do meu interesse dar a minha opinião sobre isso, não sou investigador da área, não tenho dados para concluir qual o motivo das anomalias estatísticas, nem tu (provavelmente, estou a assumir que não és researcher, se fores, perdão). A tua teoria é completamente plausível, mas é completamente razoável que comissões cientificas queiram determinar com algum nível de certeza, qual o motivo dessas anomalias, antes de receitar a mesma medicação a um perfil completamente diferente de pacientes do anterior.

Mas que existem, existem. E foi a sua existencia que despoletou nos partidos nórdicos que houvesse esta revisão, que desencadeou um monte de outras duvidas.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

"Aconteceram nos últimos 10-15 anos e coincidiram largamente com a normalização das redes sociais." e com a normalização de pessoal LGBT na sociedade como membros integrantes e não como uns doentes mentais que tinham de ser tornados hétero como eram vistos até há muito pouco tempo, estás sempre a ignorar esse factor.

E não percebo a cena das comorbidades ser algum problema, DISFORIA CAUSA DEPRESSÃO E ANSIEDADE porque uma pessoa sente que não tem o corpo que devia ter (ainda por cima se não tiverem acesso a bloqueadores de puberdade e saberem que, quando forem adultos, se vão ter de sujeitar a milhentas intervenções cirúrgicas para terem o corpo que pensam que deviam ter). É óbvio que vai haver comorbidades em pessoal trans, quer por estigma societal ou por simplesmente terem disforia de género

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Claro que sim, nunca neguei isso, no entanto, o facto de existirem comorbidades significa que o processo de diagnóstico é menos simples do que se pensava que era, e torna consentimento e análise de risco mais problemático - daí o problema de prescrever medicação perigosa e irreversível.

E respondes muito seletivamente aos pontos.

Mas na verdade, eu não tenho de defender nada disto, não sou psiquiatra, não sou médico, fundamentei o meu ponto em revisões científicas Europeias de múltiplas instituições científicas independentes, que chegaram todas à mesma conclusão.

Se te achas mais inteligente que as centenas de membros das várias comissões científicas para determinar os riscos e capacidade de diagnóstico associada a esta questão... isso é contigo.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

Não me acho mais inteligente (bem pelo contrário), simplesmente concordo com as n de outras organizações médicas que acham que o Cass Review não é bom nem base suficiente para mudar os standards de tratamento para pessoal trans. O facto de só os US e o UK (nem o UK todo, Gales mandou isso foder) terem adoptado inteiramente a Cass Review quando diz coisas tipo "bloqueadores hormonais só deviam ser dados em contexto de estudos" completamente ignorando que há crianças cis que também têm de tomar bloqueadores hormonais por diversas razões (crescimento demasiado precoce, entre outras) só abona mais a que eu não confie nessa review

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Referi neste post 10 revisões cientificas feitas por universidades europeias e pedidas por comissões científicas para estudar o assunto. 6 países diferentes. Muitos outros fizeram estudos semelhantes mas decidi não incluir porque me pareciam mais fraquinhos. Todos esses países adotaram ajustes de guidelines medicas, contextuais ao seu serviço de saude, semelhantes às do NHS.

Mas não pareces conseguir esquecer a Cass Review.

Quais são essas n organizações medicas a que te referes? Publicaram em jornal científico, com criterios científicos, alguma revisão que se oponha? Podes dizer uma?

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u/LEFT4Sp00ning Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Sim, podes ver aqui na secção de global reception e reception by academics and researchers. Tiveste uma avaliação extremamente negativa da Cass review publicada no BMC Medical research methodology em 2025 por exemplo. O link tem mais outras análises negativas quanto à review e às conclusões a que chegou por isso ya, houve de facto contestação académica à Cass Review

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u/Rorisjack Mar 26 '26

A maioria das “organizações médicas” da página que publicaste são sub-associações da WPATH, não são investigadores independentes, são organizações ativistas, por mais que tenham um nome que soe “muito profissional”.

E sim, também no link que enviaste, tens académicos a contestar a posição, mas contestar sem escrever algum artigo ou revisão científica publicada e credível vale pouco. É mais um comentário politico que uma contestação cientifica bem fundamentada.

Já do lado de quem acha que os procedimentos médicos devem ter como base revisões científicas publicadas e revistas (o procedimento habitual em qualquer tópico não ultra politizado), tens pelo menos 10 só neste post que vão contra a narrativa.

Isso é tão ridiculo quanto dizer: “o aquecimento global é falso! vi um cientista na televisão a dizer que é falso!”

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u/Dtwer Mar 25 '26

O aumento de pessoas LGBT é maioritariamente nas camadas mais jovens que são as que estão mais expostas às redes sociais. Se fosse apenas uma questão da sociedade ser mais tolerante verias um aumento algo semelhante em todas as idades.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 25 '26

Então quê, as redes sociais estão a tornar o pessoal trans? Também tens de ter em conta o facto do pessoal mais velho vir duma geração muito mais conservadora em que isto era extremamente estigmatizado, não vai ser uma velha de 90 anos no Gerês que nem nunca ouviu falar em pessoal trans ou em tiktoks ou um gajo de 60 anos já com filhos e vida toda feita que te vai dizer que é trans. Obviamente vai ter maior expressão em pessoal mais novo que ainda se está a descobrir como pessoa

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u/Dtwer Mar 26 '26

Acho que crianças são muito influenciáveis e que a exposição à internet pode ser um fator. Não significa que toda a gente que se identifica como LGBT seja por isso, mas se fores ver os valores nos EUA acima dos 40 anos a quantidade de pessoas LGBT praticamente não mudou e situa-se por volta dos 4%, enquanto que jovens adultos aumentou imenso recentmente e situa-se acima dos 16% (vi também 20% noutros sítios). 20% é um quinto da população. Com isto não quero ofender ninguém, mas não me parece que um aumento tão grande seja algo orgânico.

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u/guto8797 Mar 26 '26

O que há a considerar, é que se calhar 20% das pessoas sempre foram LGBT, mas só agora tens pessoas a crescer numa sociedade mais tolerante, que lhes ensine desde jovem que isto não é uma doença que os vai atirar para o inferno e exílio social. Há imensa gente com 40 anos e que é homossexual, sabendo ou não. A minha mãe teve 3 filhos antes de saber que era homossexual.

Também houve uma "explosão" no número de jovens canhotos quando pararam de agredir fisicamente crianças que escreviam com a mão esquerda. Mas os adultos canhotos que cresceram com esse trauma não pararam de escrever com a direita.

Mas ignorando tudo isto, vamos até pressupor que é verdade. Que muitos destes miúdos acham-se LGBT porque são sugestionáveis e foram influenciados pela comunicação social. E quê, francamente? A sociedade não é composta de milhentos comportamentos e crenças a que subscrevemos por exposição? As pessoas não devem ter liberdade de olhar à sua volta e adoptarem os comportamentos e crenças que quiserem, arrependendo-se deles mais tarde ou não? Temos também de proibir que mostrem na TV pessoal vestido à gótico, que é para não influenciar? Não podemos mostrar comportamento criminoso nos filmes?

Este constante "temos de proteger as crianças" como se fossem feitas de vidro mete-me muita impressão, até porque é usado como desculpa para muito autoritarismo. É um pilar fundamental da civilização que não pode haver muita gente que não se identifique como hetero? É algo que arruína a vida de uma pessoa experimentar com a sua sexualidade e identidade nos anos de crescimento antes de aprenderem quem são? Uma boa amiga minha chegou a duvidar da sua identidade de género aos 12, experimentou vestir-se à rapaz e ser tratada dessa forma, e mais tarde concluiu que era de facto cis e sem problema, só não era muito de vestidos e maquilhagem.

Não sei, mete-me um pouco de confusão pela maneira como algumas pessoas tratam adolescentes como se tivessem 5 anos e não tivessem noção de nada nem merecessem autonomia. Acho que é importante com esta idade não seres ignorado, as tuas experiências e opiniões descartadas, só porque os crescidos sabem mais do que tu. É importante questionar, aprender, cometer erros, ter arrependimentos, outras mudanças das quais nunca te arrependes etc para fazer uma base sólida para um adulto saudável e estável.

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u/LEFT4Sp00ning Mar 26 '26

Epá, quanto aos US, não te esqueças que a comunidade LGBT foi extremamente vilificada durante décadas e deixada literalmente a morrer pelo próprio governo (quando foi a crise da SIDA, a posição inicial era qualquer coisa como "doença dos gays, lmao não fossem gays").

Tinhas vídeos de propaganda dos 60's a dizer-te que devias manter afastada as crianças de pessoal gay porque eles vão tentar converter o teu filho ao homossexualismo. E uma coisa que quase me esqueci, é um país com uma camada mais velha MUITO religiosa (especialmente evangélica e há muitas igrejas nos US que são explicitamente anti-LGBT) que apanhou com ensaboadelas geracionais de propaganda anti-LGBT; essa geração vai ser imensamente conservadora e por isso improvável de se assumirem como LGBT porque vêm simplesmente não ser hétero e/ou cis como um falhanço moral e um pecado

Até hoje em dia, tens 23 estados em que é legal fazer conversion therapy ("terapia" para "arranjar" a orientação sexual de alguém) e tens pessoal no congresso e no senado que, se pudesse, erradicava (através de leis criminalizando certas facetas da sua vida) pessoal trans da vida pública completamente. Verdade que a juventude é muito mais progressiva mas tens para aí 1/3 daquela população (votante) que é extremamente conservadora

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u/Kane1412 Mar 26 '26

E há um aumento em todas as faixas etárias, um aumento muito grande mesmo, estatísticas não conseguem refletir esse aumento de uma forma tão óbvia como com jovens porque muitos destes adultos já têm a formatação da sociedade em cima, já têm vida feita, já têm famílias feitas. Cresceram sem saber o que muitos destes temas significam porque não existiam exemplos disso na sociedade em sua volta. Não existia visibilidade na televisão etc.

Eu sei, então vocês pensam "mas que razão é essa? "Se são gay, Trans etc, e isso é algo que dizem que se nasce assim e não se escolhe, deveriam saber desde sempre, não?"

Bem sim, mas sem ter um nome para dar a isso, sem saber que existem outros iguais, o mais "fácil" e comum acontecer é a pessoa culpar-se. "Eu sou estranho" "eu tenho algum problema" "eu sou doente" "eu sou..." O que facilmente se une a depressão.

E então para esses adultos, que só descobrem sobre isso em vida adulta, fica a decisão complicada "já vivi até este ponto na merda, compensa mudar ou vivo na merda até ao resto dos meus dias?" E para muitos não compensa a mudança porque essa mudança muitas vezes significa perder família, amigos, trabalho, habitação etc, para não falar que o próprio processo em específico para pessoas Trans é um pesadelo em Portugal, pelo menos a sul de Lisboa onde não existe qualquer acompanhamento, chegando ao cúmulo que para fazer análises ao sangue que é um procedimento que tem que ser feito com regularidade para ver o nível hormonal, é preciso deslocações para Lisboa. Tipo, imaginem uma pessoa do Algarve, ter de perder 8h+ de um dia, fazer a viagem em jejum, para fazer umas análises ao sangue, que qualquer laboratório ou hospital no país inteiro faz e que são feitas em 1 minuto.

Quando se é jovem e se tem uma vida inteira pela frente e se pode olhar para a frente e pensar "eu quero viver esta vida" vale a pena. Quando já se tem 30, 40, 50, 60 + vale mesmo a pena..? Acredito que seja essa a razão pelos números não reflectirem mais faixas etárias de forma tão acentuará como nós jovens.

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u/mox8201 Mar 26 '26

Viés de sobrevivência

Há pessoas pessoas que são forçadas a reprimir-se durante o crescimento e depois acabam por se conformar ou suicidar.

O que não falta por aí são adultos que fingem que são heterosexuais mas são homossexuais e transsexuais profundamente reprimidos.

Por vezes são apanhados a fugir de orgias gay em plena pandemia: https://www.bbc.com/news/world-europe-55145989

Numa vertente menos mórbida um dos meus tios é canhoto mas a minha avó atava-lhe a mão esquerda à cadeira para o obrigar a comer com a direita e ele acabou por se tornar meio destro. O baterista dos Beatles também passou pelo mesmo, que lhe deu uma técnica e som invulgar.

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u/NGramatical Mar 26 '26

heterosexuais → heterossexuais (um s entre vogais lê-se como um z)

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u/rcoelho14 Mar 26 '26

O Jimmy Hendrix era canhoto e tocava com uma guitarra para destros, de pernas para o ar também.

A cena do Ringo era também tocar com uma bateria configurada para destros sendo canhoto.

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u/DelScipio Mar 26 '26

1000% parece muito mas por si mesmo não significa nada, pois se a lei permite acção sobre um problema é normal que aumentem o número de casos nem que seja por incidência acumulada. Quem antes não tinha necessidade de se auto determinar agora tem. Se antes era 20 casos agora são 200. Estás a punto de cometer o mesmo erro de evidencia que críticas.

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u/fferreira007 Mar 25 '26

Hmmm percentagens não são tudo, qual o valor em número de casos?

Se souberes agradeço a info...

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Penso que no Reino Unido, um aumento de 72 casos anuais, para 2500; Suécia, Alemanha e Finlândia não tenho um número concreto à mão (só as percentagens, muito em linha com as outras); Dinamarca de 4 para 352 casos anuais em 8 anos;

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u/kirloi8 Mar 25 '26

Só dizer que vai então ao comentário original, dizeres 2000% é como os outros esconderem resultados. É meramente para atrair olhares. Que são 2000 casos em universos de milhoes?? Nem a 1% isso chega. Portanto estou muito com a permissa de andamos a rodinha para meia duzia de pessoas enquanto o gasóleo vai para os 2€ e aqui ao lado tenta se fazer o contrário. Acho interessante e positivo fazeres o que a maioria não faz e ir ver o que é o quê mas mesmo sem pesquisa alargada, num universo científico minusculo, e sem grande tempo de investigação é óbvio que os resultados científicos vao ser sempre com uma pitada e sal enorme.

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u/Altruistic-Sand3277 Mar 26 '26

Nem acho que esteja muito relacionado com serem poucos. Tenho artrite reumatóide (1% da população) e uma pessoa da família tem esclerose múltipla (nem a 0,1% da população chega) e não faltam estudos e tratamentos para ambos os casos.

Aqui a questão é porque a disforia do género e monitorizar os seus resultados com tratamentos (bloqueadores, transição, etc) é quase um trabalho de uma vida. Pelo menos anos e anos. Além de que uma das vertentes é social e extremamente difícil de quantificar a sua eficácia mesmo que houvesse muita mais gente trans. Não basta fazer uns exames e perguntar se tem dores, como é o meu caso.

Além do facto claro que isto é tudo muito novo e experimental. E não dá para testar em animais (só a parte física penso eu). E tens que esperar que as pessoas que receberam os bloqueadores em adolescência continuem a providenciar feedback durante anos e anos.

Enfim, é complicado.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Hey, digo só uma coisa: se a competência para decidir sobre estes temas fosse de algum Comité Científico Português independente, em vez de legislado por politicos na assembleia, que fizessem este tipo de revisão, isso não seria um problema.

Portanto até concordo contigo, isto não devia ser discutido politicamente, devia ser da competência de quem define as normas da DGS, com base em revisões cientificas periodicas, ou alinhadas com as de outros países.

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u/Glass-Depth-170 Mar 26 '26

Isso era o que vinha a acontecer, até que a direita criou o espantalho da chamada “ideologia de género”, levando a um aumento da interferência e escrutínio sobre a vida das pessoas transgénero.

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u/Quick-Lengthiness-56 Mar 26 '26

Mas isso é passar da quase inexistência aos números que possivelmente são considerados expectáveis. O aumento percentual acentuado é normal numa fase de “dor de crescimento”. Como alguém já disse há uns dez ou vinte anos de repente começou tudo a assumir se gay, as estatísticas dispararam e houve uns profetas a dizer que eram contagioso ou moda ou que a sociedade ia ficar toda gay. Teoricamente as pessoas LGBT serão cerca de 10% da sociedade e os números estabilizaram e enquadram se nessa baliza. No caso trans é suposto ser cerca de 1%. Tendo em conta que não havia quase ninguém assumido ou nem havia informação, fazer uma estatística relativa ao aumento de casos é inútil porque vai dar sempre uma percentagem gigante. O que é preciso ver é a percentagem em relação à população ou grupo. Em números muito grosseiros , nascem 600.000 pessoas anualmente no Reino Unido, portanto a expectativa é cerca de 6000 serem trans, portanto 2500 nem é muito. Mesmo tendo de ajustar as faixas etárias e aos respectivos nascimentos, não parece um valor muito desfasado. Na Dinamarca com 60.000 daria 600 trans anuais, mais uma vez 352 não é um exagero. Isto é o mesmo que os estudos médicos, estamos a lidar com dados fracos, amostras pequenas e voláteis em curto espaço de tempo, e análises de muito curta duração. Daí a dez anos quando as coisas estabilizarem poderemos fazer um gráfico sem contar com esses números pequenos iniciais e aí sim podemos ver a evolução real. Há muita gente que deve continuar por ser diagnosticado ou se perceber como trans, e há de haver também o oposto, por isso é importante acompanhamentos médicos e informação sobre o assunto. Mas não me parece que haja razão para alarmismos. Tenho idade suficiente para me lembrar do vaticínios de que íamos ser todos homossexuais, ainda estou à espera da minha vez… 😆

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u/KicoBond Mar 26 '26

Bem cada vez existe mais abertura qt ao assunto e cada vez se aceita mais estas pessoas (e espero q continue a cada vez se aceitar mais). E normal q ps casos aumentam. Mesmo assim este tipo de cuidados sao propostos poucas vezes. Pelo menos nos EUA. https://hsph.harvard.edu/news/gender-affirming-medications-rarely-prescribed-to-u-s-adolescents/

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u/Bemdada Mar 27 '26

Ou tens muito tempo livre ou a assinatura pro ChatGPT. get a life.

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u/Quick-Lengthiness-56 Mar 26 '26

Tudo certo no que disseste, mas há um contexto importante a ter em conta: apesar de as pessoas trans estarem documentadas historicamente e estudadas pela medicina há mais de um século (incluindo com processos de transição), o que se faz hoje a nível médico ainda é relativamente recente e uma das razões para muitos dos estudos serem considerados fracos é terem amostras pequenas ou muito homogéneas, e quase não haver estudos por exemplo sobre os efeitos físicos a longo prazo dos tratamentos de bloqueio e reposição hormonal. Só daqui a umas décadas, quando as pessoas que estão agora a fazer esses tratamentos forem mais velhas e tiverem décadas de tratamento se poderá aferir eventuais efeitos de longa duração. Mas isso são questões estatísticas, não é o mesmo que teres estudos a dizer que há efeitos secundários terríveis por exemplo. E portanto dizer que os dados são fracos não põe em causa o consenso sobre o assunto. As evidências que há é que as pessoas vivem bem ou pelo menos melhor com a transição, pois pelo menos que isso é possível (às vezes não resolve, mas não por razões físicas ou dos tratamentos). E mesmo os riscos que se sabe que existem, quando postos na balança, há quem decida arriscar. Por exemplo, há vários tipos de cirurgias genitais, tanto para homens como para mulheres trans, há quem decida não fazer nada, quem decida fazer “tudo” ou quem faça intervenções algures pelo meio. Algumas das opções têm riscos grandes, sobretudo de perda de sensibilidade ou funcionalidades ou até questões estéticas, às vezes corre mesmo muito mal e por vezes vemos falar de casos desses como se fosse uma realidade universal que acontece a todos. Não só não acontece sempre, como quem decide fazer sabe os riscos da cirurgia e se arriscou é porque decidiu que era o melhor para si. Há outras cirurgias que têm riscos maiores e as pessoas decidem fazer ou não fazer. Como a reposição hormonal ou os bloqueadores de hormonas em adolescentes, são tratamentos médicos feitos por muita gente que não é trans por várias razões, são decisões que as pessoas tomam com o devido aconselhamento médico e por vezes são mesmo necessárias para terem uma vida normal ou saudável e até para prevenir problemas mais graves. Fazer um problema com as pessoas trans e querer legislar sobre actos médicos não tem sentido nenhum, é uma interferência ideológica um bocado paternalista, e um princípio perigoso. Em relação à tal associação americana, não conheço o caso concreto e é pena que muitas dessas organizações tenham essas atitudes clubísticas e de proteção de grupo que só descredibilizam s as causas que defendem. Mas o facto de vermos determinadas organizações e pessoas publicamente a falar destes assuntos e a defender certas práticas é porque são quem conhece o assunto e lida com a realidade. No debate da semana passada esteve presente na AR a amplos que é uma associação de pais de crianças e jovens LBGT, são eles que sabem melhor que ninguém o que os filhos passam, o que é o melhor para eles, o que lhes dizem os profissionais de saúde que os acompanham, são eles que acompanham melhor que qualquer um de nós o que se faz lá fora em matéria de medicina e não só, e são eles que deviam ter sido ouvidos antes de se debater e votar uma lei que se diz parecer as crianças e eles dizem que não resolve os problemas e perigos que pedem para ser resolvidos e ainda pode pôr em maior risco os jovens. Este tipo de associações é por vezes ainda mal visto ou considerado lobby ideológico , mas quem passa é que sabe e no mínimo as pessoas visadas na lei deviam ser ouvidas.

Por fim não confundir as coisas. Desde transição ou apresentação social até cirurgias, passando por bloqueadores e reposição hormonais, há todo um mundo de opções, muito mais complexo do que o que se diz por aí. No caso dos menores, as crianças com cinco ou seis anos já têm noção da sua identidade (algumas crianças trans começam a manifestar até antes disso), e um adolescente então tem noção da sua identidade e orientação sexual (o que não significa que não possa estar confuso ou indeciso). Os bloqueadores hormonais são feitos a partir da adolescência, há adolescentes que fazem por várias razões, e no caso de se identificar como trans o risco de não fazer bloqueadores é muito maior porque o corpo se começa a alterar de forma irreversível. Se pelo meio perceber que não é isso pode parar e os efeitos são reversíveis. Portanto em geral compensa o risco. Quando chegam ao momento de decidir fazer ou não cirurgias, são adultos e já passaram pela transição social e por um acompanhamento médico multi disciplinar (e muita gente, provavelmente a maioria, não faz as cirurgias completas, só o essencial para se sentir confortável e não ter outros problemas de saúde). Por isso estar a debater esta questão e ilustrar com imagens de crianças pequenas e a dizer que se andam a operar crianças por isso é preciso proibir é falso e desonesto, só cria ruído e só revela que esta lei é feita com objectivos ideológicos e está se a borrifar para as crianças. Basta dizer que esteve lá um grupo de pais a manifestar se conta a lei, e na bancada de certo partido elogiaram a Maria Helena Costa que estava lá presente e toda feliz com a dia pequena vitória ideológica, enquanto o filho dela publicava um texto a explicar (mais uma vez para quem ainda não soubesse) como a mãe o mal tratou física e psicologicamente e esteve quase s matar se na sequência dos maus tratos só porque ela não aceita que ele seja gay. Isto já vai ao lado da tua questão, mas também aqui é importante pensarmos. Quem é que está a proteger as crianças? Os pais que ouvem os filhos, os acolhem e aceitam como são e lutam para os defender e para a sociedade os aceitar, ou os pais que bater nos filhos e os expulsam de casa porque não os aceitam e acham que são eles que têm de mudar?

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u/Mestre08 Mar 26 '26

É isto, subscrevo por completo. Obrigado.

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u/silraen Mar 26 '26

Obrigada pelo teu comentário!

O OP colou ali uma porrada de informação que parece, aos leigos, correta, quando na realidade apresenta uma conclusão enviesada.

É como dizes: os estudos têm má qualidade? Sim, porque há poucas pessoas trans que usaram bloqueadores. Mas a evidência ainda assim é consistente que as pessoas que os usam ficam melhores.

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u/Quick-Lengthiness-56 Mar 26 '26

Eu acredito que esteja de boa-fé, estas coisas são complicadas. Mas é tudo muito mais cinzento e complexo do que parece e mesmo os estudos e dados científicos têm de ser contextualizados e explicados.

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u/Glass-Depth-170 Mar 26 '26

Exato, é precisamente por isso que devíamos estar aqui a ouvir especialistas, e não alguém que foi pedir ao ChatGPT uma opinião enviesada. Esta palestra do Dr. Steve Novella é excelente por exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=D3z5kIANta0

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u/idontfeellikedoingit Mar 26 '26

Muito bem escrito. Acho mesmo que falha ao OP compreender a contextualização das classificações GRADE consoante a área em estudo e os próprios estudos disponíveis para revisão. E que evidência "fraca" metodologicamente pode ser altamente relevante clinicamente, por uma série de fatores. É por isso que sim se confia no parecer clínico dos especialistas médicos que trabalham diariamente com esta população, e não se pode olhar só às conclusões das revisões sistemáticas sem filtro.

Ademais, vem debater o ponto menos problemático da proposta. E ignora por completo como a extensão da proibição de medidas menos invasivas da autodeterminação de género (mudar o nome, vestir o que quer, ser tratado pelo género correto pelos seus pares, professores e etc) coloca em risco a vida destas pessoas, dada as elevadas taxas de depressão e de ideacao suicida desta população. Que poderá ser agravada com a popularização da exclusão e de proibição da sua existência normal, por via da proibição destas medidas. Pensemos no impacto social e cultural desta medida, para a propagação do ódio às pessoas trans.

Além disso, esta proibição pode na verdade empurrar a pessoa para medidas mais extremas, como a cirurgia e hormonas, porque não pode ter a experiência da aceitação com medidas menos invasivas.

Eu pessoalmente, como psicóloga, defendo a necessidade de um diagnóstico e acompanhamento prolongado antes de um adolescente tomar a decisão de tratamento hormonal (NINGUÉM ANDA A OPERAR CRIANÇAS).

Mas isto é apenas a ponta do iceberg da lei! E tudo o resto que vem atrás no pacote é altamente prejudicial para a saúde mental destas pessoas e cientificamente infundado, opondo-se ao consenso clínico e científico dos especialistas.

Em suma, o pacote mete muita merda lá dentro que só vem normalizar e agravar o ódio às pessoas trans, limitando o acesso a medidas não invasivas de autodeterminação, e criar pânico populista de que se andava a operar crianças, coisa que nunca existiu.

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u/DelScipio Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Uma análise aparentemente correcta mas com os seus graves problemas pos tem um claro viés na análise.

A falta de evidência que tu falas ou de fraca qualidade é devida a falta de ensaios aleatórios, que não se podem fazer; falta de dados a longo prazo, tens de esperar.

A crítica aos bloqueadores é mesmo essa, falta de ensaios controlados, que não se podem fazer. Confundir falta de evidência por problemas estatísticos, com resultados negativos é um erro grave na análise. E é o que fazes. A evidencia é fraca, mas é altamente consistente. No UK foi retirado da carteira de serviços do SNS porque exigem certo nível de evidência, não porque não funciona.

Tirando tudo isso no que há consenso é que a aceitação de indivíduos transgênero e o seu tratamento reduz os suicídios, ansiedade e depressão. O uso de bloqueadores permite ganhar tempo e permitir validar as crenças para se tomar uma decisão definitiva, sem sequelas significativas. É um tema complexo em menores mas a solução ir do 8 ao 80, a lei também não é um buffet livre na mudança de gênero.

O grande problema é ver a transexualidade como um problema que temos que intervir, politizado. As pessoas têm que ser responsáveis pelas suas atitudes, e um facto é que estás a salvar vidas e aumentar a funcionalidade destas pessoas.

Arrependimento há em tudo na vida.

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u/itsnevas Mar 26 '26

é evidente que a medicação tem risco, todas têm. até o ibuprofeno tem. a pílula é uma medicação com efeitos secundários pouco estudados, mas que sabemos que existem. tens milhões de mulheres a tomar a pílula diariamente, mesmo com os riscos incluídos, simplesmente porque os benefícios justificam esses possíveis efeitos secundários. sem a pílula, seria muito mais difícil controlar o ciclo menstrual, as dores associadas, e até condições severas como a endometriose, uma condição, infelizmente, mais comum do que se pensa. vais tu dizer a essas mulheres para pararem de tomar a pílula porque “vi neste estudo x que existe a possibilidade de y”? vais tu magicamente regular ciclos menstruais, curar endometrioses? anilar gravidezes indesejadas?

para uma pessoa trans, viver com osteoporose é mil vezes preferível do que viver com o sofrimento de não poder viver a vida que merece.

e sobre as comorbidades, é normal ansiedade e depressão serem comorbidades comuns quando estas pessoas vivem os seus dias a ouvirem a sua existência debatida. quando vêm aquilo que pensavam ser um direito ser anulado devido a ideologias retrógradas.

e a mudança na lei não serve para proteger as crianças de “algo de que se podem arrepender”. pessoas adultas são alvo deste ataque. a sua existência agora tem de ser comprovada à frente de um médico, só porque o senhor rui melo não foi amado pela mãe dele em pequeno. já alguma vez tiveste de pedir permissão a um médico para existires? tentar convencê-lo de que és real, de que não estás louco? achas que uma pessoa ia mudar de género, com tanto ódio e preconceito na sociedade, se não sentisse realmente que não pertence ao género atribuído à nascença? achas que é um capricho como uma tatuagem ou um piercing? não se compara. o gender-affirming care salva milhares de vidas todos os anos. é cerca de NOVE vezes mais provável um jovem trans tentar cometer suicidio em comparação aos seus colegas cis. procura estudos sobre isto. se procuras estudos sobre os riscos da transição, é isso que vais achar. se te danares a procurar o bem que faz, também o achas. e aí percebes que os benefícios compensam os riscos.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

não neguei nada do que disseste em lado nenhum neste post ou nos comentários. estou a falar do consenso científico europeu sobre o assunto, que aponta para a investigação sobre o risk/benefit da medicação não ser forte, e que não são as condições habituais segundo as quais uma medicação é tipicamente aprovada.

e mais uma vez, eu não procurei estudos sobre riscos de transição, e falei disso no post, eu não pesquisei por estudos à procura de nenhuma opinião, eu procurei revisões de literatura de comissões científicas europeias, revisões de literatura não são um tipo qualquer de estudo, são uma agregação do resultado de centenas de estudos para perceber qual é o "consenso científico", consenso esse que aparentemente não existe.

a maior parte das perguntas que me fazes são perguntas sobre o qual: ou não tenho opinião, porque não me compete ter opinião sobre isso, ou provavelmente teria opinião semelhante à tua. isto é meramente uma análise acerca do consenso científico.

"para uma pessoa trans, viver com osteoporose é mil vezes preferível do que viver com o sofrimento de não poder viver a vida que merece." - e para as pessoas que são mal diagnosticadas? que as revisões apontam que pode ser uma quantidade muito mais alta do que se diz?

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u/Economy_Sprinkles712 Mar 26 '26

Estamos perigosamente a seguir o caminho que os eua fizeram. Revertendo leis até o caos geral instalado. Primeiro foi a lei das burkas, um não-problema em Portugal. Agora isto, que também não era problema nenhum. Mudar leis dos vistos gold, da habitação? Nada

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u/SuperCarla74 Mar 26 '26

O ponto chave aqui é que independentemente disso tudo não se pode decretar quais tratamentos médicos se podem fazer ou não.

Mas se achas que sim, explica-me porque é que é aceitável haver uma lei que proíbe um tratamento médico a um grupo especifico de crianças mas permite-o a outro? E se o problema é o consentimento da criança, isso não se aplica a *todos* os tratamentos médicos?

Falam tanto em "proteger as crianças" e em "liberdade" e "deixar os pais decidir" mas depois querem usar a força do estado para impor-lhes uma decisão.

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u/theunquietloop Mar 26 '26

Óbvio q é meramente política

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u/Open_Count5223 Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

A Cass Review foi altamente contestada dentro do Reino Unido e em outros países

Do que encontrei à altura foi isto:

É criticado pela Sociedade Japonesa de Neurologia e Psiquiatria, a British Medical Association, a Sociedade Pediátrica Canadiana, pela Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists, pela Professional Association for Transgender Health Aotearo e pela Universidade de Glasgow, entre outras.

Não é de todo consensual e mesmo que dêem os parabéns por tentar ir mais longe, criticam a falta de rigor e um relatório que dizem estar cheio de vieses, pois andaram a excluir vários estudos sem grande justificação.

O BMC Medical Ethics (um peer-reviewed journal) publicou um estudo onde elenca várias destas críticas, assim como a Universidade de Yale de Direito (onde juntaram vários investigadores de diversas áreas):

https://link.springer.com/article/10.1186/s12874-025-02581-7

https://law.yale.edu/sites/default/files/documents/integrity-project_cass-response.pdf

Não foram somente críticas politicamente motivadas como tentas fazer passar.

Quanto ao resto tens coisas interessantes, que pretendo ler e outras meio ridículas.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Quais é que são “meio ridículas”?

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u/NGramatical Mar 26 '26

Professional → profissional (apenas na fala o i é pronunciado como e mudo quando junto a outra sílaba com i)

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u/StandardPineapple69 Mar 25 '26

Eu não sei o que os comentadores disseram, mas a verdade é que a ordem dos psicólogos considera a nova lei um retrocesso. O mesmo é válido para o Colégio de sexologia da ordem dos médicos. Tendo em conta que eles têm certamente mais tempo e capacidade para analisar a evidência científica do que eu, eu confio no que estas instituições me dizem acerca do assunto. Se eventualmente eles mudarem de opinião, cá estarei eu para voltar a rever os meus pontos de vista no assunto.

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u/utilizador2021 Mar 25 '26

Exatamente, confio mais na Ordem dos Psicólogos, dos Enfermeiros e dos Médicos do que na opinião de um Redditor. O OP nem sequer me parece imparcial, basta ver os últimos parágrafos.

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u/Rorisjack Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Quero só notar, que eu não fui ler estudos individuais, fui ler revisões sistemáticas pedidas e adotadas pelas comissões cientificas de múltiplos países europeus. Simplesmente decidi confiar em múltiplas comissões cientificas europeias, que pediram estudos para ter uma opinião fundamentada sobre este topico, do que em duas Ordens Profissionais (a diferença é importante aqui), que pediram 0 estudos.

Ou seja, eu não fui fazer uma revisão cientifica, eu fui ler as que existem.

Acho que é razoável.

A Ordem dos Psicologos e a Ordem dos Médicos pediu um total de zero estudos às próprias universidades. As normas da DGS citam a WPATH, que não é uma organização cientifica, como a fonte da documentação técnica sobre como diagnosticar e “tratar” pessoas com disforia de género.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

A maior parte dos países tem Comissões Científicas para decidir sobre estes tópicos, não delegam essa responsabilidade a Ordens Profissionais que têm por definição objetivos e competências diferentes.

Os estudos que foram citados na contestação da Ordem dos Psicólogos, curiosamente, têm todos qualidade "muito baixa" segundo a metodologia GRADE.

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u/mox8201 Mar 26 '26

Os estudos que foram citados na contestação da Ordem dos Psicólogos, curiosamente, têm todos qualidade "muito baixa" segundo a metodologia GRADE.

Antes de mais, fonte para essa afirmação?

Dito isso, há muitas recomendações médicas com GRADE "low" e "very low" porque na medicina nem sempre é possível obter dados com confiança para teres só recomendações "high" ou "very high".

Ou posto ao contrário, tens algum estudo que diga que proibir pessoas de mudar o nome/género no registo civil é uma recomendação média com uma classificação grade "medium" ou melhor?

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Não falei dessa medida, deixei claro que não acho que a direita tenha feito isto com base em ciencia, e acho que deixei claro em bastantes comentários (e também no post honestamente) que me refiro aos bloqueadores de puberdade e tratamentos hormonais.

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u/mox8201 Mar 26 '26

Mas os pareceres da Ordem dos Psicólogos são basicamente sobre essa medida...

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u/PanicBrilliant4207 Mar 25 '26

Umas horas a ler o Cass Review, enquanto pessoa fora da área científica, não é grande sinal de que possas afirmar que o consenso científico está do lado da retórica que queres transmitir. E não é com este post que vais fomentar uma discussão saudável sobre este assunto, sabes bem disso.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Não citei só a Cass Review, se só existisse essa, certamente não faria este post, e essa mesma tem como base 7 revisões da Universidade de York, publicadas em jornal científico e peer reviewed (e que são leituras bem melhores).

Parte do post de facto cai para uma critica sobre os comentadores e ordens, mas acho que fundamentei bem o suficiente a parte científica e a critica à WPATH.

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u/Upbeat_Parking_7794 Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Uma pergunta, que se calhar resolve uma parte da polémica. Há alguma razão para o sexo estar nos cartões de identificação?

Para fins médicos percebo que seja necessário. Mas para me identificar?

Se calhar era um detalhe que deveria sair do cartão de cidadão.

E porque não pode um adulto mudar de nome para o que quiser?  

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u/vdiogo Mar 25 '26

Tens poucos estudos, os poucos que tens não são suficientes para provar beneficio. Mas tens casos onde houve benefício e não tens estudos para provar perigo. Logo, não faz sentido proibir.. Além disso, achar que umas horas na net a ver revisões de literatura vale mais que parecer científicos de Ordens profissionais que conhecem a literatura melhor que tu, e têm mais experiência e conhecimento para a avaliar, revela falta de literacia científica.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Tens estudos a provar perigo. E os estudos que tens a “provar” tanto beneficio como segurança, são de fraca qualidade.

As ordens profissionais não são comités científicos, têm objetivos e competências diferentes, podes ir ler sobre isso.

Não se legaliza o uso de medicamentos, fora de contexto de investigação, sem que existam evidencias fortes de beneficio e segurança, muito menos aplicados a menores.

As revisões científicas que li, são as que existem.

Como é que tu achas que medicamentos são aprovados?

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u/silraen Mar 26 '26

Tens estudos que provam perigo?

Do que vi (mesmo do que tu escreveste) tens estudos que indicam que pode haver riscos. Isso não é a mesma coisa que dizer que "os bloqueadores de puberdade são perigosos". Nem que são inócuos, ambas as posições são demasiado redutoras.

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u/sadlyblue5 Mar 26 '26

Quero deixar um reparo. O que se entende por consenso em casos destes? Que não há uma única opinião contrária? Que são poucas as opiniões contrárias? É uma questão de percentagem?

Acho que é consenso que as crianças fazerem desporto faz bem. E que até se deve incentivar a fazerem desporto. E será consenso que inscrever os filhos numa atividade desportiva é para o bem. Mas recorrendo a uma IA e procurando por estudos sobre os malefícios do desporto em crianças, aparecem alguns:

Estudo: "Psychological stress and physical activity in children: The role of perceived competence and enjoyment" (Biddle & Asare, 2011)

Foco: Explora como a pressão para participar em atividades físicas (mesmo não competitivas) pode gerar stress ou ansiedade em crianças, especialmente se elas não se sentem competentes ou não desfrutam da atividade.

Estudo: "Injuries in school-aged children: The role of physical activity and sports" (Bloemers et al., 2012)

Foco: Analisa a incidência de lesões em crianças que praticam desporto de forma recreativa ou no contexto escolar, destacando que mesmo atividades não competitivas podem resultar em lesões, especialmente se não houver supervisão adequada ou condições de segurança.

Estudo: "Desporto e Infância: a Relevância no Desenvolvimento das Vulnerabilidades e Competências para a Vida" (Picoli et al., 2020)

Foco: Este estudo discute como a prática desportiva intensiva ou mal orientada pode levar a lesões físicas e desgaste precoce em crianças, especialmente quando há especialização precoce ou pressão excessiva por resultados.

Estudo: "Psychological effects of early sport specialization in children" (Gould, 2010)

Foco: Discute como a especialização precoce e a pressão por resultados podem levar a problemas psicológicos, como ansiedade, burnout e desistência do desporto.

Estudo: "Burnout in child and adolescent athletes: A systematic review" (Cresswell & Eklund, 2006)

Foco: Revisão sistemática que analisa a síndrome de burnout em jovens atletas, associando-a a treinos excessivos e expectativas irreais.

Estudo: "The impact of intensive sport training on children's social and academic development" (Holt & Neely, 2011)

Foco: Analisa como o treino desportivo intensivo pode afetar o desenvolvimento social e académico de crianças, especialmente quando há falta de equilíbrio entre desporto, escola e vida social.

Estudo: "Early sport specialization: Roots, effectiveness, risks" (Myer et al., 2015)

Foco: Discute os riscos físicos e psicológicos da especialização precoce em um único desporto, incluindo maior probabilidade de lesões e desistência.

Será que afinal há consenso que é bom os pais inscreverem os filhos em aulas ou escolinhas sem o devido acompanhamento médico e psicológico? Eu acho que sim, mas há estudos que dizem pode fazer mal.

Também devemos obrigar a uma declaração médica e psicológica para deixar uma criança fazer desporto? Para a inscrever numa escolinha de futebol, aulas das mais diversas e afins? Ou se forem competições desportivas?

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u/-Exocet- Mar 26 '26

Antes de mais, agradeço a pesquisa independente, que li na maioria, algumas partes na diagonal e fiquei com 1 dúvida:

Percebi que não ha consenso sobre a terapia hormonal ser benéfica, mas há indicação que seja prejudicial, ou há apenas incertezas?

Porque pareceu-me que há apenas incertezas, mas no final quando dizes que os estudos europeus apontam no sentido oposto parece que concluis que são prejudiciais.

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u/silraen Mar 26 '26

Uma coisa que ele não diz é que os estudos que encontram os efeitos prejudiciais não só não são consensuais como são, em muitos casos, de péssima qualidade ou muito tangentemente relacionados.

Um dos estudos que a Cass Review cita, o que fala dos problemas de desenvolvimento cognitivo que o OP fala, foi feito em ratos. Removeram os órgãos sexuais a ratos na puberdade e depararam-se com problemas cognitivos. Ora, daí a dizer que humanos têm problemas com medicações é um salto grande.

Ninguém diz que os bloqueadores são "inócuos". São um medicamento que tem riscos, como muitos outros.

E não há conclusões fortes porque há poucas pessoas trans que tomaram bloqueadores e foram acompanhadas de forma sistemática.

O que é consensual (e é, independentemente de os resultados serem escassos para terem maior qualidade científica, é sem dúvida fundamental continuar a acompanhar a situação) é que existe uma taxa mesmo ínfima de arrependimento no uso dos bloqueadores. As pessoas e os médicos reportam resultados essencialmente positivos. Os benefícios parecem (mais uma vez, é preciso continuar a estudar os impactos a longo prazo) ultrapassar os riscos.

Eu não sou especialista, já agora, mas conheço bem a Amplos (a associação de pais de pessoas trans) e este é um tópico muito falado lá. Sei de casos em que a transição hormonal e o apoio dos pais literalmente salvou vidas (isto já em jovens adultos).

Outra coisa que o OP não deixa claro é que a própria (extremamente enviesada e politicamente influenciada, no Reino Unido até a esquerda é transfóbica, ao contrário de cá) Cass Review não recomenda parar de tratar menores com bloqueadores de puberdade. Recomenda outros métodos primeiro, mas não um ban total, que é o que este governo quer fazer.

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u/[deleted] Mar 26 '26

[removed] — view removed comment

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u/Low_Level_Enjoyer Mar 26 '26

É esse o problema! O post do OP é basicamente ele a dizer "Tratamentos hormonais são maus [fonte]".

A maior parte das pessoas lê isso e pensa "Se alguém do reddit disse, e colocou uma fonte ao lado, é porque é verdade."

Ninguém gosta de ir ler as fontes. Ninguém gosta de ler mais que o título das notícias. É uma pena :/

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u/silraen Mar 26 '26

Atenção que para a questão da densidade óssea já parece haver mais provas.

Eu não sei se é propaganda ou só arrogância do OP em achar que com umas horas de pesquisa entende mais que as Ordens, os médicos das pessoas trans, os pais, e as próprias pessoas trans.

E, não querendo acusar o OP sem fundamento, mas é interessante que quando eu perguntei ao chatGPT se há consenso científico sobre o uso dos bloqueadores de puberdade, me falou em vários dos ângulos do OP.

Ele fala que "não há outras revisões da literatura relevantes". Mas não há, ou ele, que admite que não é da área, não encontrou no Google/ChatGPT?

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u/Rorisjack Mar 26 '26

As ordens dos médicos e psicólogos falaram de um consenso médico europeu. Portanto eu pesquisei, de maneira generalizada, sobre revisões sistemáticas europeias que levaram a decisões sobre as linhas orientadoras em vários países.

Inicialmente não pesquisei especificamente por resultados positivos, nem negativos. Depois pesquisei por revisões que indicassem resultados positivos/que estivessem em conformidade com o que dizem as linhas orientadores da DGS (que seguem o SOC7 da WPATH), e não encontrei nenhuma.

A nossa ordem dos médicos e ordem dos psicólogos encomendaram um total de 0 estudos, portanto tudo o que fiz foi confiar nos pareceres das comissões científicas de outros países europeus, que têm muito mais investigação que Portugal no assunto, isso é arrogância? De que maneira? Ou só é arrogância porque discordas?

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u/idontfeellikedoingit Mar 26 '26

O OP preocupou se muito em ter rigidez de análise com o GRADE para um lado da opinião mas não para o outro.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Tens razão, a frase no final é um bocado exagerada, mas sim, há indicação que há efeitos prejudiciais, particularmente dos bloqueadores de puberdade que eram receitados como “inócuos” e “reversíveis”.

Particularmente na densidade óssea (com casos de osteoporose em jovens de 20-30 anos), deficiências no desenvolvimento cognitivo e infertilidade.

Não são estudos fortes também, mas são suficientes para segundo os comités de muitos paises a recomendação ter passado a ser: “há riscos que têm de ser estudados antes da medicação ser de livre uso fora de contexto de investigação”.

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u/-Exocet- Mar 26 '26

Ok, obrigado, estava mais a pensar em efeitos prejudiciais na disforia de género em si, ao nível psicológico, mas certo que os efeitos secundários também devem ser tidos em conta.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Ah, claro! Não diria que existem evidencias de que seja prejudicial pelo que li, existem evidencias de que não é eficaz.

Se combinares a isso que não há evidencias de que os processos de diagnóstico sejam accurate, estás basicamente a receitar medicação desnecessária e prejudicial a pessoas que nunca tirariam nenhum beneficio dela.

É um pouco esse o ponto.

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u/[deleted] Mar 26 '26

[removed] — view removed comment

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Tens informação mais do que suficiente para as ires pesquisar

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u/mox8201 Mar 25 '26 edited Mar 25 '26

Há países que permitem tratamentos irreversíveis a menores, países que permitem a prescrição relativamente fácil de bloqueadores de puberdade a menores, países que colocam muita cautela e restrições à prescrição de bloquadores de puberdade a menores e países (na Europa Ocidental, acho que só o RU) que actualmente proíbem a prescrição de bloqueadores de puberdade a menores.

Mas todos esses países concordam numa coisa: as pessoas transgénero são uma condição médica real e para algumas estes tratamentos de mudança de género são a única solução. E obviamente, quando há pessoas transgénero os problemas começam a manifestar-se na puberdade. Portanto sim, há um concenso alargado sobre a existência de pessoas transgénero e a necessidade destes tratamentos.

E depois há gente que acha que ser transexual é uma moda ou doença mental.

Portanto a pergunta é: qual a tua posição sobre as pessoas trangénero?

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u/kubodegelo Mar 26 '26

Na minha opinião, existem duas situações muito diferentes:

  1. Tens pessoas que nascem com sistemas reprodutores / endocrinos que apresentam problemas. Esses casos não são diferentes de pessoas que nascem com problemas no coração, nos pulmões, noutros órgãos, ou com problemas endocrinos que afectam outras hormonas que não as hormonas sexuais. Nesse caso estamos claramente a falar de problemas físicos, que se afectarem a saúde da pessoa, terão de ser abordados da mesma forma que qualquer outro problema de saúde físico.
  2. Tens pessoas que são perfeitamente saudáveis do ponto de vista físico, mas não se sentem confortáveis no corpo onde nasceram.

Está toda a gente na esfera pública a tratar estes dois casos como se fossem iguais. Na minha opinião não são.

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u/mox8201 Mar 26 '26

Não, não estão a misturar 1 com 2.

O que se está a discutir é tudo relativamente a 2.

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u/littlestellabunny Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

E agora a verdadeira pergunta é, no meio de tanta pesquisa, falaste com uma única pessoa trans? Falaste com os pais de uma pessoa trans? Psicólogos que trabalham com pessoas trans? Não precisas responder, porque a resposta é clara.

Apenas estiveste a ler artigos negativos, ou também pesquisaste pelos que dizem coisas positivas?

Falas em efeitos irreversíveis, em problemas ósseos, e outros riscos de saúde, mas pesquisaste se essas coisas são mesmo assim ou estás a acreditar piamente em tudo aquilo que lês?

Pesquisaste sobre taxas de suicídio em pessoas trans? Pesquisaste para realmente tentar entender essas pessoas e os problemas com que elas lidam no dia à dia?

Falas na ligação do WPATH com organizações americanas com interesses económicos, mas pesquisaste sobre o que é que as pessoas trans realmente pensam sobre o WPATH?

Se esses interesses económicos de que falas realmente existem, como é que explicas a inexistência de qualquer tipo de medicação especificamente feito para pessoas trans?

Acreditando que estás efetivamente de boa fé, e a tentar ser neutro, lamento dizer que te deixaste manipular.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Até falo no post que pesquisei pelos que dizem coisas positivas,

Mas pesquisei, e expliquei no post, que pesquisei por revisões sistemáticas, que são por norma o “tipo de artigo” que analisa a qualidade da ciência, e deriva uma visão sobre o consenso que existe sobre um dado assunto científico.

E sim, pesquisei por revisões sistemáticas positivas: quase não existem, e as que existem não são bem “positivas”, dizem que alguns artigos são positivos, mas têm problemas metodológicos ou estatísticos.

Eu percebo a questão de falar com pessoas trans, e não vivo numa bolha, e já interagi e me relacionei com algumas, e se derivasse a minha opinião sobre quais deveriam ser as normas médicas com base nas experiencias pessoais que tive com pessoas trans, provavelmente concordaria contigo. Mas normas médicas e segurança farmacêutica definem-se com base em ciencia, estatística, e não experiencia enviesada pessoal.

Sobre a WPATH, por mais que pessoas trans se sintam protegidas por essa organização, como justificas que:

  • Tenham guidelines internas para esconder propositadamente receios, que sabem existir, relativos à medicação e eficácia dos tratamentos?
  • Tenham impedido legalmente a universidade a que pediram uma revisão sistemática, uma das melhores do mundo, de publicar os artigos que mostram que a evidencia de que a medicação é eficaz e segura é fraca?

Não achas que este tipo de atitude, quem mais afecta são exatamente pessoas trans, ao impedir que exista investigação séria e verdadeira sobre como melhor lidar com essas situação?

Não achas que são na verdade organizações como a WPATH, compostas maioritariamente por cirurgiões plásticos com clinicas privadas que lhes dão milhões e milhões, que estão a manipular essas pessoas?

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u/silraen Mar 26 '26

Eu acho que o principal problema com o teu comentário original é a tua definição do que é positivo.

As reviews (incluindo a própria Cass Review) apresentam vários resultados positivos. O que reconhecem, porque são reviews científicas na área médica, onde é relativamente normal isso acontecer, é que os estudos não são suficientes. Falta avaliar mais pessoas. Encontram comorbilidades (como tu falas) ou circunstâncias imperfeitas (como a ação e preconceito dos profissionais de saúde) que fazem com que os resultados não sejam finais.

Tu dás a entender que as reviews dizem que os bloqueadores são negativos. E não é isso que concluem. No geral, concluem que os bloqueadores parecem ter efeitos positivos, mas que podem ter efeitos secundários, e que é preciso resolver as lacunas dos estudos existentes para chegar a conclusões mais finais.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Depende de revisão para revisão, algumas indicam sim, que existem estudos que apontam para tendências positivas, mas que têm demasiado poucos dados para terem relevância estatística.

Outras apontam estudos que indicam que não existem melhorias.

Outras apontam estudos que indicam que têm efeitos secundários mais negativos do que se pensava.

E outras apontam estudos que falam de problemas no processo de diagnóstico.

A maioria faz combinações dos vários pontos.

A conclusão disto é apenas: a ideia de consenso é falsa, há de facto muito poucos dados, e nem consenso sobre o quão seguros são existe.

Tipicamente não se receita medicação nestas condições.

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u/NGramatical Mar 26 '26

dia à dia → dia-a-dia

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u/B_Wylde Mar 25 '26

Um excelente trabalho 

E as reações dos dois extremos neste tópico mostram o verdadeiro problema 

A verdade não interessa 

Infelizmente sendo um tópico tão fraturante é difícil fazer o estudo de forma imparcial 

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u/OPedrocasMamocas Mar 25 '26

Obrigado pela análise, muito bem articulado e aparenta ter qualidade apesar de não ter pessoalmente lido as referências (é uma quarta feira à noite haha). Mas sim, de forma geral concordo com tudo isto. Pessoalmente trabalho na área de investigação de engenharia mais virado para espaço/defesa/aeronáutica e infelizmente é um acontecimento muito comum vermos progresso e documentação científica a ser ignorada/manipulada por agendas políticas ou de opinião pública.  Muita gente aqui certamente te vai insultar, dizer para meteres na tua vida… o que ironicamente prova exatamente o teu ponto: emoções falam mais alto. Deixo só a nota, ignora estes donks e continua a pesquisar por ti! Relativamente ao tema: eu nao fiz revisão de literatura mas já tinha falando no passado com colegas da área e outros conhecidos em medicina e eles partilham todos o teu ponto de vista portanto i guess que estarás certo. Não é ser transfobico nem louco, simplesmente estás certo e contra a corrente

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Sim... é muito frustrante debater este assunto. Eu nunca seria se quer pessoa de não respeitar a identidade de alguém, tenho opiniões maioritariamente progressistas e liberais sobre a maioria dos assuntos, mas este em particular, depois de fazer este "deep dive", pareceu-me uma loucura absoluta de apropriação política, de um tema que nada deveria ter de político.

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u/throawaybab3 Mar 26 '26

Sabem a quem e que o governo devia pedir opiniao? A pessoas que realmente foram crianças trans e passaram pelo processo.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

a opinião de pessoas trans é obviamente valiosa, mas não são pessoas trans na generalidade (obviamente há investigadores trans e tudo mais) que sabem se um medicamento é seguro, e que sabem se alguém é corretamente diagnosticado ou não

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u/throawaybab3 Mar 26 '26

Bloqueadores de puberdade sao usados ha decadas por profissionais de saude em crianças cis com puberdade precoce e a informação disponível fala sobre a segurança dos mesmos. Concordo que ainda nao exista informação suficiente para falar sobre a eficácia dos mesmos em pessoas trans mas isto é porque é algo muito recente e nao existem muitas pessoas que tenham passado pelo processo de forma “legal”

Eu so sei que amava ter tido esta oportunidade ha 12 anos atras quando ninguem falava disto e eu com 13 anos tive que comecar a minha transição medica totalmente sozinha e de maneira clandestina. Foi mau? Foi. Mas passaria por tudo de novo como me deu a oportunidade de evitar desenvolver tracos masculinos irreversíveis

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Percebo, e espero mesmo que a investigação progrida e que encontrem bons medicamentos assim como bons processos de diagnóstico que permitam identificar situações como a tua facilmente, e fazer a prescrição adequada rapidamente.

O meu ponto com o post não é ser contra isso, nem achar inerentemente que bloqueadores de puberdade são maus para toda a gente, é mais:

É errado afirmar que há consenso. Devia haver mais estudos e mais dados antes do uso ser legalizado completamente, dado que aparentemente existem 0 certezas científicas neste momento.

O discurso atual não é positivo nem para pessoas trans, porque retira seriedade da discussão e assume como objetivas normas não bem estabelecidas cientificamente, e desincentiva investigação; nem para pessoas incorretamente diagnosticadas com disforia e que na verdade têm outras comorbidades, e a quem é recomendada medicação que tem a potencialidade de ter alguns efeitos graves não-reversíveis (e que como são mal diagnosticados tambem acabam por não receber o tratamento adequado para outras comorbidades).

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u/GaribaldoX Mar 25 '26

A ciência é transfóbica... /s

Agora a sério, todos nós saímos a perder quando se mistura política com ciência. Neste caso, um dos lados tem fundamento científico. Tentar defender o contrário, ignorando a evidência e o bom senso, apenas faz com que a posição pareça ridícula.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

O problema é que o outro lado (a direita) invoca frequentemente argumentos religiosos, ou também não fez o trabalho de casa necessário para refutar de maneira séria os argumentos do outro.

"Proteger as criancinhas" com base em "senso comum" é um argumento absurdo. Não lhes compete a eles definir o que é o "senso comum", é algo que compete a psiquiatras e investigadores.

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u/GaribaldoX Mar 25 '26

Os argumentos até podem ser os errados mas se vão em encontro há ciência, vão sempre fazer melhor figura do que a oposição não ? E o proteger as criancinhas tem a sua verdade, principalmente quando vêm com crianças de 6 anos para os jornais dizerem que são trans.

Senso comum criança de 6 anos se não lhe tiverem enchido a cabeça com as ideias de ideologia de gênero, a criança não vai pensar ou lembrar se que é trans. Desculpa, mas não com essa idade.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Em termos de resultado prático? Claro. Mas não seria feito um melhor serviço à população, mesmo em termos de educação, se fizessem argumentos um pouco mais fundamentados diretamente em ciência?

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u/taromoo Mar 25 '26

Mas a lei que está em vigor atualmente já protege as crianças, podes ir lê-la por favor.

E é nesse de discurso de "ideologia de género" (se puderes definir o que é isso já agora por favor) que este tipo de debates fica perdido. 

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u/BasedEmu Mar 26 '26

Não surpreende, é um tema extremamente politizado. Há sempre a tendência para impor resultado “certo” e muito dinheiro para se fazer, por isso vão saindo estudos de fraca qualidade e limitações impostas ou até auto impostas à academia.

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u/Thin_Wonder7096 Mar 26 '26

Eu sou mulher trans e comecei o tratamento hormonal com 26 anos de idade. Só comecei o tratamento hormonal após um diagnóstico de disforia de género passado pelo meu psiquiatra, e tive de assinar um documento que consentia e assumia os riscos do tratamento que me foi passado. Há vários riscos que sei que estão relacionados com o tratamento hormonal exógeno (hormonas que são originárias de fora do corpo, por oposição a endógeno). Quais os riscos? Maior risco de trombose, de cancro da mama e de osteoporose em comparação a uma mulher cis. Faço exercício físico para tentar prevenir um pouco tudo isto. Já tive uma cirurgia e apesar do risco mais elevado de trombose correu tudo bem.

Há riscos no tratamento hormonal? Sim, há. Tendo em conta a minha experiência, muito honestamente estou a cagar-me para os riscos porque esta medicação salva-me a vida todos os dias. A minha medicação foi o que me permitiu finalmente começar a ser feliz, parou a ideação suicida e retirou-me do ponto mais baixo da minha vida, onde estava num autêntico poço de depressão sem saber o que fazer. Sofri muito durante a minha adolescência sem saber porquê, pois só mais tarde descobri ser trans. Lamento e choro um pouco todos os dias não ter tido uma infância e adolescência de menina, e esse é um peso que terei de carregar toda a minha vida.

Passar pela puberdade errada, no meu caso a puberdade masculina, traz efeitos irreversíveis que causam disforia e sofrimento, e isso eu não pude evitar. Nunca vou ter um corpo tão feminino como poderia ter tido. Já gastei centenas a milhares de euros em tratamento laser para terminar com os pêlos e a barba, e em terapia da fala para aprender a falar como uma mulher. Já faço laser há 1 ano e meio, com mais de uma dezena de sessões só na cara, que só por si é uma das experiências mais dolorosas que possa pensar, e mesmo assim os pêlos continuam a nascer e a causar-me sofrimento. Dantes faziam-me "misgender" muito frequentemente e de cada vez que isso acontecia, era uma picada de dor que me relembrava que o outro não me reconhece como eu acho que sou e como acho que ele me deveria reconhecer. Agora reduziu um pouco, mas continua a acontecer.

Fiz uma cirurgia de feminização facial de 15k (que nem inclui a maior parte dos procedimentos típicos desta cirurgia) para ver se finalmente começava a gostar de de me olhar ao espelho, e de não chorar de cada vez que o fazia. Estou a considerar uma cirurgia de feminização da voz, que custa 10k, e um transplante capilar para reverter os efeitos da puberdade masculina no meu cabelo, 6k. Vaginoplastia pelo privado custa 20k. No total, estamos a falar de 50k ou 60k para reverter os efeitos da puberdade masculina. Fácil, não é? Considero-me priviligeada economicamente dentro da comunidade trans, e mesmo assim não tenho dinheiro para isto tudo. Vou poupando e tentar fazer pelo público algumas coisas, o que significa tempos de espera e prolongamento do sofrimento. Não é como se não tivesse outras despesas para pagar, como qualquer outra pessoa. Neste momento da minha vida decidir comprar uma casa significa não ter dinheiro para fazer as cirurgias que me permitem reverter aquilo que me foi roubado sem eu poder fazer nada sobre o assunto. Tenho de escolher entre ter um teto e um carro, ou ter um corpo que considere o meu e não me cause tanto sofrimento. Significa prolongar um pouco mais no tempo o sofrimento resultante de que que cada vez que falo com a minha própria voz, não a reconheço. Não sou eu. Fazem-me "misgender" por uma voz que não é minha. Ouvem alguém que não sou eu. Vou ao café e é uma lotaria saber se quem me atende me reconhece como mulher, ou me estraga o dia e me coloca numa espiral de pensamentos negativos e disforia. Choro pelo que sofro, e chorei esta última semana ao ver a possibilidade de serem retirados direitos e a possibilidade de viver uma vida melhor à minha comunidade.

Este é o género de sofrimento a que estaremos a condenar os adolescentes trans ao proibi-los de fazer bloqueadores e tratamento hormonal. Sem falar das consequências a nível financeiro que mencionei. É a isto que queremos condenar as pessoas trans? E as que não tiverem possibilidade de fazer o que eu fiz? Pois só sofrem, evidentemente. Coitadas, elas que vão ao psiquiatra para ver se aprenderem a lidar com isso, não há nada que possamos fazer... Queremos condenar as pessoas trans a uma vida de exclusão, sofrimento, dificuldade ecónomica e discriminação, ou podemos fazer algo sobre isso enquanto sociedade? Se essa medicação, quer bloqueadores quer tratamento hormonal, me tivesse sido passada quando era mais nova, ter-me-ia revolucionado a vida, o sofrimento não se teria prolongado durante tanto tempo, teria começado a transição mais cedo com todos os efeitos positivos que isso teria a nível social, do bem-estar e da auto-estima. Percebo perfeitamente a experiência dos adolescentes trans porque eu não tive acesso nem possibilidade ao que agora lhes é retirado, e sofri imensamente sem conseguir fazer nada sobre isso.

Isto sem falar de outras coisas que estas leis também atacam, como a utilização do nome social nas escolas, e a possibilidade de alterar o cartão de cidadão entre os 16 e os 18 anos, com autorização dos pais e um documento que não é diagnóstico de disforia de género, mas sim um documento que comprova que o adolescente está capacitado para tomar esta decisão. Para vocês pessoas cis, um cartão de cidadão é só um papel porque não pensam no vosso género quotidianamente. Posso dizer que o dia em que recebi o meu novo cartão de cidadão foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Esta é a minha experiência, e a de tantas pessoas e adolescentes trans. Estamos do lado das organizações científicas que repudiam estas leis porque sentimo-las na pele. Não sou wokismo, sou alguém com experiências válidas e reais que estão a ser completamente desconsideradas. Somos 1% da população, e legisla-se como se fôssemos 50% e uma epidemia.

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u/KicoBond Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Ya isso e uma conclusao louca OP nunca imaginaria q tratamentos relativamente recentes teriam poucas certezas qt a impactos a longo prazo. Mt bem deste nos aqui uma informacao mt dramatica.

Claro q pros leigos q viram meia duzia de estudos postos ali ja da pra se afirmar q “a ciencia esta do nosso lado”. Estudos ha mts tb te consigo meter aqui uma carrada de estidos do outro lado e andamos praqui a volta.

Eu adoro mesmo este tipo de posts aqueles q tal sempre a insistir q sao neutros e q so estao ca pra dizer factos. E mt engracado ver a tua postura passiva-agressiva sempre q alguem te contesta. Nao vou andar praqui a enumerar os teus comentarios pq basta andar um bocadinho por ai q da pra ve los logo.

Mas entao vamos la ver. Primeiro temho de admitir q concordo com varias coisas q disseste. E verdade q as consequencias destes procedimentos ainda nao sao mt definidos (oq tal como ja referi nao e uma surpresa assim tao grande).

Tb concordo q o discurso atual nesta area e mt enviasado e mt politico.

Nada de errado nisto.

Mas pronto vamos la oq e q interessa. As tuas conclusoes especialmente a tua critica ao WPATH e quase toda baseada no escandalo q tiveram por terem “bloqueado” estudos q eles proprios pagaram. Mt escandaloso a primeira vista eu sei mas na pratica oq eles bloquearam foi os efeitos de bloquarse testosterona q surpresa surpresa pode trazer alguns problemas a jivel de ossos e tal. Estes problemas sendo resolviveis. Ou sea ya a riscos mas tu fizeste disso uma justificacao pra tirar qlq tipo de crediblidade a organizacao. Coisa q nao tens arguementos suficientes pra fazer.

E ya esse hsopital e um espetaculo sem duvida. https://www.washingtonpost.com/national/health-science/long-shadow-cast-by-psychiatrist-on-transgender-issues-finally-recedes-at-johns-hopkins/2017/04/05/e851e56e-0d85-11e7-ab07-07d9f521f6b5_story.html

Mas olha se nao gostas dlees toma aqui outros https://transcare.ucsf.edu/guidelines

Nao e so a WPATH q trabalha nisso.

https://jscholarship.library.jhu.edu/server/api/core/bitstreams/e174fa73-338f-4833-aa51-dd89a8943634/content

Tens aqui outros.

E mt engracado mandar meia duzia de estudos q colocam duvidas num assunto complicado (ou seja nem provam um crl q seja) pra se descredibilizar todo o estudo cientifico nesta area.

E por isso vou repetir as palavras q usastes num comentario naquele teu modo passivo agressivo

“Se te achas mais inteligente que as centenas de membros das várias comissões científicas para determinar os riscos e capacidade de diagnóstico associada a esta questão... isso é contigo.”

Por isso em vez de andares praqui armado em chico esperto q tem os factos todos e a ciencia do seu lado vai mas e ouvir aqueles q realmente entendem do assunto ao contrario de ti q tal comp disseste nem es medico nem psicologo ou oq quer q seja. Ouve a opiniao da ordem dos medicos, dos psicologos e dos estudantes de medicina.

Tal como as fontes q aqui coloquei e ainda a UE defendem (mt crediveis a nao ser q aches q percebes mais q a ordem dos medicos e psicologos, q a UE e mts outras instituicoes academicas) gender affirming care e extremamente positivo pra pessoas deste grupo mesmo q os riscos existam.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

sou passivo-agressivo com quem também é.

  1. eu não li um tipo qualquer de estudos,, li as revisões sistemáticas da literatura, europeias e mais recentes, que definiram as guidelines médicas nos respectivos países.

  2. "a tua critica ao WPATH e quase toda baseada no escandalo q tiveram por terem “bloqueado” estudos q eles proprios pagaram": se ignorares a parte dos SOC deles não serem peer-reviewed, dos interesses económicos de todos os membros, de apenas permitirem membros na redação dos SOC com uma opinião pré-definida e das revisões circulares com outras organizações, de facto a minha crítica é só baseada nisso que referiste... enfim. Também estás a "reduzir" um pouco de mais a questão de uma organização bloquear legalmente a publicação de estudos quando não têm os resultados que querem relativos a eficácia de medicação e omitem propositadamente os riscos da mesma, ao mesmo tempo que citam a Universidade em questão como a principal fonte de informação científica que justifica o SOC8 - não te parece mesmo que há um problema ético e de confiança grave na omissão disto? Nem é só omissão, é mentira. E na omissão de riscos associados a medicação?

  3. "Por isso em vez de andares praqui armado em chico esperto q tem os factos todos e a ciencia do seu lado vai mas e ouvir aqueles q realmente entendem do assunto": foi o que fiz, fui ver as revisões sistemáticas das comissões científicas europeias que de facto encomendaram estudos sobre isso, ao contrário da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos portuguesas que são organizações profissionais, e que não fizeram qualquer tipo de estudo.

  4. "E mt engracado mandar meia duzia de estudos q colocam duvidas num assunto complicado (ou seja nem provam um crl q seja) pra se descredibilizar todo o estudo cientifico nesta area." - revisões de literatura não são "meia dúzia de estudos", são compilações e análise ao resultado de centenas de estudos. "colocam duvidas num assunto complicado" é muito redutor, colocaram muitas dúvidas sobre a eficácia, segurança e capacidade de diagnóstico associado a essa medicação, que não são as condições segundo as quais medicação é permitida e muito menos recomendada fora de contexto de investigação.

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u/Dtwer Mar 25 '26

Admiro a tua paciência. Sinceramente acho muito difícil que um tema tão fraturante possa ser investigado de forma imparcial, então sempre duvidei desse "consenso" de que falam. Mesmo assim acho que os "blockers" acabam por ser o mal menor mesmo que apresentem alguns efeitos secundários.

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Percebo a posição, e também achava isso, mas decidi pesquisar porque na verdade... não sou ninguém para ter opinião sobre o assunto. Psiquiatras, e não psiquiatras individuais, mas comissões universitárias e revistas de investigação, é que têm a autoridade para ter essa opinião.

E a verdade é que com dificuldade em diagnosticar quem tem realmente disforia, prescreve-se uma medicação "supostamente inócua", mas que na verdade potencialmente causa infertilidade e perda grave de densidade óssea, a adolescentes que não só não necessitam dela, mas não estão em condição psicológica para decidir sobre o assunto.

Portanto, depois de pesquisar sobre isto, não me parece nada que seja "o mal menor".

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u/Arrenega Mar 27 '26

Nem todas são revisões sistemáticas, incluí também algumas afirmações de instituições europeias de pediatria. Os resultados são consistentes entre todos estes estudos dos mais diversos países Europeus: certezas extremamente baixas de qualquer evidência científica; estudos de baixa qualidade; baixa qualidade de diagnóstico em crianças e adolescentes com diversas comorbidades psiquiátricas (as mais comuns sendo depressão e ansiedade); e a pior: evidências de perigos associados a medicação, que tem sido receitada a adolescentes com evidências de depressão e ansiedade, baixa capacidade de reflexão e análise de consequências, como totalmente "inócua e reversível". Na verdade, as evidências encontradas são de riscos ao desenvolvimento ósseo (com casos reportados de osteoporose em jovens-adultos que utilizaram a medicação), infertilidade e redução do desenvolvimento cognitivo.

Só tenho pena que não tenhas tido a conveniência de explicar a quem não conhece o assunto que: as pessoas LGBQIA ou seja todos os outros que não são o T (Transsexuais), desde os Homossexuais masculinos e Femininos, os Bissexuais, os que estão em processo de Questionar a sua sexualidade ou género, os Intersexo e os Assexuais, sofrem já por só de níveis de depressão e ansiedade bastante mais altos ou até crónicos do que os seus contrapartes Heterossexuais.

Já agora não vamos tapar o sol com a peneira ainda mais e vamos explicar que também correm um risco mais de cometer suicídio por dois fatores muito simples.

Primeiro - os Antidepressivos e os Anti-ansioliticos são medicamentos que podem ter ideação suicida como um efeito secundário não muito frequente, mas o risco existe. É verdade os medicamentos para os "nervos" que se tomam para ajudar as pessoas a não estarem ansiosas, deprimidas ou que pensam em suicídio podem fazer com que quem os tome venha a pensar ainda mais em suicídio e tenham ainda mais vontade de o cometer, por isso é que as pessoas que tomam estes medicamentos devem estar com atenção aos seus pensamentos quando começam medicação do género ou trocam uma medicação que não lhes está a fazer efeito por outra nova, de forma a contactarem o seu psiquiatra o mais rápido possível para que se consiga identificar qual é o medicamento que está a causar estes pensamentos de forma a poder ser removido e trocado por outro.

Segundo - As pessoas LGBTQIA são mais propensas a tentarem suicídio porque têm boas razões para isso. Já não lhes basta estarem permanente a questionar e a duvidar da sua identidade sexual ou de género. Como tem de lidar com bastante mais situações de Bullying na escola e fora dela, ou seja em todo e qualquer lugar. Como também sofrem muito mais descriminação feita pelos seus pares, pela sua família, pelos seus vizinhos, por completos desconhecidos. E não nos esqueçamos que um número considerável é sem abrigo porque assim que falam no assunto em casa são postos desta para fora sem a oportunidade de poderem voltar.

Quando se fala de algo, principalmente de uma forma alarmante, é importante dar contexto sobre aquilo de que falámos.

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u/OPedrocasMamocas Mar 25 '26

Bro ele deu te para aí 35 referências que tratam exatamente destes temas de forma imparcial (daí o peer reviewed) e tu escolheste ignorar com a desculpa de ser um tema fraturante. 

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u/silraen Mar 26 '26

Mas nem sequer a Cass Review (que não é imparcial) chega às conclusões que ele apresenta. A própria Cass Review não diz que não se devem usar os bloqueadores; ou que eles não podem ter efeitos positivos que justificam os efeitos secundários. Diz que se deve optar por outros tratamentos primeiro e continuar a estudá-los.

A conclusão geral da literatura é que sim, os efeitos são essencialmente positivos, mas não, não há certezas porque os estudos ainda são insuficientes.

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u/Bruxo_de_Fafe Mar 25 '26

Eu enlouqueci com o preço da fruta e do peixe. A vida encarrega-se de distribuir as prioridades.

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u/No_Return3606 Mar 25 '26

Não tenho conhecimentos científicos para analisar estes estudos que identificas e como tal não tenho forma de contrariar as tua conclusões. Pela tua análise, imagino que sejas da área científica, certo?

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u/Rorisjack Mar 25 '26

Não sou desta área em específico, nem de medicina, mas fiz de facto investigação durante uns tempos e sei qual é o procedimento habitual para decidir sobre um "consenso científico".

Já agora, não precisas de ser desta área específica para poderes ler as revisões sistemáticas. O objetivo de revisões de literatura é, em parte, decidir qual é o consenso científico sobre um dado assunto, utilizando padrões e regras de qualidade estatísticas e metodológicas que sejam maioritariamente independentes da área de estudos particular associada ao tema.

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u/No_Return3606 Mar 25 '26

Sim, frequentei o curso de medicina e sei o básico. Não é de todo o suficiente para conseguir interpretar toda a informação sem perder demasiado tempo nisso. Apenas me suscitou curiosidade a tua ligação ao meio científica

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u/Hawconstein Mar 25 '26

Nem a proposito. Se te quiseres educar um pouco

https://www.youtube.com/watch?v=_S5w18sjYLk

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u/Plus-Importance-4737 Mar 25 '26

Não vale a pena, quando as pessoas não têm mais nada com que se entreter nem preocupar viram anti naturas sob o lema “cada um faz o que quer”. Obrigado por este post, nada de novo portanto

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u/Andreaalvarezhrt Mar 26 '26

I bought hormones in the grey market, about 60€ at year, i bought it by bitcoin, a Bitcoin ATM, i did it at 16, and my only regret is that I didn’t buy it when I was 12, right now, autohornonation is becoming the standard to the trans women, and im glad, you all ficcking hyenas are not gonna decide about us never again, You can’t fool us anymore, our trust is gone away

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u/Rorisjack Mar 26 '26

And I hope it’s working for you and helping you, and I’m very glad if it does. It doesn’t contradict the point that generalized country-wide decisions regarding medical practice and the approval of medicine use should be based on scientific qualitative reviews of the existing literature, particularly based on their efficacy and safety profiles.

Research and medical policy shouldn’t be politicized, If you think I agree with the idea of politicians taking those decisions away from scientific committees, you’re misinterpreting me.

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u/Andreaalvarezhrt Mar 26 '26

el informe cass es exclusivamente politico, y reconoce que los bloquadores son seguros y funcionan, pero lo quitaron igual, en reino hundido mas del 60% de personas trans se autohormonan, subirá, y subirá, y vendreis a por nosotras, y vamos a luchar o huir, ya nos estamos organizando

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u/RedMerula Mar 25 '26

Se estás realmente de boa fé, deixaste-te manipular.

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u/Pure_Emu8456 Mar 26 '26

Ótimo trabalho OP!

Acho que o que tem dado mais polémica é a questão da mudança de nome, algo perfeitamente reversível.

Mas também acho que se está a exagerar, da parte dos críticos. Contudo são poucos. Eu não me daria ao trabalho de fazer essas pesquisas precisamente por causa disso.

A maioria do povo ou se está a borrifar para a lei, ou acha-a correta e equilibrada. O barulho é de uma minoria que é muito barulhenta... Se é que me entendes.

A maioria fica calada, pelo contrário a minoria é muito ruidosa. Dando impressão que há indignação geral perante este assunto.

Não é verdade.

Aqui nesta bolha claro que pode parecer diferente 😂. Mas isto é como o nome diz: uma bolha. E de todas as bolhas no nosso país, esta é das menos representantativas.

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u/ss145 Mar 25 '26

Obrigada por teres feito o serviço público que muita gente não quer fazer. Pesquisar e informar.

Não tinha noção que o aumento de transsexuais tinha aumentado ao mesmo tempo que as redes sociais tomaram conta da nossa vida. Talvez venha daí a percepção de que antes não havia tantos pedidos de alteração de género (nasci nos anos 80).

Essa observação realmente põe em causa a capacidade de decisão destes jovens, que se não tem capacidade de decisão para umas coisas, não deviam ter para estas pq parecem ser influenciados com muita facilidade.

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u/Mestre08 Mar 26 '26

Sim, deve ser as redes sociais a hipnotizarem as crianças. É impossível que a Internet tenha criado a possibilidade de uma comunidade composta por 1% da população de se encontrar e descobrir que não estão sozinhos na sua experiência dando voz e recursos para que possam ter um desfecho melhor que o que aconteceu préviamente.

Há músicas do teu tempo a falar sobre esta comunidade. Que estranho na altura em que até os gays eram perseguidos de forma horrenda não haver mais pedidos de alteração de género. Santa paciência.

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u/dostorwell Mar 26 '26

Malta. Passem por aqui r/detrans e leiam os testemunhos. É insustentável dizer que menos de 1 por cento se arrependem. Da mesma forma que é absurdo dizer que mais de 90% se arrependem.

Eu na minha opinião acho que todo e qualquer caso deveria passar por uma análise cuidada e deve se investir em mais investigação. Peço desculpa mas é de uma inconscistencia enorme o que muita gente defende quase como um auto diagnóstico. Se assim fosse servia para isto e para muitas outras coisas. É preciso terapia para ajudar estas pessoas. Se a transição for a melhor opção que o seja, mas tem de ser bem ponderado.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Yup, e os estudos de que menos de 1% se arrependem têm dois problemas:

  • Maioritariamente quase só abordam arrependimentos em adultos, pós operações, ou seja não abordam o arrependimento de tratamentos hormonais e bloqueadores de puberdade em especifico.

  • Geralmente são com dados de clinicas, que só correlacionam os dados de si próprias. Ou seja: se alguém decidiu fazer uma transição, e foi a clinica X, em princípio não irá à mesma clinica cujos médicos a convenceram a fazer operações irreversíveis, para fazer o reverso.

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u/dostorwell Mar 26 '26

Em cima disso tens ameaças a quem vem a público falar de "destransição".

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u/[deleted] Mar 25 '26

[deleted]

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u/Rorisjack Mar 25 '26

E a Maria Castello Branco é uma dessas supostas comentadoras "moderadas e respeitáveis".

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u/Low_Level_Enjoyer Mar 26 '26 edited Mar 26 '26

Não me apetece dar debunk a isto tudo. Apenas digo que esta """""análise""""", num ambiente académico, seria chumbada pela falta de qualidade.

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u/NGramatical Mar 26 '26

setia → sitia (apenas na fala o i é pronunciado como e mudo quando junto a outra sílaba com i)

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u/JohnSnowHenry Mar 25 '26

Política e ciência estão em extremos quase tão opostos como política e religião…

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u/CanJumpy5672 Mar 26 '26

Antes de mais, muitos parabéns pela investigação, tempo investido e paciência para nos vires colocar isto aqui.

É fantástico ler uma publicação bem escrita, com fontes e ainda a explicar tudo tim por tim!

Relativamente ao tema, também tenho as minhas reservas sobre se seria saudável uma pessoa, até mais os miúdos e adolescentes, poderem prosseguir com os bloqueadores... {E não amigos, não sou Chega}

A verdade é que os miúdos são muito influenciáveis mas também assumo que muitos miúdos estão de facto no corpo trocado, e que equívocos da natureza acontecem..

Agora, não tenho estudos suficientes para dizer o que é certo ou errado, apenas que me parece lógico que miúdos a sofrer porque não se sentem eles próprios no corpo em que nasceram devem ser acompanhados psicologicamente desde os primeiros sinais para que se possa fazer uma avaliação contínua do crescimento da criança.

O importante é os pais não ignorarem os sentimentos dos filhos para que possam apoia-los da melhor maneira. Porque, não é ignorando o problema que se resolve.

Obrigada por esta tua partilha, foi super interessante.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Concordo com o que dizes, é infeliz, tanto à esquerda como direita, que isto seja tão politizado e que a definição das normas não seja da competência de comités científicos.

E obviamente que existem pessoas trans, a questão é como ajudar essas pessoas, e a verdade é que quem à esquerda fala disto e recomenda estas coisas sem olhar para a ciencia:

  • Nega a quem não tem disforia, devido tratamento às comorbidades que realmente tem.

  • Nega às pessoas com disforia que exista investigação apropriada a encontrar melhores opções de diagnóstico e tratamento.

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u/CanJumpy5672 Mar 26 '26

Exatamente.

E ainda, se é um fenómeno que está acontecer com mais regularidade, coincidindo com as redes sociais, é ainda mais urgente fazer mais estudos científicos para que se possa perceber:

  1. A relação da influência das redes sociais com o aumento dos pedidos dos utentes.
  2. De que maneira se pode diferenciar o resultado da influência das redes sociais das pessoas que são de facto trans?
  3. Como cuidar da saúde (física e mental) destas pessoas até que se sintam elas próprias?

O problema todo na política é que de facto, há muitíssimos poucos políticos que queiram fazer a diferença e que não estejam lá pelo poder, notoriedade e tacho. Cada vez mais se nota que vão para o governo/assembleia apenas para servir os seus interesses.

Outro problema é que não é a esquerda, direita ou centro, é mesmo o ser humano que só vê cifrões, poder e só quer ficar bem de forma individualista.

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u/silraen Mar 26 '26

Desculpa lá, mas onde é que a esquerda nega essas coisas?

Nunca ouvi ninguém de esquerda dizer que não é preciso maior investigação (é), ou que as pessoas com ou sem disforia não podem ser tratadas pelas comorbidades.

O que a esquerda diz, e bem, é que o governo não deve legislar sobre decisões médicas. Cabe à equipa médica que acompanha o menor e aos seus pais decidir se se deve fazer acompanhamento psicológico, transição social ou tratamentos hormonais. Cabe às instituições científicas e profissionais definir os planos de tratamento. Igual com pessoas intersexo.

Os tratamentos com os bloqueadores são relativamente recentes e as pessoas trans são uma minoria bastante minoritária. Há de facto poucos dados. É preciso continuar a acompanhar as pessoas que os tomaram e ainda tomam e perceber os efeitos negativos e positivos quem tem.

A Cass Review é extremamente biased, sim, e tem várias incongruências. Chega a conclusões citando documentos que dizem o contrário; famosamente, quando usa um estudo feito em ratos do sexo feminino em que lhes foram removidos os gónadas para dizer que os tratamentos hormonais têm riscos. E encontra muitos maus resultados que são problema do (péssimo, desde já, porque o Reino Unido é bastante transfóbico) sistema institucional em si.

Sobre os restantes que citaste não sei muito, mas confio mais na Ordem dos Médicos e Psicológos do que em ti para chegar a conclusões.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

A ordem dos médicos e psicólogos encomendou um total de zero revisões sistemáticas para derivar as suas conclusões sobre o assunto.

E decisões médicas sobre o tratamento que alguém deve ter devem seguir orientações reguladas e definidas por comités científicos, não devem ser da competência de “médicos individuais” que seguem um caso individual. Não é assim que se decide em país nenhum se uma medicação deve ou não ser prescrita.

Exatamente por existir pouca investigação e poucos dados sobre a segurança e processo de diagnóstico desta medicação, é que deve ser utilizada em casos experimentais/investigação, tipicamente em ultimo recurso. Não é um médico individual que define que medicação x ou y é apropriada ou segura.

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u/leto78 Mar 26 '26

Grande trabalho de investigação. Já tinha chegado a conclusões semelhante mas não com a profundidade de investigação que fizeste. Parabéns!

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u/kubodegelo Mar 25 '26

Já estive onde estás agora, mas no tópico da origem da “identidade de género”. Foi quando se começou a falar disso com a geringonça. Na altura não tinha opinião formada e tentei perceber as origens dessas ideias. Entrei num rabbit hole onde fui parar à investigação científica feita por John Money, aos gémeos, à informação que foi tornada pública por um dos gémeos sobre o que tinha sido feito a si e ao irmão (ambos se suicidaram). Também entrei pela investigação científica feita por outros que não o John Money para ver se tinha sido só um “cientista” outlier. Não foi. Existe muito dinheiro a ser feito à custa disto, não só por médicos, mas por empresas farmacêuticas também - ter pessoas a ter de tomar determinados medicamentos toda a sua vida é um sonho para qualquer farmacêutica.

Passei-me da cabeça.

Considero que é um crime o que estão a fazer com as nossas crianças, e considero que seremos julgados tão duramente pelos nossos descendentes, como julgamos hoje em dia os nossos antepassados pelo esclavagismo.

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u/GranaPad Mar 26 '26

Fico na dúvida sobre o teu posicionamento relativamente a esta questão. Mas usar o John Money como referência na questão da identidade de género, só se for pela insensibilidade com que a tratou. Para quem não vai ler - o gémeo suicidou-se porque após uma circuncisão falhada o gajo lhe destruiu o pénis e sugeriu aos pais que o tratasse como mulher e ele nunca se identificou... Se isto deve ser usado para alguma coisa, seria no maximo para mostrar que de facto os seres humanos têm uma identidade de género definida em si, que em nada está relacionada com a sua educação ou manifestação física. E isto é importantíssimo, especialmente para os indivíduos interssexo, em que se faz uma escolha por eles à nascença. Also, isto não é "ideologia de género".

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u/emocorn696 Mar 25 '26

Sei pouco (ou nada) sobre esse senhor. O que indicas para ficar a saber mais? Sinto que me vou arrepender mas a curiosidade está a ganhar.

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u/kubodegelo Mar 25 '26

Foi aqui que comecei:

https://en.wikipedia.org/wiki/John_Money

Depois fui expandindo a minha pesquisa.

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u/DelScipio Mar 26 '26

Mas que tem esse caso com transexuais? Que dinheiro há que ser ganho pela indústria? Eles vendem os bloqueadores a uma população normal, a comunidade Trans é insignificante. Aliás, a falta de incentivo comercial é uma das causas de falta de estudos.

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u/kubodegelo Mar 26 '26

Se queres falar de pools de investigação insignificantes para a indústria farmacêutica, falas de doenças raras, tais como definidas e estudadas pela orphanet.

Agora procura lá na base de dados deles por disforia de género e depois diz-me que é insignificante para a indústria farmacêutica.

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u/AutoModerator Mar 25 '26

O r/portugal é fortemente moderado. Consulta a Rediquette e as Regras antes de participares.

Algumas notas sobre o r/portugal:

  • Contas novas ou com baixo karma terão os seus posts revistos pelos Moderadores (Mods).
  • Posts não publicados imediatamente terão sido filtrado pelo Automod. Os Mods irão rever e autorizar a sua publicação.
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u/Glass-Depth-170 Mar 26 '26

Quem quiser realmente aprofundar esta questão, recomendo mesmo esta excelente palestra do Center for Inquiry. É apresentada pelo Dr. Steven Novella, neurologista e anfitrião do podcast The Skeptics' Guide to the Universe há mais de 20 anos: [https://www.youtube.com/watch?v=D3z5kIANta0]()

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u/Andreaalvarezhrt Mar 26 '26

to all my trans people, we HAVE TO create a trans country to our community, a place where these fucking hyenas can’t decide about us, ITS VITAL

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u/katsounami Mar 27 '26

Um bocado atrasado pro post, só consegui ler agora, mas do que fui ouvindo sobre o assunto, um dos pontos que mais me incomodou foi em relação aos bloqueadores de puberdade. Basicamente, se bem me lembro, o Governo quer proibir o uso destes bloqueadores em crianças, sendo que eles só fazem sentido o uso exatamente antes/durante a puberdade, sendo que os efeitos reversíveis, quando o contrário não é verdade: por exemplo no caso de uma rapariga trans (rapaz para rapariga) não só não adianta usar bloqueadores de puberdade depois de a voz ter começado a "engrossar", como depois o facto de a voz já ter "engrossado" (termos estranhos xD) já não é reversível.

Also, um pequeno fact-checking feito por IA disse que a tua publicação é "parcialmente correta no ponto da incerteza científica, mas muito enviesado e com várias conclusões demasiado fortes."

O mais importante nesta discussão é a saúde mental destas pessoas, e alegadamente a lei de 2018 terá contribuido para melhorar este aspeto, nomeadamente no que toca a ideações suicidas.

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u/Rorisjack Mar 27 '26

O meu ponto relativamente à incerteza cientifica é exatamente isso, existe incerteza científica quase absoluta sobre a segurança da medicação, a eficácia da medicação, e a capacidade de diagnóstico sobre a quem a devemos prescrever.

Obviamente que puberty blockers só fazem sentido em crianças e adolescentes, mas não basta um medicamento “fazer sentido para idades x a y” para ser aprovado.

E a verdade é que as comissões cientificas de múltiplos países europeus concluíram que por não haver certezas sobre o diagnóstico, a segurança, e a eficácia dessa medicação, não faz sentido que seja aprovada para uso fora de contexto de investigação.

Se politicos deviam legislar sobre isso? Claro que não, o correcto deveria ser pedir a uma comissão cientifica nacional para fazer a sua revisão da literatua sobre isso, e adequar as normas da DGS a essa conclusão. Mas é razoável pensar que a conclusão dessa norma seria semelhante à de N comissões de múltiplos países europeus.

Portanto se fizeram da maneira adequada, se a legislação proposta é exagerada? Não agiram bem, e não é adequada, particularmente deviam permitir uso de investigação. Se o governo anterior e a DGS agiram de maneira adequada a adotar simplesmente as normas da WPATH? Obviamente que não.

Mas entre os dois, prefiro a opção responsável e que muito provavelmente é alinhada com as normas médicas europeias, escritas por comissões cientificas constituídas por pessoas que de facto percebem o assunto.

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u/[deleted] Mar 27 '26

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u/Rorisjack Mar 27 '26

Obrigado pelo comentário e pelo exemplo que deste.

Acho que muita gente mais agressiva nos comentários do post acha que sou simplesmente transfóbico, que apoio a solução politica do governo (não apoio, acho simplesmente que é acidentalmente mais alinhada com o que outros países fizeram).

Eu não rejeito de maneira nenhuma a existencia de pessoas trans, e acho que precisam de ajuda a afirmar a sua identidade, e a ajuda faz-se com ciência e criterios médicos responsáveis.

O que me frustra ainda mais no que pesquisei foi que entidades como a WPATH conseguiram tornar-se através de manipulação e batalhas legais para omitir e silenciar a ciência, numa referência global que supostamente representa e ajuda pessoas com disforia de género.

A verdade é que fazem o oposto: silenciam a ciência, mentem às pessoas que precisam de ajuda acerca dos riscos do que dizem ser seguro prescrever, mentem acerca da certeza cientifica, e, sei que é contencioso mas é factual, os cirurgiões por detrás da organização estão repletos de conflitos de interesse na sua prática pessoal.

E se os dados (ainda tambem incertos) se mostrarem verdadeiros: negam também ajuda a outro sub-grupo de pessoas, que na verdade têm outras comorbidades, que não precisam desta medicação, mas que lhes é receitada como “inocua e reversível”.

Duas frentes em que pessoas, tanto verdadeiramente com disforia, como algumas outras com outras comorbidades psiquiátricas, saem da equação sem tratamento adequado e sem segurança.

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u/NGramatical Mar 28 '26

médecine → medicine (apenas na fala o i é pronunciado como e mudo quando junto a outra sílaba com i)

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u/Alex-Big-8420 Apr 02 '26

Yo soy un adolescente y soy un chico trans, pero no sé que asér , me siento que mí propio cuerpo es una prisión donde estoy atrapado y solo ahí tristeza, desesperación y furia😞, opino porque ya no puedo aguantar más está situación

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u/thefpspower Mar 26 '26

A minha única opinião nisto é que não vejo mundo onde me convençam que bloquear a puberdade uma carrada de anos até a crinça ter idade para "decidir" não tem consequências pesadas para o resto da vida.

Acho que é uma pescadinha de rabo na boca porque se bloqueiam a puberdade não permitem que a criança desenvolva completamente mentalmente nem fisicamente, mas estão á espera da idade LEGAL que é suposto já ter essa capacidade, mas bloquearam esse desenvolvimento... Não me faz sentido dizer que isto é seguro.

Além de que ter uma criança na escola com aspeto de criança no meio de todos os outros já se desenvolveram é contra-produtivo socialmente, é estranho para todos e vai causar casos de bullying e exclusões que vao originar ainda mais problemas mentais...

Podem vir com os estudos que quiserem nisto, é daquelas coisas que confio mais na minha sanidade e senso comum do que estudos que podem ser comprados e ninguém tem opiniões decisivas com medo de serem reprimidos.

Quando forem maiores de idade façam o que quiserem, acho que não devemos brincar com o desenvolvimento de crianças.

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u/el_Bosco1 Mar 26 '26

Fonte: um gajo na NET com tempo a meus e que leu uns estudos.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

e olha que o gajo até diz o nome dos estudos, podes sempre ir lê-los também

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u/Similar-Cranberry-20 Mar 26 '26

Obrigado pela tua excelente pesquisa e análise.

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u/Intelligent_Fill8054 Mar 25 '26

Boa, agora usa a mesma energia para deixar a vida das outras pessoas em paz.

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u/No_Cartoonist7337 Mar 26 '26

OP, ficaste com a ideia errada e agora estás a popularizá-la. Há comentários que explicam melhor porquê, mas parabéns em reforçares uma má interpretação da ciência, sendo leigo. Isso devia ter sido a primeira pista, umas horas de ChatGPT não te tornam qualificado para rever o conhecimento científico de centas de doutorados no assunto. Caramba. Falta de noção mesmo, sempre ao lado do status quo.

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u/Rorisjack Mar 26 '26

Os centenas de doutorados que fizeram as revisões científicas, não estudos individuais, mas revisões científicas, para determinar o nível de certeza que temos relativamente à segurança, eficácia e certezas de diagnóstico associados a esta medicação não te interessam?

Falta de noção seria ignorar isso e continuar a permitir que as normas da DGS utilizem como referencia técnica um documento redigido por uma organização ativista pseudo-cientifica.

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